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Archive for janeiro, 2010

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jan 21

O segundo dia mais gay da minha vida

Eu juro pelas paredes do meu intestino que eu não queria elaborar um texto sobre esse episódio. Eu sempre tive a mania de escrever alguma coisa engraçadinha depois que me acontece uma coisa chata / degradante. Foi assim com a menina que esfregou na minha cara, mas eu não percebi porque tenho problema mental (“Papando uma mosca varejeira”); e com a menina que me deu um toco saindo correndo pela rua (“A curiosa vez em que Deus se vingou de mim”).

Em um dia em que deveria ter ficado jogando Uno com a minha avó, fui pra uma festa com pessoas moralmente incríveis e questionáveis. Era semi à fantasia, pois nenhum convidado destoava por estar com ou sem roupinhas ou apetrechos normais ou fantasiosos. As músicas eram razoáveis – ora desciam ao inferno (funk!), subiam prum hip hop inofensivo, chegavam ao topo com uns roquinhos e desciam tudo de novo depois.

No meio dos festejos, olho para uma menina que estava fantasiada de Pocahontas. Pensei “isso lá em casa ia ter muito trabalho…”, mentira, pensei “clarearia o filho dela, mas pelo menos lhe daria olhos azuis”, mentira de novo, apenas pensei “porra, bonitinha essa Pocahontas, hein? Puta que pariu, se tivesse músculos, chegaria agora!”. Ela passou e eu continuei a dar atenção à única fêmea que jamais me abandonou: a cerveja.

Fui dançar, pois danço muito, quando vi uma outra garota, só que vestida de mulher gato, com uma roupa coladinha. Imediatamente me veio à mente: “pega esse chicote e bate no meu lombo, gostosa”. Na verdade foi assim: “Obrigado Deus, por existirem as calças de ginástica. E obrigado mais ainda pelas mulheres que as usam sem sentir vergonha nem complexo de observação por nossa parte”.

Procurei saber dados da Mulher gato e descobri que na faculdade ela tem apelido de heroína da Disney (lembrando que a Pocahontas, a outra, nessa hora está em outra dimensão que não saberia detalhar agora). Soube também que a Mulher gato havia terminado um namoro há pouco tempo. Isso me debilitou a alma, afinal, sou expert em ficar com meninas que voltam para os ex (“Esse texto não tem graça”). Só que o pior não era isso, a constatação que meu amigo fez foi mais desanimadora ainda e ajudou a tacar algumas pás de cal nas minhas segundas intenções:

- Ela é ex-namorada daquele negão ali, oh. Ele faz vale-tudo. Mas ele é legal!

Legal? Quero ver ele sendo legal me vendo ficar com a ex dele. O cara faz vale tudo, meu Deus, imagina ele puto da vida?

- Ei rapaz, fiquei chateado com a sua atitude! Mas que índole ruim, é um puta vacilo, meu!

É, seria exatamente assim…

Enfim, além disso, imaginei que eu, na minha posição pélvica ordinária, só poderia ser a ÚLTIMA pessoa a se envolver com uma menina que acabou de terminar com um negão de vale tudo. Porra, sai o negão e entra o Pedrinho? Ela teria um vazio existencial sem precedentes. Eu não gostaria de estar por perto.

A festa foi se encaminhando até que eu esbarrei com a Pocahontas do início do texto. Retirei um assunto ridículo do fundo de mim e fui falar com ela:

- E aí? Quer uma cerveja, um cigarro, um aperto de mão, um abraço…?

- Não, eu não fumo nem gosto de cerveja.

- (vaca filha da puta, vai ser mal comida assim na puta que te pariu) beleza (vira pro lado e finge que ela não existe, Pedro!).

- Fumar mata, sabia?

- É, eu sei (ih, vai puxar papo agora, é? S2… Não! S2 é o cacete!)

Conversamos bastante mas não deu em nada. Pegamos nossos contatos virtuais e começamos um chove não molha de 40 dias e 40 noites. Um dilúvio para a minha angústia e uma oportunidade única para jogar a minha mais fina retórica fora. Tenho plena noção de que eu pari e pari o máximo de originalidade que poderia sair de mim. A gente se deu muito bem, até que ela me chamou para irmos a uma festa no 13º pior lugar do Rio de Janeiro (as duas Mariuzzins estão antes, o necrotério também, claro): Cine Lapa.

