Fim de semana Drunk Love – Parte I
Algumas viagens trazem nostalgia. Basta passar alguns dias com os amigos e sem as obrigações que, quando se volta para o lar insosso e para a vida já previamente dividida em blocos modorrentos da rotina, tudo fica uma tristeza só. Passei quatro dias de uma semana curiosa em agosto que me trouxeram essa mesma sensação na segunda-feira, o dia oficial de ódio à vida.
Na quinta, estive em um bar inteiramente despretensioso, em Copa, com dois excelentes amigos. Estava me resguardando para o dia seguinte, pois haveria uma festa de arromba que eles estavam produzindo. Conversa vem, conversa vai quando um deles me faz a proposta mais indecente que eu tinha ouvido em 23 anos:
- Pedro, vamos fazer amor?
Mentira.
- Pedro, vamos pra Mariuzzin?
Obviamente, a minha resposta foi um “lógico que não!â€. Mariuzzin para mim sempre foi – embasado em um preconceito sem tamanho – o inferno instalado em duas sucursais: Centro e Copacabana. Nada ali me agrada, desde o nome “Mariuzzin Disco Clubâ€, que mais parece um revival dos tempos da brilhantina, só que com o capeta no lugar do John Travolta; até as filas intermináveis de pessoas que poderiam fazer algo melhor de seus fins de semana.
No entanto, me bateu uma neura sociológica de que eu tinha que aproveitar todos os meus momentos e carimbar guinadas na minha vida para que eu tivesse histórias para contar. Além do fato do meu amigo – o outro havia ido embora – ter se comprometido a pagar a maior parte da conta, é claro.
Fomos com o compromisso de usarmos as roupas mais fuleiras possÃveis: eu estava com mesma roupa com a qual acordei praticamente, uma blusa de uma série do Steven Spielberg; ele estava com uma blusa larga com uma foto do Cartola. Além disso, beberÃamos aquele drink mortal e dançarÃamos como se não houvesse amanhã. Se as gatinhas aparecessem, ótimo, se não, ótimo também.
As gatinhas não apareceram, as músicas foram tensas (dancei “sou praieeero, sou guerreiroooâ€. O Thiago, meu amigo, não dançou porque ele já estava dilacerado pelas circunstâncias alcoólicas) e as bebidas derrubaram a gente. Aliás, uma lenda daquele limbo louco é a bebida… Jesus Cristo, aquilo é um sacrilégio misturado com urânio. Por apenas 10 reais, você paga uma passagem para o mundo da meia-alucinação. No caminho, tem o pedágio – outro drink – e aà sim você começa a voar ao som de Asa de Ãguia.
O Thiago, talvez por se odiar e querer se matar, tomou três. Foi defender uma amiga de um varão chegador e acabou tomando um soco na cara. Fato de que ele só se lembraria ao acordar no dia seguinte vendo o roxo na têmpora. Pelo menos não foi no nariz. Voltamos trôpegos para casa cantando as loucuras da vida e nem um pouco preparados para a tremenda ressaca que viria no dia seguinte.