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Archive for novembro, 2009

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nov 29

Ideia idiota

É… As ideias… Existem as boas, as más, as do mundo do Platão e as idiotas. Uma ideia idiota é aquela que, assim que é concebida, te apresenta um rápido gráfico de aplicabilidade com o seguinte resultado:

- Chances de dar certo: 0,2%

- Chances de nada mudar na sua vida: 1,8%

- Chances de você se fuder gostoso: 137%. Não faça isso, senta e fica quieto!

Você sabe que não deve fazer o que está pensando, primeiro porque a sua cabeça é uma caixa de Pandora, só tem merda dentro, segundo porque não dá para lutar contra o óbvio. No entanto um arroubo de coragem te besunta nessa hora infeliz e te transforma num cowboy da Marlboro, daqueles que não acham nada impossível. Mas confiar no cowboy dentro de você é a mesma coisa que pular carniça bêbado: muito arriscado.

E foi exatamente essa a minha última ideia idiota digna de registro.

Estava bebendo o elixir dourado da vida na casa nova de um amigo. A nova morada dele tem uma varanda enorme, especialmente projetada para as traquinagens adolescentes. Tem uma luneta e um parapeito bem pequeno, daqueles em que você pode sentar sem esforço (uma ideia idiota clássica – você pode morrer). Estávamos numa roda, excitados pela oportunidade de estar com grandes amigos em plena segunda-feira à noite, quando eu propus ao dono da residência:

- Vamos pular carniça?

E o meu raciocínio foi tão meticuloso nessa hora que eu propus a brincadeira ao anfitrião, pois só ele saberia avaliar se pular carniça causaria transtorno aos vizinhos. Eu parei para pensar na coisa mais difícil possível e me esqueci de lembrar que eu não tenho mais 13 anos. Nessa idade pueril, eu era quase um Tigre e o Dragão da carniça, era praticamente um acrobata. Hoje eu tenho lá minhas habilidades corporais, mas, sem querer dizer que a idade é um papagaio de chumbo no meu ombro, não tenho mais a flexibilidade de antes. Espero ter um dia quando entrar no pilates, claro, mas isso só vai acontecer quando eu tiver dinheiro para pilates. Hoje não tenho dinheiro nem para o meu querido balé, que dirá para essa ginástica estranha de artista.

Levantei , e meu amigo ficou na minha frente, só que de bundinha pra mim. A segunda ideia estúpida foi pedir para ele ficar um pouco mais alto. É que eu estava me sentindo subestimado, eu não me considerava um café com leite nesse esporte. Pulei e sobrevivi. Ele pulou depois e sobreviveu. Resolvi pôr em prática minha terceira ideia idiota na mesma noite (um hat trick do capeta ensaboado) que era pular mais uma vez. Pulei e sobrevivi, mas não sem antes prender minha dobra da perna esquerda no pescoço dele e cair com todo o lado direito no chão. Foi uma queda feia, afinal, todos fizeram cara de susto antes de rir da minha cara. Eu caí de lado, batendo com o osso que fica na altura dos glúteos (da busanfa, ném) e só não o fissurei ou coisa e tal porque eu me apoiei com a mão. Resultado: dor por uma semana no pulso e na porra desse osso que eu não sei o nome.

E eu não tenho que ficar puto da vida. Tenho só que agradecer a Deus por não ter me quebrado. É inteiramente diferente de um acidente normal, pois você agradece a Ele por estar vivo, mas não sabe com qual divindade reclamar por estar com traumatismo craniano.

Mas é isso mesmo que tem que acontecer a quem põe merda em prática – algo vergonhoso, dolorido e degradante. Essa é a essência das vídeo-cassetadas, afinal, quem nunca viu aquela criança (nessa época da vida, nosso cowboy interior monta um unicórnio onipotente) que tenta pular obstáculos depois de subir uma rampinha de madeira feita pelos amiguinhos da vizinhança? Meu irmão, quando jovem, lutou capoeira sob uma luz estroboscópica (daquelas que piscam e te dão a impressão de lentidão): tomou um chute na cara no meio da festa. Mereceu, não mereceu? Que ideia é essa de bancar o Besouro Mangangá na festa da prima?