Fui para lá já sabendo que seria um desafio no mínimo interessante: era uma festa gay. A fila era gigante e eu mastigava na cabeça os prós e contras daquela noite, mesmo sem tê-la vivido ainda:

- Vai ser vergonhoso se ela não quiser, meu Deus…

Lá dentro, como era de se esperar, não houve sequer uma discussão, uma briga, pois os gays são uma fração evoluída do nosso mundo. Se eles vão para a festa, eles vão festejar, nada mais coerente. Eles vão lá para também, quem sabe, arranjar um amor. Um deles, inclusive, queria que o amor fosse eu:

- Pedro, meu amigo está interessado em você…

- (Porrete, que merda de hétero sou eu para entrar numa festa gay e dar esperança para os outros? Bem, pelo menos alguém se interessou, até que eu não sou de todo mal… Deixa eu ver se o cara é bonito… Que isso, Pedro? Tá maluco?) Bem, pede desculpa para ele, cara. Diz que eu sou hétero.

A musicalidade continuou alta, todAs nós dançando Lady Gaga, Beyonce, Madonna e mais uma caralhada de divas. Eu já bebendo cerveja meio nervoso reparando que o meu approach não estava evoluindo como esperava. Fui ao banheiro meio apreensivo, com medo de que alguém quisesse meu amor por lá também, mas nada aconteceu.

Na volta, ganhei alguns sorrisos carinhosos e parti para o ataque. Aquilo ali seria tipo desfile de escola de samba: você se prepara por semanas e semanas para o dia decisivo. Aí você perde e fica com ódio. E foi exatamente o que aconteceu, perdi e fiquei com ódio. É claro que não um ódio dela e da festa. Era ódio só dela mesmo.

Arranjei uma desculpa para ir embora que não convenceria nem a Madre Teresa de Calcutá, mas também estava pouco me fudendo. Saí, comprei um cigarro varejo, pois seria minha forma de extravasar silenciosamente, uma vez que nem havia fumado na noite (se você fuma, vai perceber que minhas intenções foram nobilíssimas), e fui pra casa com um micro sorriso brotando na cara.

- Sai, sorriso, não vou escrever sobre essa porcaria de dia.

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Bom, resolvi escrever um texto gigantesco para ter bastante coisa pra ler na minha despedida do blog. Eu, assim como Justin Timberlake, vou seguir carreira solo. O nome do meu blog vai ser www.corrapedro.com, que vai ser a melhor forma de chupar o sangue da Marina e homenageá-la ao mesmo tempo. Mentira, ainda não tem nome, mas vocês saberão (vou pagar 10 reais para quem retuitar meu link, vocês vão ver).

Fiquem sabendo que a minha separação com a Marina aconteceu da forma mais terrível possível. Ela me odeia e vai pedir pensão para o resto da vida (estou fudido). Aliás, acho bom que você leia logo tudo porque a qualquer momento ela vai deletar esse post (enquanto ela não modificar a senha, eu reposto o texto, não se preocupe). É sacanagem, foi tudo tão pacífico que até pareceu que ela não queria mesmo que eu fizesse mais parte do blog (ahahah, brincadeirinha, Mary).

Obrigado pelos 1338 comentários que o blog recebeu até hoje. Eu devo ter recebido uns 500 desses. Dos 500, acho que só uns 2 ou 3 foram escrotos (é a dor de se lembrado do pior jeito), uns 30 inúteis, de pessoas que não sei se existem, e o resto foi sensacional. Valeu mesmo! E obrigado para a Marina, por ter me chamado para participar desse adorável espaço.

Beijos e até mais ver!

jan 18

Torneio de poker para blogueiros

Quero ver quem vai torcer por mim no torneio de poker exclusivo para blogueiros.


