Esse texto não tem graça
Primeiro ou segundo dia de setembro
Me equivoquei redondamente há dias quando pensei que eu era a salvação dos problemas de um ex-caso. Na minha cabeça, eu juntava todos os predicados necessários para fazer uma pessoa como ela rir, se divertir e se apaixonar. Só esqueci, no meio da auto-blindagem do excesso de confiança, de que, na verdade, ela é quem era a salvação para todos os meus problemas.
E é duro passar a acreditar que você sai do nível de “salvação extraordinária” para o patamar de “historinha que não deu certo”. Como é irônico constatar que o impacto que ela deixou em você é muito maior do que o impacto que você deixou nela. São coisas como essa que deixam alguém com medo de se embrenhar na mata da paixonite. Mas, num emaranhado de contradições, cabe perceber que se sentir pequeno é a forma mais cruel de não ter coragem para crescer.
É chato demais procurar – à toa – algo nela que me represente. Todos nós somos carimbos, e a tinta que eu deixei foi fraca demais para ser percebida. Isso porque todas as músicas possíveis e imaginárias sobre amor e burrice já têm destinatário certo na mente dela – um passado de mais de meia tonelada (ou mais de meia década) contra um presente de 70 kg… É pedir para ficar de castigo numa gangorra hipotética. Mas é o que dá entrar numa disputa, sem o menor poder de barganha.
Eu desenvolvi uma habilidade desgraçada de ser a pessoa certa nos momentos mais errados possíveis. Ando perdendo as contas de ser incrível em vão. Continuando na toada contraditória, fico com uma culpa que não é minha. Fico puto da vida e só, porque o mundo é um saco de pessoas ordinárias, e não dá para fazer nada até esbarrar com alguém que valha o medo de se embrenhar na tal mata. Enquanto isso se espera pela hora de não esperar nada, pois esse é o exato momento furtivo onde a história acontece e te surpreende.
Mas vou te contar que falta saco e paciência.
Suspiro e coraçãozinho batendo mais forte são indicativos maravilhosos ou cruéis, só depende da situação. Essa história ajudou a tirar meu fôlego, antes por ânsias e bons momentos, hoje por cansaço acumulado de casos que foram para o saco. A vida é estampada com seus altos e baixos, pela maré que seca e alaga, pelas malditas contradições e incoerências: uma maneira pouco cortês de te fazer grato pela montanha e resignado pelo vale.
Sabe quando você olha para algum lugar sem o menor interesse, mas mantém o olhar simplesmente porque uma soma de conforto, tédio e sono te obrigam a isso? Estou assim. Letargia purinha.
Pedro