-

Se você me deixar um relato sobre alguma ideia idiota sua ou do seu amigo (ou seja, sua, pensa que me engana?), ficarei imensamente feliz.

nov 23

Já é Natal na puta que pariu ou Amarguras de Natal

Antes que você pense que eu sou trisaneto de Judas Iscariotes e primo da Suzane Von Richthofen, deixa eu explicar esse título indigno e deturpador dos bons costumes. Você já pode reparar que o Natal está chegando, certo? Por quê? Porque começou a nevar? Não… E sim porque a Leader Magazine já está veiculando aquela música gostosa, repetida à exaustão nessa época tão feliz. E isso irrita! E o pior é que esse comercial entra no calendário cada vez mais cedo – Lá para 2015 (isso se a Terra não for destruída três anos antes) vai ser assim:

- Já é Natal na Leader, já é hora… Só que antes vem o dia dos pais…

O nosso espírito natalino tem hora para começar – a bondade, o altruísmo e o caralho a quatro despertam quando aquele gordo barbudo e pedófilo retoma o expediente anual nas propagandas de supermercado e lojas de departamento. É hora de montar a árvore, comprar presentes e continuar sendo o ser humano mesquinho, ordinário e preconceituoso de sempre. Fazer o bem vai para a caixa junto com a árvore de Natal, depois do dia de reis. A humanidade deve acreditar que a memória de Deus é perecível que nem a dela.

A família Staite (a minha) é a típica família de classe média semi-fudida, daquelas em que alguns componentes não podem se orgulhar do nome (não porque são feios, e sim porque são sujos), aliás, o nome de um deles, que jamais ousaria identificar, é tão sujo, que só de ele se apresentar numa roda de amigos, alguém pergunta “alguém peidou?†(hoho, piadinhaaa!). Mas isso não quer dizer que eles não tenham caráter… Dever as calças, assim como fumar maconha, é visto de soslaio e narinas tortas pelos perfeitos, mas, se a gente reparar bem, dá para sobreviver com dignidade sendo inadimplente ou maconheiro… Os dois eu não garanto.

A mesma família Staite, frente ao capitalismo selvagem e impiedoso que o Terceiro Mundo importou do Norte maravilha, é um autêntico surfista amador metido a besta. Ela entra na onda, mas toma caixote até na marola: os pais apresentam Papai Noel para as crianças, mas não conseguem arcar com as consequências. Afinal, a gente não para pra pensar na impossibilidade de um coroa obeso levar um bilhão de presentes ao redor do mundo. A gente acredita que ele é capaz de tudo… E que se você pedir algo bizarro, porra, ele é o cara, ele consegue trazer o que for!

Em um ano remoto do passado, eu e meu irmão perdemos a força para acreditar nele (aliás, se você acredita em Papai Noel, pense que essas coisas natalinas são pura religião. Acreditar em Papai Noel é que nem acreditar em Deus – em ambos, o que você ganha é trazido por alguém, mas são Eles que ficam com a fama; eles levam benesses para o mundo inteiro ao mesmo tempo e ambos foram criados pela Coca-cola – A diferença é que quando o que você pede não vem, só o Papai Noel perde a credibilidade. E a existência. Deus sempre ganha outra chance).

A gente resolveu pedir uma televisão para a baleia barbuda, essa é a verdade (e olha que nem é um presente tão bizarro, mas se você me acha um pobre, vá para a Disney e dê sua bunda para o Pateta). Minha mãe, desquitada do real coroa barbudo que tomaria a trolha (meu pai), mais dissimulada do que o capeta, disse para a gente:

- Ué, faz a carta então… Eu entrego pro pai de vocês e ele dá pro Papai Noel…

- Ieeeei! (alegria infantil com prazo de validade – um prazer que faz a vida valer a pena).

Fizemos a carta colocando a alma e a fé na ponta da caneta. Uns dias depois, vem o nosso pai, que fez as vezes de intermediador com o além, tentando arranjar um jeito de desencorajar a gente sem acabar com a magia natalina.

- Filhos, o problema é Papai Noel precisa de uma ajuda financeira, e eu estou sem dinheiro…

- Papai Noel???

Nesse momento, a nossa mente entrou em colapso, primeiro porque é uma doideira pensar que o meu pai era o credor do Papai Noel; segundo porque se nosso pai ajuda a comprar o presente, então, indiretamente, ele está pagando as horas de serviço dos duendes da fábrica mágica; terceiro porque se o Papai Noel pede ajuda para o nosso pai, ele deve pedir para muitos outros pelo mundo afora… Ou ele fazia só o meu pai de otário? Quarto porque a gente ia ficar na mão. E isso sim é que embaralha mais que tudo uma mente pueril.