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Quem mais tiver blog, trate de se registrar. Vamos jogar, já que isso tem ocupado 70% do meu tempo ultimamente mesmo…

Sim, não posto mais por culpa do Poker. Mas eu o amo. :)

jan 15

A magia das Tvs de ônibus

Hoje eu peguei o 572 e me assustei com a modernidade presa ao lado do cobrador. Era uma tela imensa, mais alta do que larga, com uma definição incrível, design arrojado, e cores, muitas cores pulando fora dela para a gente ver. Era simplesmente mais uma Tv de ônibus: em dado momento alguém teve uma ideia “jeniau” e reparou que TUDO o que faltava na vida de um passageiro de ônibus é justamente uma fonte riquíssima de entretenimento, já que conforto e segurança havia de sobra…

Parece novo, mas já podemos presenciar uma batalha entre Tvs de ônibus: tem a Bus Tv, que me parece ser a pioneira do ramo, uma espécie de TV Tupi sobre 8 rodas (quantas rodas tem um ônibus?); a “Bus”, que, se não tiver esse nome, foda-se, quem mandou não mostrar a marca direito?; e uma terceira, que é a mais incrível, pois tem como slogan algo como “a única Tv sem som para o seu conforto!”.

Não sei se seu pai é um magnata das telecomunicações e dos transportes, e resolveu juntas as coisas, assim como se junta feijão com sorvete. Mas, se for, manda ele para puta que o pariu. Mentira, peça desculpas para ele, e explique que essa iniciativa ainda não deu certo: as três TVs são tão escrotas, que eu rezo para o ônibus passar pela frequência da CNT, só para o nível melhorar. E convenhamos que a CNT só é melhor do que a TV Anel e a TV Jesus.

Por quê?

Bus TV – Ela predomina nos ônibus da Real: aqueles amarelinhos, cujo principal representante é o demoníaco 179 (“um–sete-nove” e não ”cento e setenta e nove”. Já reparou que alguns a gente diz número por número e outros a gente fala por extenso? O nove-nove-meia e o quinhentos e onze não me deixam mentir).

É uma Tv para quem tem tempo de sobra, daqueles que vão de um ponto final ao outro. Rolam umas charadas que demoram uns 5 minutos para dar a resposta (haja suspense); o horóscopo é fragmentado na programação, então se você lê Áries na Central, só vai conseguir ler Libra em São Conrado, uma tortura. Além disso, nela você pode ver os mais variados clipes… Eu disse “ver”, porque não dá para ouvir. Supostamente ela tem som, mas o motor do ônibus tem absurdamente mais.

Bus (ou outro nome secreto) – É a que está instalada na São Silvestre (a que eu vi hoje no 572). Essa reparou bem na lerdeza da Bus TV e resolveu fazer ao contrário – é uma Tv hiperativa. É tanta a rapidez que você não vai conseguir ler o que está escrito, a menos que você seja aluno (a) do professor Xavier.

São vários blocos como o Bus Gastronomia & culinária, que sempre dá toques sobre alimentação. Num deles dizia que o excesso de alho na comida pode causar… Bem, não sei, porque não consegui ler até o final. Assumo que fiquei curioso. Alho demais deve deixar a pessoa fedorenta e com algum problema no sangue. Talvez seja uma Tv com convênio com o Google, porque é fato que eu vou procurar o que acontece quando uma pessoa tem overdose de alho.

E o mais engraçado é que tem um chamariz “a Bus informa você”, mas deveria ser diferente: “A Bus informa você (parcialmente)” ou “A Bus informa você?” ou “A Bus informa você (só se você tiver uma puta duma leitura dinâmica)” ou “A Bus informa e o Papai Noel presenteia você”. É complicado, o negócio já começa nadando na mentira.

TV Sem som (ou “TV assumo que não sei o nome”) - Essa está ligada à Saens Peña, pois sempre tenho o prazer inenarrável de vê-la no 410. Como já disse, essa se tocou de que não dá para ouvir porra nenhuma no ônibus, então executa uma série para ser entendida mesmo sem som. Aliás, eu imagino que seja uma programação para você viajar dentro da sua viagem, uma vez que a programação é uma compilação de vídeos viajandões. Nela você encontra pessoas correndo, cachoeiras, imagens da cidade, pássaros voando, na mesma linha das imagens de arquivo do “Fala que eu te escuto”. Eu vejo e consigo imaginar uma voz no meu ouvido “Você acredita em milagres? Deus está perto de você…”.

Enfim, de qualquer forma, é impossível relaxar com essas imagens, porque o retardado esqueceu a seta do Windows bem no meio da tela. Sim, tem uma seta inerte no meio da “programação”. Por mais que você tente relaxar, sempre vai ficar uma parte sua lutando para que a seta suma da sua frente, não dá. Se você fumar uns três cigarros do capiroto, talvez consiga alguma coisa.

jan 09

A Mariuzzin e a Casa da Matriz

E aí, pessoal? Vamos falar mal delas?

