A escolha do morango
mar 18

- Morango, por favor.
Mais uma vez meus olhos se reviraram, sem que eu pudesse dizer nada. Desde que comecei a sair com A., em algum momento ele me transformou na maior adoradora de morango que poderia existir.
Não do morango fruta, mas daquele morango artificial das balas, biscoitos e picolés que sempre comprávamos. Definitivamente não era a minha preferência, na verdade estava longe de ser, mas no nosso primeiro encontro, no final de Setembro, A. se virou em minha direção e perguntou:
- Chocolate ou morango?
E eu, observando uma velha do outro lado da rua, que passeava com mais cachorros do que sua mão podia conduzir, sem dar muita atenção, respondi:
- Morango.
Sem saber que ali, marcava tudo o que eu seria para ele, que no mundo fora dos morangos de A., nem se quer fazia sentido.
Eu odiava chocolate, e essa era a única verdade, que A. nem por um minuto considerou uma hipótese aceitável, e diante do que me fora apresentado, escolhi o que me parecia, talvez, o mais aceitável.
Aquele sabor de morango não me lembrava em nada com a fruta que nas férias na casa da minha tia, a empregada sempre trazia da feira. Era um sabor enjoativo que provavelmente fora nomeado dessa forma, quando alguém bem esperto percebeu que se desse um nome nunca antes escutado, não seria comercialmente atrativo.
E agora, graças a um filho da puta que enriqueceu com uma genialidade mentirosa, A. passeava por entre as pessoas com um enorme picolé de chocolate em uma mão, e na outra a minha própria mão, exibindo para quem quisesse ver, o seu precioso troféu:
Sua mais nova namoradinha, assim como muitas outras ainda viriam a ser, mas com um diferencial que mudava tudo.
Entre uma escolha em que visivelmente, escolhi o menos provável, o que minha mão melecada segurava, era prova irrefutável, que em algum momento, em algum sorveteiro de esquina, aquelas opções me foram apresentadas, e eu, por livre e espontânea pressão, fiz minha maldição, ou como ele gostaria de chamar: minha escolha.
E ele poderia andar por aí, com a consciência leve. Sabia que se algum dia eu reclamasse, era fácil de jogar na minha cara que fora uma opção minha.
Lá estava eu, com uma detestável escolha escorrendo pelas mãos, com um sabor que não me agradava, percebendo que na verdade antes disso ter chegado ao nível do insuportável, existia uma terceira opção. A de renegar tudo o que me fora apresentado e optar pelo nada. E estava certa de que o nada me seria melhor. O que ainda me fazia pensar, era em qual mão eu segurava a minha escolha tão errada.




Com um namorado na mão e um picolé na outra…ta reclamando de barriga cheia, ou melhor, de mãos cheias. Ele ainda te pagou um picolé e te deixou escolher!
Daqui a uns tempos, tu vai ta segurando o controle remoto em uma mão e chupando o deod da outra, aí vai vir aqui comentar sobre isso.
Morango é muuuuuuuuito afrodisíaco!
Ah, não guentei. http://voandoecotidiando.blogspot.com/2007/04/beijocomcheirodefrango.html
Pode dizer que é merchan, mas é um merchan com argumento – o último parágrafo da minha crônica conversa com algum da sua (tá, intertextualização para os chatos ;D)
Btw, adorei. Mas eu gosto mesmo é de morango com gosto de morango natural. Quase morri quando provei um picolé que não tinha gosto de picolé de morango normal, mas um picolé feito da fruta morango *-*