A vida de todos nós
nov 08
De tempos em tempos, as pessoas curtem polemizar alguma coisa. Depois da falsa saída do cantor sertanejo da dupla, deixando papai Francisco triste, foi a vez da ocupação dos alunos na USP.
Todo mundo quer saber o que você acha. Todo mundo quer opinar, todo mundo quer dar o seu pitaco, o seu RT no Twitter e o seu compartilhar no Facebook, mas enquanto isso, a louça suja de casa continua crescendo sem ter ninguém para limpar (inclusive a minha).
É bom falar da vida dos outros. Da luta dos outros. Dos ideais dos outros. Mas e a sua vida? E os seus ideais? Onde estão? E quem vai falar deles se não você, que está ocupado demais falando da dos outros?
O gosto por falar da vida alheia é tão grande que novela tá aí pra isso. Para você poder comentar, chorar e amar a vida de pessoas quem nem se quer existem, só pelo prazer de se entreter falando de uma vida que não é a sua.
Antes revolucionário da Gap do que revolucionário do sofá, que só levanta a bunda da cadeira para requentar a sobra de macarrão do dia anterior.
Avaliar o valor de um ideal pela roupa que o outro usa é assinar seu próprio atestado de completo imbecil.
Nada contra quem não tem ideais, quem não quer lutar por nada, quem está pela vida só de passagem, mas é justo esse tipo de pessoa querer criticar o coleguinha ao lado?
A luta toda é pelo direito de fumar maconha na faculdade? Olha, meu amigo, poderia ser até por querer fumar as cinzas do bisavô que ainda assim teria o seu crédito.
Admiro quem luta por alguma coisa. Seja ela qual for, toda luta merece seu reconhecimento. Toda luta tem seu ponto, tem seus lados e suas versões. Se a luta não for pelo extermínio geral, ou sei lá, pela aceitação da pedofilia ou do estupro da coleguinha gostosona, então porque não seria válida?
Os limites são ensinados de forma errada. A pessoa cresce achando que viver em sociedade significa precisar do aval do vizinho e obviamente, cresce achando que também pode ser esse vizinho, que mesmo não lavando as cuecas ou pagando as contas do amigo, se acha no direito de limitar suas escolhas e ações.
O problema é que sempre haverá alguém para achar que a vida do outro é direito seu. Sempre haverá alguém para achar que o que o outro faz ou deixa de fazer, é problema seu. E sinto informar, mas não é.





Se não é o melhor texto que eu já li aqui, tá no top5 (:
É com certeza uma ‘luta’ de hipócritas tem muito valor sim, eles querem se impor sobre a lei e ainda tem toda a razão do mundo.
Não é porque é lei que é certo. Não é porque é lei que não pode ser reivindicado.
Fumar umzinho seja na faculdade ou aonde for financia o tráfico, e com ele a violência e a criminalidade. Sou totalmente contra essa hipocrisia e acho que também é direito meu emitir minha opinião, visto que se financia o tráfico e aumenta a criminalidade no país onde eu vivo influencia SIM a minha vida.
é direito deles protestarem sobre o que quiserem, mas o erro ali foi a maneira como o fizeram. Como é direito meu me revoltar com a hipocrisia disso tudo. Quer fumar unzinho no campus? Lute pela legalização sem fazer cagada.
Então se eles plantam sua própria maconha, assim não influenciando o tráfico, tá tranquilo?
Não lembro de ninguém ter se atentado a isso. E sabe porque eu não lembro? Porque nem de longe esse é o foco.
Antes fosse…
De qualquer forma Marina. Vc achando ou não que isso tem a ver com a vida alheia, é direito de um monte de gente falar SIM. O que é ou não é da nossa conta tem sido muito deturpado durante muito tempo. Um protesto como esse da USP que acabou ganhando ares de baderna queima não só os alunos de lá como toda e qualquer organização estudantil.
Foi mal pensado, mal feito, mal organizado e deu no que deu. Não estou dizendo que sou a favor da presença da PM lá. Mas a atitude dos “revolucionários” terminou por queimar o filme dos universitários, faz com que todo movimento estudantil perca credibilidade.
Marina, discordo de vários opiniões suas, mas adorei esse texto. Realmente, a maconha é o de menos nessa história toda, foi só um infeliz ponto de partida para o protesto contra a PM do campus (não, os estudantes não querem ausência de PM para fumar baseado em paz, é porque a PM no fim só reprime; eu pelo menos não me sinto nem um pouco segura com ela). Sou totalmente contra a tomada da reitoria (principalmente depois de ter sido decidido em assembleia a desocupação), acho que isso é dar um tiro no próprio pé com a opinião pública, mas acho um absurdo as pessoas aplaudirem a utilização da tropa de choque (ah, a salvadora tropa de choque) para retirarem estudantes do prédio (quanta periculosidade!). Simplesmente falta diálogo entre ambos os lados e mais informação por parte de quem quer meter o bedelho no que não foi chamado (quer criticar? apoiar? tenha algum embasamento).
Essa marina so me da orgulho
Esse é um dos poucos textos seus que eu não concordo. Entendo seu ponto de vista, mas não concordo. Acho que todo mundo tem direito de fazer o que quiser, desde que interfira única e exclusivamente na própria vida. Quer cortar os pulsos, ótimo… Desde que não suje o meu chão. No caso dos alunos da USP, a coisa não envolve só os que são “pró”, mas todo mundo!
Viver em sociedade não é querer o aval do vizinho e sim tomas decisões que, quando o afetam, seja no mínimo daquela concordância do “Fazer o quê”… Nem tudo que é proibido é ruim e nem tudo que é liberado é bom.
E ainda tem o lance de financiar trafico, crime, bla bla bla que nem vale a pena mencionar. Nem é o foco. Quanto a roupa da GAP, podia ser C&A, tá errado do mesmo jeito. Enfim… Ótimo texto como sempre, mas dessa vez eu não posso concordar. Achei a visão, embora válida, meio anarquista demais. Nem tanto, nem tão pouco.
Sou aluno da FFLCH, sou contra aquela manifestação (sério, eu considero absurdamente errada a posição deles), mas concordo plenamente com você, com eles e com um amigo meu que é jornalista: Eles podem até estar errados, mas isso aqui ainda é uma democracia e eles ainda tem o direito de fazer manifestação pelo que quiser, seja pelo direito de fumar maconha, seja contra o extermínio da formiga uirapuru nas margens ao leste da plantação de quiabos de Mr Mcgregor.
P.s.: A manifestação “não é” por maconha (ao menos oficialmente não) oficialmente é pq “a Universidade é território livre que não admite policiamento militar”.
É anacrônico, sim, mas não é tão absurdo. No entanto, me irrita um bando de filhinho de papai reclamando da truculência da PM dentro da cidade universitária e que pra poder patrulhar lá dentro tem que ser uma polícia especialmente treinada e com respeito aos direitos humanos.
Tomarnocu: polícia especialmente treinada tem que ser toda, não “a que policia onde eu vou”.
(Mas já tô polemizando de novo).
Bom assim como muitos, sou a favor de qualquer discussão, marcha e etc, desde que não tenha violência de ambas partes… Não posso comentar muito pois estou por fora das noticias(Só fiquei sabendo de um lado, e muito pouco)…