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Archive for junho, 2009

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jun 29

Fly & eu

Importante: se você nunca viu Marley & eu, mas está louco para ver e se emocionar, NÃO leia esse texto. Não quero estragar o seu filme. Se você nunca viu Marley & eu, e está pouco se fudendo, está liberado. Se você já viu esse longa canino, não se preocupe que, embora seja debochado, irônico, escroto e pederasta, não tratarei o tema de forma impiedosa ou inconsequente.

Já escrevi um texto sobre a Fly. Na outra ocasião, chamei a minha poodle de Bolota, para preservá-la, pois não sabia se algum amigo dela leria o texto no blog. Só depois eu me toquei que ela nunca teve amigos, só dona Dulce, a matriarca da minha família. E, assim como uma mãe não deve ser, dona Dulce jamais apareceu aqui no blog. Eu poderia falar mal dela (da Fly? Da minha mãe? Tanto faz), postar e viver com a consciência tranquila.

A Fly foi um presente ateniense que meu pai deu para a minha mãe. Acho que ele queria se vingar pelo fim do casamento, uma vez que fazia apenas dois anos que o matrimônio tinha sido desfeito. Ela chegou lá em casa, pretinha e pequena como um carvão, uma doçura. Se eu tivesse mais maldade e rancor, tentaria acender o carvão com álcool e fósforo, mas sempre fui muito controlado.

No começo, a gente não se dava muito bem. Meu primeiro contato com ela foi bem canino… Um canino enfiado na minha mão de sete aninhos. Fiquei bastante assustado e escangalhado emocionalmente, afinal, eu amava poodles! No entanto, essa violência toda mudou com o tempo. Depois de algumas mordidas de supetão na família, ela passou a rosnar antes. Uma espécie de aviso “seu puto, sai daqui que eu vou te morder!!!”.

Mas de qualquer forma, era impossível resistir quando ela pedia carinho. Ela vinha, toda peluda, fazendo festinha. Aí você fazia carinho nela, ela rosnava e você tirava a mão imediatamente, porque a mordida viria. Ela realmente nunca soube o que quis da vida. Eu até entendo, se existem seres humanos que não sabem o que querem (Eu? Você? Tanto faz), imagina a pobre e peludinha Fly, que era apenas um cachorro?

Ela nasceu em junho de 1994 e chegou lá em casa uns dois meses depois. Sempre teve problemas físicos e psicológicos (hehe. Se aquele encantador de cães, que trabalha na Tv a cabo, encontrasse a Fly, largaria o emprego e seria advogado), mas sempre teve um espaço em nossos corações (no meu, uma célula da coronária sempre esteve de bom tamanho).

O problema é que ela começou a ficar muito doente, e passou a viver um verdadeiro fardo diário para se manter viva. De acordo com o moço, um poodle geralmente vive 15 anos. A Fly sempre teve problemas cardíacos, mas mesmo assim, burlou as expectativas e saiu no lucro, quase completando 15 outonos.

Já li em algum lugar que o dia em que um velho acordar sem dor, é porque está morto. Pensava nisso e depois na Fly, pois, nos seus últimos dias, ela conseguiu a triste faceta de reunir todos os problemas possíveis no seu corpinho. No último domingo (diazinho de merda), aniversário do meu pai, resolvemos acabar com o sofrimento dela.

Foi um domingo esquisitíssimo. Almoço de aniversário para meu pai (embora eles sejam separados, meu pai é muito amigo da família), risos, coisas gostosas, alegria… Depois levar a Fly para o sacrifício. Era estranho, pois tudo o que conversávamos trazia a ideia de que “aham, está engraçado agora, mas daqui a pouco é hora de ir ao veterinário…”. É como no vestibular. TODAS os momentos têm um pequeno aspecto sombrio que aflora quando estamos nos divertindo. “Ahaha, que festa boa… Merda, domingo eu tenho prova… Se eu não passar, fudeu. Ai meu Deus!”.

Depois do aniversário mais animado em décadas (cof cof), tiramos a sesta e chegamos a pensar que o sacrifício seria protelado. Mas meu pai, sempre obstinado, convocou seus dois filhos para a trágica missão. Vou te contar que, por mais que ela tenha sido um animal que jamais fez questão do meu carinho (só da minha carne), eu fiquei triste. Era um ser vivo que fez de tudo para ser detestável, mas não dá, a gente se confronta com milhões de outras coisas e vê que a morte é a coisa mais possível do mundo.