Ps.: É óbvio que nós ficamos na mão.

nov 18

Sonho não é premonição

Pelo menos é o que eu espero. Caso seja, não imagino que possa ser um talento muito comum entre as pessoas. Eu já sonhei com as coisas mais absurdas do universo e absolutamente nada do que me veio enquanto dormia, veio quando acordei. Até porque, não basta sonhar algo e ver se esse algo vai acontecer – você tem que sonhar algo, entrar no site ou ler o livrinho de interpretação de sonhos, e, aí sim, ver se esse algo, modificado após a leitura pertinente do manual, vai se concretizar.

O único “tema†que eu costumo repetir em sonho é barata. Nos devaneios, eu estou sempre sendo perseguido por uma barata, ou eu fico aflito porque eu vi uma barata entrar no quarto e ninguém viu, ou eu me transformo em uma barata e fico preso em casa na inóspita República Tcheca (quem inventaria isso? Que idiota!). De acordo com o primeiro manual onírico que me apareceu no Google, sonhar com esse animal nojento é um auspício de duas coisas ruins: problemas nos nervos ou pessoa falsa próxima. Ambas situações me encafifam, afinal, eu só tenho 22 ou 23 anos, ainda não é hora de problemas nervosos – estou na fase das DSTs leves ainda! A outra opção também não me apetece muito: quem será essa pessoa falsa e horrenda que quer minha caveira? Será minha mãe? De qualquer forma, o site diz que sonhar com urso dá sorte. Vou ver Discovery Channel antes de dormir, pode deixar.

Mas eu entendo perfeitamente porque eu sonho com barata. Na escala de ódio entre mim e os animais, a barata é a líder absoluta. Depois viria o dragão de Komodo e, em seguida, as lacraias. Mas com barata não dá… Se eu vir uma barata diferente, eu sonho com ela. Foi o que aconteceu certa vez voltando pra casa. Eu vi uma barata branca – ai Pedro, era um Tatuí! – tatuí é o seu rabo, onde já se viu tatuí em prédio? E se a preta já é nojenta, a branca chega a doer, porque é meio alienígena, entende? Sonho é uma manifestação do nosso inconsciente, e infelizmente eu guardo no fundo do meu eu esses animais desgraçados.

Mas voltando ao site, a coisa mais divertida é que eles listam coisas insonháveis:

*Brasa

*Buzina

*Camarão

*Canivete

E olha que eu parei na letra C, hein?

Só falta você me falar que teve um sonho muito louco em que estava na praia deserta e só tinha um canivete para sobreviver. Aí você começou a esfregar gravetos até conseguir produzir uma brasa e fazer fogo. Com a felicidade, você catou camarões no mar e fez um cozido esperto de noite. Ao fim do jantar, um navio no horizonte dispara a buzina – a salvação estava próxima! Aham, sei…

De duas, uma:

Ou você, de acordo com os significados do site, vai ter uma notícia inesperada (ouvir buzina) que será uma entrada inesperada de dinheiro (brasa) e que te trará uma nova paixão (ver um canivete). No entanto, ela não passa de uma mulher fácil, é bom ter cuidado (camarão).

Ou então você dormiu vendo Náufrago.

Se você sonhar com algo, aqui está o site que me serviu de arcabouço teórico: http://www.portalchapeco.com.br/jackson/sonhos.htm

As razões que me inspiraram a escrever esse texto foram os sonhos dos outros. Uma amiga da faculdade veio toda alegre dizendo que sonhou comigo. A primeira coisa que vem à cabeça é que foi um sonho erótico alucinante, mas óbvio que nunca é. Ela disse que no sonho, eu assumia minha homossexualidade e o meu romance com um cantor famoso. Ó raios, cantor famoso gay? Só pegaria o Sidney Magal, mas ele é muito macho.

Chegando ao estágio, me vem outra amiga dizendo que figurei seus sonhos. Ela disse que eu estava de mau humor e fantasiado de borboleta… Ou seja, no primeiro sonho, eu saio do armário, no segundo, do casulo. Algo está errado nos inconscientes dessas meninas! Que imagem eu passo pra elas, Deus do céu?

