22 Cds
set 14
“(…)o padre Lima fugiu com a filha do barbeiro, que deve ter virado mula-sem-cabeça, a filha, não o padre, nem o barbeiro. ”
(Caio Fernando Abreu)
Sempre gostei de nomear as pessoas com músicas. Assim não tinha dificuldade em situar cada uma delas no tempo em que aconteceram.
Com pessoas você se engana muito. Elas sempre fazem o tempo real parecer muito mais distante ou mais recente do que realmente são.
Como quando se conhece aquela pessoa. Diferente de todas as outras do mundo, alguém que você com toda certeza pode chamar de “uma pessoa única”, e tudo aquilo de only-one, only-only-one, only-only-only-one faz todo o sentido.
E num dia besta, bate aquela vontadezinha de estar com esse alguém que você não sabe mais se fazem 5 minutos ou 5 anos que se conhecem.
As lembranças se misturam com sonhos nas madrugadas de deprimentes-segundas e a realidade se mistura com a fantasia.
O tempo passou, parou, não existiu, e você se perdeu.
Ah, mas com música não. O que é hit nesse verão, será desse verão para sempre e nada nem ninguém poderá trocar de estação ou eventualmente repetir quando bem desejar por puro luxo.
Músicas não mentem, não se enganam, não dão a sensação de Zézinho ou Juquinha, que não pertença a Zézinho ou Juquinha.
É o que embala pensamentos e sentimentos de um dia, um momento, uma fase, ou uma vida inteira, então, como uma esponja, sugam cada gota fria de sensação, e futuramente nas vezes em que são ouvidas 9, 10 vezes incessantemente, são lembradas e relembradas com todo o gosto doce ou amargo que carregam.
Quando resolvo mexer na pilha de CDs em cima da cômoda que minha mãe e eu pintamos no último Natal, conto cd por cd até chegar no tal. Seguro na altura do rosto, olho por alguns segundos, penso em Zezinho (ou quem sabe, Juquinha) e cantarolo na melodia da música:
“Já fazem 22 cds que você foi embora. Não 21, não 23. Mas 22. E em 22 cds, tantas músicas acontecem, rapaz!”





O tempo que se sente, nunca é igual ao tempo que passou. Já a melodia que toca, traz sempre a nostalgia do momento que marcou.
Lindo texto!
Até mais
Que demais, gosto do jeito como você encherga as coisas.
Esse texto me faz lembrar uma musica, rsrs.
Uma musica do Titãs, “nem 5 minutos guardados”, num sei se é esse o nome da musica, mas ela ta tocando na minha cabeça agora.
Um beijo!
Tenho essa sensação com perfumes. Fazem-me mal como se tivesse acabado de acontecer. É assustador.
Me fez lembrar de uma música do Raul:
“Eu perdi o meu medo
O meu medo
O meu medo da chuva
Pois a chuva voltando pra terra
Trás coisas do ar
Aprendi o segredo
O segredo, o segredo da vida
Vendo as pedras que choram
Sozinhas no mesmo lugar…”
Lá-laiá
Como seu fotolog é concorridissimo e nao consigo comentar mais de 2x por ano, vou falar sobre ele aqui no Blog mesmo :
(…) ”Presente já é uma coisa boa, mas presente pelo correio, é quase como aquela sensação de criança quando olha um embrulho enorme: Tem algo de muito bom lá dentro(…)”
EU AMO COISA PELOS CORREIOS. São SEMPREEE os melhores presentes, sempre as melhores surpresas.
Voce vê a caixa/envelope e ja ri e se emociona!
(…)”P.s.: Também ganhei uma cartinha, e só por ela em si, com toda a certeza já diria: Tenho em volta de mim as melhores pessoas do mundo, e se em alguns momentos sou infeliz, é porque eu sou uma pessoa de merda e não as mereço.”(…)
Eu faço parte??? =(
Eu te amo,mesmo oce esquecendo de mim as vezes, tá?!
:*
sempre gostei muito dos seus textos, e eles continuam muito bons. é, músicas conseguem sempre se encaixar e lembrar perfeitamente alguém, pena que nem sempre seja bom escutar certas músicas ;*