Ela tomou uma anestesia primeiro e depois uma droga que traria a ceifadora sinistra em 30 segundos. Quando ela estava entrando na onda da anestesia, eu fiquei feliz porque ela aproveitaria um soninho indolor por alguns instantes. Nessa hora doeu, porque a serenidade nunca foi o forte de Fly. E ela estava bem serena. Depois o assassino, digo, veterinário expulsou gentilmente a gente da sala e finalizou os trabalhos. No final, quando meu pai foi pagar a conta, ainda fiz uma piada mongol para o veterinário:

- Hey! Você mata o nosso cachorro e a gente ainda tem que pagar???

Todos riram, inclusive o veterinário. Ele já deve ter ouvido essa piada 1439 vezes, mas rir nessas horas deve fazer parte do código de ética das faculdades de veterinária. E eu precisava fazer uma piada, estava entalado.

Pois é. Agora eu tenho quatro ex-bichinhos de estimação falecidos. Um tamagoshi, dois Haku haku dinokuns (Tamagoshis falsos) e a Fly. A diferença é que Juju, Jolly e Belchior voltavam à vida quando eu resetava. A vida é uma merda mesmo.

Obs.: Eu menti, eu não dava nome para os meus Tamagoshis… Só apelidos (Ju, Jó e Bebel).

Pedro

jun 25

Os homens da minha vida – Parte 1

Um fato curioso em se estar solteira, é que as pessoas falam com você como se estivessem morrendo de pena:
- Você namora?
- Não. Solteira.
- Ah, não se preocupa. Qualquer dia você acha alguém.

Oi? A pessoa por estar solteira, necessariamente TEM que estar desesperada por alguém?
E logo então vem aquela pergunta que nenhum solteiro mais agüenta ouvir:
- Solteira? Mas por quê?
Juro que em quatro anos de solteirice, eu ainda não aprendi a responder essa pergunta. Vario bastante na resposta. Às vezes digo “porque eu quero” ou “porque ainda não é a hora” ou quando o saco já se foi, um sorrisinho responde tudo.

Depois da 77829179 pergunta, comecei a pensar se haveria algum porque, e vi um certo padrão em relação aos homens da minha vida, a cada homem que eu me envolvia, focava no que mais me incomodava para achar o próximo, não me importando com o pacote que viria junto. O que me fez chegar há apenas uma conclusão: Não há conclusão nenhuma para se chegar.

Os homens da minha vida:

1)    O primeiro
“Ex-namorado é que nem vestido velho: Você olha depois e diz: Como eu pude sair com isso?”
Esse ditado fez muito mais sentido depois do “primeiro”.
O “primeiro” foi a iniciação para tudo o que veio depois. Chega até a ser emocionante relembrar tudo o que ele me proporcionou primeiro do que qualquer outro que se seguiu (que depois fatalmente fizeram um ótimo trabalho em propagar seu invejável trabalho):
A primeira mentira
O primeiro chifre
O primeiro choro
A primeira briga…
Dizem que a primeira transa é inesquecível, mas na verdade o que é inesquecível mesmo é a primeira decepção.

Decidi então que eu queria alguém mais maduro.

2)    O mais velho
Ele era oito anos mais velho do que eu, morava sozinho, tinha carro, trabalhava e adorava me ensinar física quando a semana de provas da escola se aproximava. Sua mãe me odiava, mas como eu não a namorava, estava cagando. Pena que ele era igual comigo, exceto pelo fato de que sim, ele me namorava.
Era um namoro totalmente morno. Um não morreria pelo outro, e era perceptível que eu não passava de um enorme travesseiro fofo que consolava as mentirosas tristezas de seu passado.
Um dia cansei de tanto drama mexicano e acabei sem a menor tristeza.

Decidi então que queria mais paixão.

3)    O apaixonado
Minha mãe diz que meu Santo Antônio é meio desregulado. Eu digo que é completamente.
Quando eu pedi “mais paixão”, obviamente pedia para os dois lados.
Sabe aquela coisa bonita em que a gente vê em filme? O casal que se esbarra no mercado e se descobrem loucamente apaixonados? O menino que ama a menina secretamente e quando se declara, descobre um enorme amor por parte dela também? O casal de velhinhos juntos há 50 anos e ainda se amando?
Pois é, filha, isso só existe em filme mesmo. Na vida real o casal se casa por culpa de uma gravidez precoce, se separam depois de 6 meses, e ela descobre que contraiu hpv.
“O apaixonado” era um cara que parecia ter saído de um desses filmes da sessão da tarde (tirando aqueles em que os animais falam. Por Deus, esses não!). Eram abraços demais, beijos demais, declarações demais, nhenhenhes demais. Tanta coisa que comecei a adquirir uma certa fobia dele. Ele vinha com aqueles braços enormes me prender só pra ele, e eu me concentrava no meu mantra secreto: “calma que daqui a pouco tudo isso vai acabar e você estará em casa assistindo televisão”.
Aprendi então que quando assistir televisão em casa é melhor do que estar com um cara, já passou a hora de terminar esse relacionamento.