Mas o mais impressionante (nesse momento, você não precisa acreditar, pode parar de ler e procurar algum link bacana aqui do lado direito à) é que eu já pensei em escrever um esquete em que eu era um ator vestido de borboleta… E que eu odiava a vida por isso. Foi considerando o fato de nunca ter contado isso pra ninguém, que me veio a pergunta “será que existem sonhos premonitórios?â€. Aí depois eu pensei no sonho da minha amiga da faculdade e torci: “tomara que não!â€.

nov 13

Fim de Semana Drunk Love – Parte III

Em oito a cada dez textos meus no blog, eu faço alguma menção à cerveja em particular e ao álcool em geral. A tulipa e a garrafa sempre aparecem em algum momento, sejam como personagens principais ou como figurantes: apenas um gole, rapidamente, só para pontuar uma questão. Mas eu não sou um bêbado convicto, não subo na mesa, não vomito no meu pé, não mostro a bunda e nunca acordei nu sem saber por que dormi nu. Para mim, cerveja, a musa master, é excelente até te dar o primeiro soluço, depois uma água está de ótimo tamanho. A foda é beber cerveja boa – ela nunca te dá soluço, aí você bebe para sempre.

Pus esse parágrafo para aliviar minha consciência. São três posts seguidos sobre álcool, amizade e amor. Os três fazem bem e começam com a letra A, olha que fofo. Mas só o álcool e o amor também podem te matar. Pior: só o álcool te causa desarranjos intestinais. Ou seja, numa hierarquia cabalística, manejamos da seguinte forma: amizade em primeiro, amor depois e álcool por último.

De qualquer forma, a primeira bebida que eu pus na boca, no agradável sábado, foi justamente um chope. Mas esse foi em homenagem aos 15 anos de casamento da minha mãe e do meu padrasto. Quando o matrimônio, num mundo desgraçado como esse, perdura até as bodas de cristal, um chope é o mínimo que eu deveria beber para homenagear. Nunca vou esquecer quando Alicio, que já foi “tio Alicio†quando só dava uns pegas escondidos na minha mãe há 15 anos, começou a morar com a gente. Na primeira noite, ele brincou comigo e com o meu irmão (duas porrinhas de oito e dez anos) até a meia-noite, e falou cheio de alegria: “amanhã, vamos brincar assim que vocês acordarem!â€. Levantamos às seis e pulamos nele… Ele alegou uma dor no rim… Como eu não sabia direito o que era rim, voltei desolado para o meu quarto. O puto tinha conquistado a gente e arranjado uma dor no rim!

Enfim, depois dessa comemoração, fui encontrar Thiago, meu parceiro de aventuras, e mais dois amigos. Fomos fazer aquilo que deixou os últimos dois posts fedendo a álcool: beber e beber. E assim foi, num boteco que cobra couvert às vezes (logo, às vezes é bom não ir), até as 4 da manhã engolindo malte, lúpulo e cevada sem o menor discernimento.

Domingo eu fui à missa, fiz a confissão e pensei coisas boas. Fim.

Mentira, eu acordei já notando que o apodrecimento corporal estava próximo, mas não poderia findar meus bons dias com marasmo e desarranjos – a gente deixa isso para segunda-feira. Fomos para um churrasco na puta que o pariu, ou seja, Barra da Tijuca, um dos poucos lugares – juntamente com o Polo Norte, a Terra do Fogo e Campo Grande – longe de absolutamente tudo.

A pior coisa da Barra é a quantidade inescrupulosa de condomínios-bairros-fechados. O churrasco ficava dentro de um – o Nova Ipanema. Entrando lá, eu fiquei com a impressão de que a criança que nasce num lugar como aquele, não desenvolve absolutamente nenhuma resistência ao mundo de verdade: se comer um camarão, se esvairá em merda; se pisar na areia, vai ter uma micose bizarra, bicho geográfico etc; se pegar uma menininha sem sangue nobre, vai se encher de DST … É uma pena como se criam pessoas pasteurizadas nesse mundo. Para entrar, eu precisei mostrar identidade e pegar um crachá escrito “visitanteâ€, que eu orgulhosamente deixei no pescoço, para mostrar que eu não sou desse mundo polido e altivo. Por último, era só tirar uma foto… Entrar na festa foi tão burocrático que eu pensei que ficaria estagnado para sempre no espaço cósmico entre o mundo real e o churrasco.

