A minha casa atingiu um nÃvel de excelência que eu pensei que nunca fosse conseguir. Chegamos ao nÃvel 0 de entretenimento da casa moderna, ou nÃvel “caixa de papelão sem nada dentro”. A pindaÃba generalizada, velha amiga dos meus familiares, largou dessa história de passar aqui em casa só de vez em quando. Resolveu tirar férias aqui! Aproveitou que o meu irmão agora praticamente vive na casa da namorada (nesses momentos, eu gostaria de ter uma namorada… Nos outros também), para se apossar da cama dele. Realmente é notório que a pindaÃba dorme comigo, porque parece que ninguém da famÃlia percebe que estamos caminhando sorridentes para o buraco. Só eu.
Eu estou sem internet, net e telefone. Meu celular não pega em casa. É um complô dos cosmos para que eu me isole em casa – ou fuja dela. Internet, net e telefone são importantes porque eles são a sua conexão com o mundo lá fora quando você deixa o mundo lá fora para ir pra casa. Afinal de contas, quando se mora em um lugar mÃnimo, quase sem luz do sol, com uma cachorra gigante serelepe e uma cachorra pequena morrendo, a única saÃda para não enlouquecer é abrindo conexão com o mundo lá fora. O problema é que essa conexão só se estabelece, se uma coisa chamada “conta” for paga. A pindaÃba trouxe sua tesoura gigante e cortou a porra toda. Também pudera, não gostaria de usufruir nada de graça (hAHAHAahahaHAha).
E essa situação calamitosa coincidiu com as minhas férias da faculdade! Em resumo, não tenho o que fazer antes e depois do estágio - e ele só tem 4 horas. Se fosse na época do estágio no inferno (Bandeirantes), a história seria diferente: depois de 9, 10 horas sendo açoitado por lá, até a pindaÃba na cama do meu irmão fica divertida para conversar. Mas não, volto para casa cedo e não tenho o que fazer. Coisas nobres como ler, escrever e tocar (qualquer coisa, já consegui me entreter com uma gaita de dois centÃmetros que o meu padrasto ganhou numa loja de música) são legais e eu faço, mas nunca gasto muito tempo fazendo alguma coisa – inclusive fazendo sexo, infelizmente.
Como não tenho internet, fico escrevendo um monte de textos mongóis, o que é extremamente difÃcil, porque sem Google é quase impossÃvel fazer QUALQUER coisa. Como não tenho telefone, fico mandando msg de celular para as pessoas, com a esperança de que alguém me responda (que deprimente), como não tenho net, assisto à Tv aberta.
A Tv aberta, ao contrário do que dizem por aÃ, não é só feita de Globo, Sbt, Band, Record e Tv Brasil. Tem vários outros canais. Tudo bem que quase todos são inúteis, mas não podemos desconsiderá-los. Mas querem o quê, também? Já viram os canais que existem? Tv Senado e Tv Alerj (desculpem a alienação, mas quem vai assistir a Tv Senado tendo a Sony?), a Tv Universitária que, embora com motivo nobre, é o saco ao quadrado. A Tv Cultura, que é amiga da Tv Brasil, por isso passa os mesmos programas e ao mesmo tempo que ela. Tem a Rede Vida (cruz credo) e uma porrada de Tv mercado: Tv gado, Tv anel, Tv tapete… Ai que saudade do Shoptime. E tem os melhores canais – Mtv e Futura, que são os únicos que têm gente pensando lá dentro.
Alguns momentos na frente da tv são tão constrangedores, que chega a ser legal de escrever pro blog: noutro dia, vi a Turminha da Graça, na CNT. É tipo uma Xuxa evangélica, com vários bonecões enormes, que são crianças (se não me engano, eles têm os nomes dos apóstolos. Tem uma menina, mas acho que ela não se chama Maria Madalena). Tem mais um bonecão que é um cachorro, e tem outro que representa o R.R. Soares, o missionário que criou a gangue. Para quem não sabe, o R.R. Soares é uma espécie de Silvio Santos da igreja evangélica. Ele compra espaços na programação da Band e da CNT para vincular o “Show da Fé”. E é uma doideira, porque à s vezes passa o Show da Fé nos dois canais ao mesmo tempo. Haja fiel.
Nesse programa (o Turminha da Graça, não o Show da Fé), a Xuxa em questão é uma barangona que só pode ser parente de alguém lá dentro. Talvez eles valorizem a beleza interior – bela jogada de marketing. Mas ela não fica tão feia, porque os bonecos são piores ainda. Aà eles cantam músicas alegres sobre o capeta……… Isto é, falando mal dele, claro. Cantam também sobre louvor e tal. O ritmo é até gostoso, mas nada que me faça cantar junto.
Mais tarde comecei a ver Big Brother – o programa menos cool do mundo. Mas, quando se está submerso em um balde fumegante de fezes, algumas coisas estranhas ficam divertidas, fazer o quê? Era dia de paredão entre a Josi e a Naiá, o ser humano mais chato que Deus botou na Terra e que com certeza não vai levar para o céu Consigo. Se você não está acompanhando esta edição, deixa eu te explicar rapidamente: ela é a coroa que deveria fazer par com o Nonô, mas ele era tão insuportável, que ela preferiu fazer par com a Ana, outra chata dos infernos.
De qualquer forma, reparei, enquanto assistia, que ria das paradas que aconteciam. E quase me emocionei com a crônica pentelhuda do Pedro Bial. Quando a Nana saiu, eu fui ao quarto da minha mãe e soltei uma gargalhada – a minha famÃlia (maniqueÃsta até os ossos) acha que ela era do bem e que o grupo que sobrou vai sofrer na mão dos crápulas malvados.
Mal sabe ela é que quem anda sofrendo é a gente.
Pedro
Leia também:
- Comunidade
- Membrana Photoshópica
- Telemarketing criativo
- Por que eles estragam as roupas?
- A magia das Tvs de ônibus
















ok, custo a imaginar que qualquer pessoa com mais de dois neurônios veja BBB. Mesmo meu namorado assistindo… eu não sinto muito orgulho em dizer isso num blog, especialmente o que eu escrevo.
Veja pelo lado bom, pelo menos a Xuxa do Turminha da Graça não é pedófila… ou não.