Decidi então que queria alguém com mais amor próprio

4) O bonito
O que não faltava nesse era amor próprio. Na verdade seu amor era tão próprio, mas tão próprio, que não havia lugar para mim naquela relação. Todo o amor girava em torno dele, e ele mesmo.
Para alguém que era tão perfeito, era difícil aceitar que os outros podiam ter defeitos. Ele me fazia sentir feia, velha, gorda e burra, e antes que me sentisse pior, mandei-o tomar no meio de sua linda bunda, e depois me senti melhor do que qualquer experiência que eu tenha vivido com ele.

Decidi então que eu queria alguém que me tratasse bem.

5) O namorando
O “namorando” é aquele tipo irresistível. Sabe que tem uma enorme desvantagem por ser “namorando” e por isso usa todo o charme e lábia que puder.
Sempre tratando a mocinha como uma princesa. Afinal, é o mínimo que pode oferecer a alguém que não terá espaço algum em sua vida.
Para mim era perfeito. Alguém que quando eu quisesse, estaria lá para me dar toda a atenção do mundo (por aquela noite, é claro.), não me importaria com as suas mentiras, e nem ele com os meus perdidos, e seríamos felizes para sempre até ele ter que atender o celular.
Tivemos uma ótima relação, onde fingíamos ter alguma relação, até que um dia eles acabaram.
Pareceu bem claro o que eu devia fazer, quando me peguei numa discussão com ele em que eu dizia: “Vocês não podem ter acabado!”

Decidi então que eu queria alguém com perspectiva

6) O não-dá-mais
Mesmo que não houvesse perspectiva alguma, eu criaria. Eu estava apaixonada. Daquele tipo em que você passa a ter 13 anos de novo e se pega escrevendo suas iniciais dentro de enormes corações em todas as folhas do caderno durante uma aula chata. Eu tinha certeza de que havia achado o cara certo, ele é que ainda não tinha a mesma certeza, e isso ficou claro quando num belo dia chegou na minha casa, sentou na minha cadeira, fumou do meu cigarro, e então se virou e disse: “Não dá mais”.

[continua...]

Corra Mary

jun 22

Doidão de cola

- Ah, meu padrasto é muito engraçado, sempre solta uma piada inesperada. Sabe o Deco? Então, ele se amarra muito no Alício (meu padrasto). Teve um dia em nós três ficamos doidão de cola, foi inesquecível…

- Doidão de cola????

- Calma! Eu posso explicar!

Eu nunca usei drogas do submundo do crime. Nunca cheirei cocaína (só Nescau, uma vez só, e foi  uma delícia. Quer coisa melhor do que ficar com as entranhas nasais cheias de gostinho de chocolate? Mas não recomendo Toddy, pois embolota à toa), nunca fumei crack também. Minhas relações com o cigarro do Capiroto são indignas de registro, ou seja, também não faço uso da ervinha safada. Nunca bombei na rave com uma bala (e se Deus quiser, só bombarei sob promessa ou chantagem). Nunca usei tinner, vick vaporub, esmalte (só nas unhas, amigaaa), liquid paper (o terror dos aluninhos da quarta série) ou similares corretivos.

Também nunca experimentei aquelas drogas alucinógenas que se usam em festas de biólogos loucos (olha a redundância aí geeeente!). Ácido, chá de cogumelo, Santo Daime, Mescalina, soma, haxixe marroquino, gota ou Sonrizal. Meu corpo é território sagrado das drogas lícitas, só e tão somente.

No entanto, já fiquei doidão de cola…

No início deste século, Alício, músico e padrasto irresponsável nas horas vagas, resolveu usar o nosso mínimo quartinho de empregada para fazer  um estúdio musical. O que soou meio insano, pois eu já entrei em elevadores maiores do que o quarto em questão. Eu fico imaginando o que o infeliz do arquiteto que projetou o apartamento estava pensando quando desenhou essa afronta às empregadas do prédio 135 da Mena Barreto:

- Afonso, você não acha que a dependência de empregada está muito pequena?

- De maneira alguma! Cabe uma cômoda e uma cama…

- Não… Acho que cabe, no máximo, uma cama OU uma cômoda. Se a cômoda entrar, a cama vai ficar suspensa na parede. A pobre coitada vai dormir na diagonal.