Estabelecido na solenidade, causo um espanto nos meus amigos só porque eu peguei um guaraná. Nesses momentos você repara que está entrando na pecha de bebum. Outra pecha que eu conquistei até o final do churrasco foi a de homossexual. Dona Filomena, a mãe do aniversariante, perguntou para seu rebento se “aqueles dois meninos eram gaysâ€, sabe Deus por que ela ficou encafifada com isso, mas enfim. De qualquer forma, eu e Thiago, o meu namorado, de acordo com as caraminholas triviais da Filomena, rimos disso, pois temos plena convicção de que somos os maiores pegadores do pedaço, a gente só não tem a mínima sorte e nem muito atributos, mas um dia vão notar nosso valor.

E no fim de domingo, estava eu em casa, pensando apenas em cama, sonhando por antecipação e profundamente marcado pelo banho de álcool, de amizade e pelas gotinhas de amor que me encharcaram nos últimos quatro dias – que valeram como quatro semanas.

nov 07

Fim de semana Drunk Love – Parte II

(A primeira parte já foi e a última das três já vem)

Sexta-feira doía como um Sol no olho. Parecia que eu tinha engolido a Mariuzzin, afinal, uma festa horrível acontecia dentro do meu estômago. Para se ter uma ideia, cuspi na pia uma saliva anil que quase me embrulhou, aí lembrei que o nome do drink era Lagoa Azul. Fui para o estágio com o maior mal estar que poderia me aparecer – era uma mistura de sono com língua seca, estômago raivoso, cabeça pesada… Um inferno.

Minha vida começou a melhorar quando tomei um remedinho e terminou de melhorar quando bebi a primeira cerveja da sexta numa adorável festa chamada “Drunk Loveâ€. Foi uma festa inversamente proporcional à do dia interior. As bebidas não eram agressivas e as músicas, muito menos. Ninguém apanhou, aliás, só se gastou energia para dançar e exercer o argumento da festa – o amor (só não pense que era Woodstock. Eu disse amor. Amor livre, não! Amor livre entre hippies então, nem pensar: deve ter um cheiro pior do que o da 2ª Guerra Mundial, Deus me livre).

Ao som de Mutantes, Los Hermanos, Jorge Ben, Sá, Rodrix e Guarabira, a festa transcorreu como uma criança obesa num tobogã: varada e risonha.

A festa acabou, não sem antes aparecem alguns resquícios de “Love†no meio do “drunk†todo que foi esse fim de semana. Uma menina absolutamente interessante e com uma quantidade infindável de fantasmas do passado me apareceu depois de me fazer pensar “Bom, com ela não rola maisâ€. Com Thiago, meu companheiro nessa história alcoólica, as coisas foram um pouco mais complexas, múltiplas, mas ainda sim espetaculares.

Quando estava perto de chegar ao lar, achando que já tinha registrado todas as impressões válidas da madrugada, acontece algo que derrubou tudo o que eu assimilei de razoável até então. Éramos quatro amigos ébrios vagando pelo bairro com mais pombo e vida no mundo, Copacabana, quando passamos por um coroa que deve ter bebido a soma de nós quatro. Ele mexeu com a gente, mas um amigo nosso mexeu com ele… Exageradamente. Eles começaram a conversar por minutos a fio, quando de repente os dois figuras se ajoelham e meu amigo começa a pregar a palavra de Deus. Os dois de mãos dadas, ajoelhados, o coroa aos brados “Eu estou cheio de pecados!!!†e o meu amigo gritando a palavra divina em espanhol. Qualquer coisa servia de inspiração, um entregador de pizza passou e ele pregando a importância do “motopizzaâ€, pois ele repartia o pão, o corpo de Cristo. Aquilo não era uma cena normal, não sei se foi uma crueldade sem tamanho com o velho ou se foi tudo aquilo de que ele precisava. Bem, de qualquer forma foi um jeito além-imaginação de começar um sábado: um bispo paraguaio, o velho Marcílio (sim, o coroa tem nome), uma mulher falando que isso era excesso de maconha, que eles deveriam procurar Jesus, e eu rindo que nem uma criança.

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