Certa vez no passado escrevi que lutei contra todos os prognósticos e fui para a Mariuzzin  de Copacabana: um lugar essencialmente brega e perigoso por vários aspectos:

- Você pode apanhar simplesmente por estar acompanhado de uma menina. É que ela despertou ares reprodutivos tão fortes em um Zé buceta bombado que ele vem disposto a te bater. Ele vai te bater, tomar um toco da sua acompanhante e, possivelmente, bater nela depois. Aí sim ele é convidado a se retirar educadamente pela sentinela da galeria.

- Os drinks matam da mesma forma que as pedrinhas brilhantes de Césio 137 fizeram em Goiânia na década de 80. O primeiro drink tem gostinho de frutas, é levinho. O segundo, teoricamente igual, tem urina de alcoólatra e chumbo em pó. Você tropeça sozinho no banheiro, meu amigo! Sua alma dá um looping dentro de si!

- As músicas são os drinks em formato de som. A combinação dos dois causa trombose no cérebro. Se alguém disser que é viciado na Mariuzzin, procure urgentemente um psiquiatra como se fosse procurar um Narcóticos Anônimos pro teu amigo viciado em cocaína.

Saí de lá pensando com carinho nas nights roquenrol do meu Brasil varonil. Mentira, eu estava bêbado demais para isso (afinal, eu tinha 2 lagoas azuis, ou 7% do álcool da Terra no meu estômago). Mas vou te contar que esses lugarzinhos hipe master cools são muito esquisitinhos também.

No terceiro dia do vigente ano (se você está lendo o texto em 2017, o vigente ano é 2010. Bom saber que você está lendo, os maias não mataram a gente) resolvi exalar meus hormônios dançarinos na Casa da Matriz. Lugar bacana, com uma quantidade infindável de meninas que, de tão limpas e bonitas, parecem lavadas a Pinho Sol sabor Cherry Dolls, e rapazes que nem de longe parecem os bombados suados e com limitações intelectuais da concorrente leske. Até aí, uma graça. Uma higiene digna do palácio de Buckingham.

Só que lá também tem muita coisa esquisita. A Mariuzzin tenta te matar, mas não é por querer, sabe? Ela te serve um drink com tesão de vaca justamente para que você espalhe seu amor na pista, se divirta, tenha filhos, seja feliz. A Casa da Matriz me parece mais desonesta. Os donos, parlapatões malandróticos, fixam o horário de corte para desconto: meia-noite. Levando em consideração de que uma lata de cerveja lá dentro é mais cara do que uma garrafa aqui fora, é óbvio que as pessoas não vão chegar antes das 22 horas.

Até aí tudo bem, o que me irrita é que você chega à fila, e ela engorda como um chouriço gigante até que as sentinelas mandam:

- Um atrás do outro.

Pensei que fosse uma piada para descontrair o ambiente, porque se a fila chouriço chegava ao final do quateirão, a fila “um atrás do outro” iria até o final do bairro. Era muita gente estilosa junta, elas precisam se olhar.

Outra coisa irritante é quando você está extenuado no chouriço, pensando se realmente vale à pena gastar toda a sua energia vital para pagar cerveja cara, e aparece um furador de fila. Se ele furar atrás de mim, eu já fico puto, se for na frente, não consigo me segurar.

- Ééééé… Depois reclamam dos políticos… Falam que são corruptos. Mas pagar propina pra policial, ultrapassar o sinal vermelho, furar fila… Essas coisas são corrupção também. O congresso é uma mostra da nossa sociedade, a gente é tão desonesto quanto.

O puto continua impassível. O que me resta é torcer para que ele tenha diarreia lá dentro. Porque ao sair de casa, todos são muito cheirosos e maquiados, mas o banheiro é digno do boteco do seu Prachedes, ali perto do Sambódromo, onde há um mictório só para os ratos. A Vigilância Sanitária agradeceria!