- Vai dormir com emoção, ué. Bota um girovisão para ela ver a novela, não vai querer outra vida!

- Afonso, isso é desumano! Vai tratar as pessoas feito escravas?

- Fica quieto Gilmar. Vocês esqueceu de ponderar que a empregada pode ser anã.

- Mas Afon… É… É verdade!

Pois bem, a discussão não é essa. Como ia dizendo, o Alício queria fazer o tal do estúdio. Para conseguir montar o cômodo, ele precisava de espuma, carpete, saco (tem que ter MUITO saco para colar carpete, acredite) e mão-de-obra retardada para ajudá-lo: eu, meu irmão e Deco.

Começamos o trabalho de corno. Erguíamos o carpete, alguém passava cola de cima a baixo e o outro empurrava para grudar e mantinha a mãozinha para que não descolasse. Estávamos levando uma bela surra naquela tarde alucinógena. Éramos três (meu irmão, aos primeiros sinais de onda de cola, saiu do quarto) idiotas, num quarto que dava para meio idiota apenas (ou meia empregada – a anã do Afonso), tentando colar tudo da melhor maneira possível. Mas o carpete pesava mais que uma vaca. É impressionante como tem coisas que a gente tem certeza de que consegue carregar – não é o caso da vaca, e sim do rolo de carpete.

Com o passar das horas, as piadas ficavam mais engraçadas e nos divertíamos mais e mais. Você pode pensar que era por causa do trabalho exaustivo, que mexeu com nosso psicológico. Aham, antigamente as senzalas eram autênticos clubes de comédia, não é verdade? Não. O aspecto cômico da coisa nasceu da cola que estávamos inalando, num quarto de 3 m², abafado e escuro. Nossos neurônios estavam colando um no outro, e a gente ria como se não houvesse ontem.

Início

- Esse cheiro é forte, meninos. Se vocês ficarem tontos, vão lá para fora.

- Tá bem, Alício!

Uma hora depois

- Tô chamando urubu de meu loiro e Jesus de Genésio!

- HahAHHAhAhAHHAHAhAH

Mais uma hora depois

- Pff… Tô chamando Urubu de Genésio e Jesus de meu loiro!

- HahahahahahaHAhAHHAHA

- Ai! Pisei na cola! HahahahHAHAHAhAhAH

- HAhahAHHAhahahHHAhAh!

A convicção de que estava alucinado veio quando eu menos esperava. Eu e Deco saímos do quartinho e sentimos a baforada de ar frio mais revigorante que já soprou sobre a Terra. Quando o vento fresco bateu, eu tive a sensação de que não existia vida antes daquele dia. Não estou falando metaforicamente, como se a vida só tivesse sentido depois de cheirar cola. Foi literal, eu não conseguia realmente me lembrar de mais nada. Estava preso no presente, olhando arregalado para o Deco e rindo de chorar. Não me lembrava de como acordei e não pensei em momento algum no dia seguinte que viria. Foi a única vez em que vivi o momento plenamente, olha que doideira.

Foi uma experiência surreal, que jamais repetiria. Mas serviu como lembrança de um dia sem projeções de futuro ou viagens ao passado (como estou fazendo agora, por exemplo). Serviu também de exemplo de como as pessoas fazem coisas esquisitas. Me refiro ao Afonso, que projetou o quartinho; ao Alício, que forrou o quartinho e quase matou a gente; ao Gilmar, que não bateu no Afonso a tempo, e a mim e ao Deco, que não evitamos o plano delirante do meu padrasto fanfarrão.

Ah, e só para constar. O quartinho ficou uma porcaria.

Pedro

jun 17

Parei de fumar

Ou pelo menos é o que estou tentando fazer.
Lembro que comecei com o cigarro numa propícia viagem a Guapi há três anos. Muita caipirinha, piscina e amigos. Por que não adquirir um vício novo?

Meu primeiro cigarro fumado inteiro foi um Marlboro (marca que mais tarde virou minha preferência), mas logo após o primeiro, entrei de cabeça nos mentolados, que devo admitir, são deliciosamente malignos. Sentia-me fumando uma Halls preta, com aquele lindo e fino cigarro preto entre os dedos. Eu era um luxo de se ver, um lixo de se cheirar.

