
Recentemente descobri o Never Liked It Anyway, um site destinado a venda e compra de presentes e outros objetos dados e/ou esquecidos por ex-namorados(as)/noivos(as)/esposos(as)/whatever.
Passei um bom tempo vendo os objetos e lendo suas histórias. Entre vestidos de casamento, jóias e até motos, achei interessante uma das histórias que li de um cordão que a menina ganhou de aniversário. O ex comprou em cima da hora, porque tinha esquecido do aniversário. E detalhe: comprou com o dinheiro dela. Sensacional a cara de pau do cidadão.
Tenho um ex, que já pediu de volta um presente que me deu para dar para a nova namorada porque não tinha dinheiro pra comprar um novo. Inicialmente senti pena de mim mesma por ter namorado uma criatura daquelas, mas depois senti pena da atual, já que eu, pelo menos já havia me livrado daquele encosto, mas ela acabara de entrar na furada.
Tenho mania de me apegar a pequenos objetos. Não necessariamente presentes, mas objetos que me lembrem a pessoa. Objetos que eu mesma dou um significado maior do que realmente possuem, porque designo a eles o carinho que designei àquela pessoa.
Certa vez, saí com uma antiga paixão e tomamos um inesquecível porre de vinho. Eu sabia que era a última vez que nos veríamos, e exatamente por isso, fiz questão de guardar a rolha do vinho na bolsa. Eu era completamente apaixonada por aquele cara e já que sabia que não poderia tê-lo, por falta de vontade do mesmo, eu pelo menos tinha a rolha da última vez que nos vimos.
Era um objeto ridículo, inútil, mas como eu não podia jogar o cara dentro da bolsa e guardá-lo pra mim até quando eu quisesse, pelo menos eu podia fazer isso com a rolha. Aquele objeto me lembrava não só daquele dia, mas de todos que tive com ele e que nunca mais teria novamente. Guardar a rolha não simbolizava um dia específico, simbolizava toda uma relação já afundada e dolorosa mas que eu ainda me apegava e recusava a me desfazer, como ótimo exemplar de mulher masoquista que sou.
Por motivos óbvios de manter a imagem de pessoa sã e equilibrada, ele nunca soube que eu peguei a rolha. Esperei ele ir ao banheiro e então taquei a rolha dentro da bolsa. Ele não teve essa oportunidade de comprovar o quão louca eu sou, voltou pra mesa e lá estava eu: linda, com um sorriso no rosto, bêbada e aparentemente sã; mas creio que se tivesse visto, teria fugido de mim da mesma forma como eu mesma queria fugir naquele momento.
Recentemente achei essa rolha dentro de uma gaveta. Diferente das outras vezes em que acidentalmente a encontrei e a deixei no mesmo lugar, dessa vez foi diferente. Aquela força que me impedia de jogá-la fora não existia mais. Minha vontade era enfiar aquela merda cu a dentro do infeliz, mas apenas joguei no lixo mais próximo. Triste fim para a rolha, um bonito recomeço para mim.
Foi como dizer adeus à um cocô privada a baixo quando se tem 3 anos. Você não entende o porque tem que dar tchau para algo que fazia parte de você, apenas sabe que tem que fazer, porque se não fizer, vai feder.


Nossa! Só consigo pensar na zica que deve dar comprar algum desses objetos… Credo! hahaha
Eu sou muito assim também. Se fuçar nas minhas coisas encontrarei todo tipo de tranqueira, que sei que não deveria, mas que guardo.
Sou extremamente apegado, e sei bem o porque disso. Preciso é fazer como você e jogar fora.
engraçado Marão… eu não atribuo objetos a namorados… é muito raro. Ainda tenho o Beijo gigante de pelúcia que o meu primeiro namorado me deu. Na época, ele era um presente do meu namorado. Hoje ele é só um peluche muito irado que decora a minha cama.
Quanto a guardar rolha… eu gosto de guardá-las, mas não de relacionamentos falidos. Guardo rolhas de noites de bebedeira com os amigos. Com a devida data e ocasião escritas.
Eu desapego fácil dos objetos, tão fácil que não chega a ser necessário jogá-los fora. Eles simplesmente passam a não ter mais significado e tornam-se simples objetos.
Quanto ao site: cruz credo comprar algo daí.
Quanto ao seu ex namorado: na boa…. QUE NOJO pedir presente de volta! Presente é presente. Uma vez dado está dado! E ainda queria dar o presente usado pra atual. Se eu descubro que um namorado meu fez isso eu MATO. Termino na hora. Ele que trate de economizar e me dar um presente novo e lindo.
Tem um filme parecido, chamado “Império dos Sentidos”, que a mina guarda a algo parecido do falecido amor.
“Foi como dizer adeus à um cocô privada a baixo quando se tem 3 anos. Você não entende o porque tem que dar tchau para algo que fazia parte de você, apenas sabe que tem que fazer, porque se não fizer, vai feder.”
FATALITY.
Não sei por que #ironia, mas fiquei com vontade de limpar minhas gavetas.
“Foi como dizer adeus à um cocô privada a baixo quando se tem 3 anos. Você não entende o porque tem que dar tchau para algo que fazia parte de você, apenas sabe que tem que fazer, porque se não fizer, vai feder.”
kkkkkkkkKKKK
Eu tb tenho uma rolha de lembrança XD Mas nao é de ex… É de uma amiga… (q por sinal foi ela qm bebeu o vinho pq eu n bebo =x)
Tenho até hj a rolha… XD
Isso parece estranho, mas acho que é mais comum do que imaginamos. Atribuir a um objeto uma lembrança gravada na memória, como se ter aquela coisa tornasse a sensação mais nítida.
Eu já fiz isso com um boné (mais precisamente um boné completamente esburacado e destruído). Toda vez que eu esbarrava nele mexendo no meu armário, lembrava de uma época distante quando ele estava inteiro e costumava ser usado na cabeça de um amigo. A minha relação com o dono do boné mudou completamente devido a muitas decepções de ambas as partes, e numa tentativa bizarra de preservar o ‘eu’ dele de tempos atrás, eu segui guardando por anos a fio.
Subitamente, em algum momento, percebi (como no caso da rolha) que não importava quanto tempo eu guardasse o boné, nenhum objeto que eu pudesse manter traria de volta o que nós éramos.
Por isso, o jeito é entender que existem pessoas que não vão permanecer, por mais que a gente ache que devam e que jogar certas coisas fora é importante, e mais do que isso: necessário.
eu tenho coleção de camisetas dos meus ex namorados, uso pra dormir de vez em quando hehehe!
Eu namorei uma criatura por 10 anos, depois fiquei 7 anos casada com ele. Estamos há 3 anos separados e há uns meses eu consegui esse total desapego. Queimei todas as cartas, cartões e bilhetinhos que mantinha guardados.
Realmente é uma sensação de “pra que eu guardo essa porra? Não faz sentido nenhum!”. É libertador quando chegamos a esse sentimento.
Nossa, me vi nesse texto, eu guardava canudo (ele tbm não me viu pegando) e papel de bombom e até conversa impressa de internet! Coisa de menina deslumbrada e meio doida. Foi uma libertação jogar fora tbm! heheh
AMEI o texto, como sempre sua crítica e humor inteligente perfeitamente descritos. =D