A fila não anda, passa da meia noite e todo mundo paga mais caro. Nota 10. Isso porque a sentinela-mor prende a fila para mostrar para quem passar que a night lá dentro está bombando. Ou seja, acompanhe o raciocínio:

- Você vai pagar para entrar, pagar para consumir, fica uma hora na fila suando e estragando a maquiagem poker face, passa do horário e acaba tendo que pagar mais ainda. Ou seja, pagamos MAIS CARO justamente porque estamos servindo de propaganda pros transeuntes. Não era pra ganhar um desconto bacana pelo trabalho feito?

Além disso, odeio gente que nasceu com sangue azul ou que é peixe de alguém lá dentro, que entra a hora que quer porque é amiga do DJ, vai se fuder! Isso é muito escroto.

Tudo que é demais faz mal. Políticos de extrema esquerda ou direita são igualmente ditadores; comidas doces ou salgadas demais fazem mal à saúde; pessoas inteiramente castas ou ninfomaníacas têm parafuso a menos; A night lesk e a night cool me mostraram que ambas conseguem ser absolutamente insuportáveis quando querem. É uma pena!

jan 04

Assassinos de nome fofo

A história mundial é caprichosa, salpica a cronologia com bastante sangue e dengo, uma controvérsia bélico-fonética difícil de descrever.

Houve, nos idos dos anos 70, um ditador cambojano que possuía uma convicção sanguinolenta e uma maldade minuciosa que chegava a dar medo. Ele, comuna bizarro, tinha um grupo guerrilheiro chamado “Khmer Vermelho” (Semioticamente, esse vermelho é de comunismo, não de hemácia) que, numa paranoia convulsiva, resolveu tolher qualquer resquício de intelectualidade em seu país. Destruiu as universidades, transformando-as em chiqueiros (literalmente), matou praticamente todo mundo que gritou “ai” contra ele. Quem pensou “ai” morreu também, diga-se de passagem.

O governo dele, sem um puto no bolso, fazia fila com os pobres-diabos na hora da execução. Uma bala para atravessar o máximo de gente possível, uma grande economia. Quando não havia fuzis, o negócio era saco plástico: era menos rápido do que um projétil, mas para matar sem pressa era um adianto. Quando não havia saco plástico, eles usavam a criatividade – estraçalhar crânios jovens em troncos de árvore, por exemplo.

Estima-se que entre 25% e 40% da população cambojana tenha morrido nos quatro anos em que ele ficou no poder. Dos mais de dois milhões de mortos, grande parte foi assassinada. A outra morreu em decorrência de trabalhos forçados e doenças. Ou seja, se esse massacre se desse de forma igualitária em todo o território, é bem possível que cada cambojano que não morreu arcasse com a tristeza de chorar por quem não tivesse a mesma sorte.

Talvez você saiba que eu estou falando de Pol Pot. Sim, um dos caras com o maior débito com Deus que a história já viu, tem nome de Fox Paulistinha, de Poodle. Tudo bem que seu inimigo número 1, o general Lon Nol, também tinha um nome gostoso de se falar. Mas acho que Lon Nol (um palíndromo, se você reparar) não matou ninguém. Na verdade, Pol Pot se chamava Saloth Sar, outro nome neném, mas resolveu mudar para um nome super comum na época, sei lá, acho que para rolar mais empatia com o povo. Acho que se eu fosse um cambojano, nem se ele tivesse o nome da minha mãe, eu ia gostar dele.

Como uma pessoa com esse nome pôde matar tanta gente? O curioso é que muitos outros ditadores, cujo principal ofício era finalizar vidas, tinham nomes mimosos como o de Pol Pot.

Idi Amin (Uganda) – Torturou e matou quase 300 mil.

Mao Tsé-Tung (China) – Suas perseguições e torturas levaram mais de um milhão de chineses para o céu (O que me traz a dura constatação de que o Céu também está entulhado de chinês… Merda!).

Pinochet (Chile) – Responsável pela morte de 3 mil opositores e pela tortura de 30 mil pessoas que deram bom dia depois das 12 horas.

Stalin (União Soviética) – Há quem diga que ele matou 12 milhões de pessoas.

Fanatismo, paranoia, maldade, sangue frio, loucura… O que passa na cabeça de gente assim? Só sei que graças a essas barbáries, perdemos nomes lindos, afinal, quem se arriscaria a dar nome de assassino pro filho ou pro cachorro?

Não pensem em Hitler. O nome dele não era nem um pouco fofo.

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