Já fazem 24 horas que não boto um cigarro na boca. O que para os não fumantes deve soar como piada, para os fumantes soa como tortura medieval.
Vivi 18 anos sem saber o que era uma deliciosa tragada de Marlboro light, mas depois de descobrir essa iguaria da nicotina, como, COMO ficar sem meu cigarrinho logo após aquela refeição caprichada?
Hoje depois do almoço, tive a árdua missão de resistir ao cigarrinho pós-almoço. Bolei um plano infalível:
Como, e durmo.
Parecia que não tinha como dar errado. Afinal, eu estaria dormindo e sem sentir meu corpo desejando os 4 Carltonzinhos que estão na gaveta para uma possível “emergência”.

Enquanto dormia parecia o plano perfeito, mas não me toquei de que uma hora, obviamente eu iria acordar. E devo admitir que meu corpo não estava nem um pouco feliz.
Recomendaram chupar balinhas ou mascar chiclete cada vez que eu quisesse um cigarro.
Mas a vontade de parar com o cigarro foi justamente a do dinheiro gasto com um vício tão desnecessário.
Não estou disposta a largar um vício, e entrar de cabeça em outro. Sendo assim, balinhas e chicletes não me são a solução.

Recomendaram também tomar água sempre que a vontade aparecer. Ok, isso não faz o menor sentido e sinceramente não está ajudando em nada.
Essas soluções da “psicologia moderna” só devem funcionar em drogados já altamente viciados e sem um pingo de sanidade para conseguirem perceber o quão sem sentido isso é. Certas horas a loucura pode até ajudar.

Espero de verdade conseguir parar. Já viram como os maços estão cada dia mais caros? Alguém finalmente ouviu minhas preces e resolveu colocar os bons cigarros (se é que isso existe) a preços absurdos, enquanto o “ministério da saúde” continua insistindo em fotinhos de pulmão de argila atrás dos maços.
Alguém fazendo o favor, avisa logo que entre a possível falta de saúde e falta de dinheiro não há como discutir qual das duas é mais eficaz.

Corra Mary

jun 13

Sorte no jogo, azar no resto

Eu suponho que a expressão “sorte no jogo, azar no amor” venha de uma época em que as pessoas já apostavam coisas valiosas em partidas ou competições. Pode ter sido em qualquer momento, quando búzios eram dinheiro ou quando Jesus era pré-adolescente. O que importa é que essa expressão está inteiramente ligada a ganhos maiores do que apenas a honra de ser o melhor em algum jogo. Já tinha grana rolando no meio (seja na forma de búzios, pedrinhas ou sacos de arroz), algo que fosse melhorar a vida do vencedor. Se eu ganhar uma partida de gamão sem apostar nada, dane-se, vou ter azar no amor a troco de nada? Bom, pelo menos eu não jogo gamão.

Mas depois que centenas de anos se passaram, a expressão perdeu esse caráter que eu propus hipoteticamente. Hoje em dia é sorte no jogo, qualquer jogo e sem valer nada necessariamente; azar no amor, pura e simplesmente.

Eu sempre fui conhecido como um cara que ganha qualquer coisa. Numa vez, quando era pequenino, estava em uma espécie de “ação da vizinhança mórmon” (mentira, não era mórmon, mas tinha alguma religião no meio), quando começou uma rifa. O prêmio era um boneco do Jiraya, um grande herói ninja japonês. Junto com o boneco, vinha um carro e uma moto. E, desculpem as meninas, só os meninos sabem o que é ganhar um boneco que vem com veículo – tesão total. Peguei o número 20 e esperei cheio de aflição. Quando a mulher gritou “vinte!”, eu fiquei emocionado e fui pegar meu prêmio. Quando cheguei aos vinte anos, namorei uma menina cujo apelido é Jiraya! Foi a única vez em que sorte no amor e sorte no jogo se concatenaram na minha vida, ainda que com uns 13 anos de intervalo.

Mas, tirando essa enorme exceção, eu sempre ganhei coisas que de nada me valeram. E, paralelamente a isso, sempre fui tido como um cara que não chegava a ser bundão, mas que papou moscas inaceitáveis com o sexo oposto. Ganhava praticamente tudo, e sempre que perdia, jogavam na minha cara que eu tinha perdido. Basicamente eu sou o homem a ser batido em jogos inúteis… Belo crédito, hein?

Passei por um final de semana que traduz exatamente isso tudo. No sábado, fui chamado para jogar umas partidinhas marotas de sinuca. Eu não sou um ás no bilhar (aliás, em esporte algum, só em queimado. Queimado é esporte, né?), só que nesse dia, estava iluminado pelo espírito de Rui Chapéu. Jogamos seis partidas com duplas que se revezavam. Eu ganhei as seis. E pô, dada a imensa gama de possibilidades, ganhar seis partidas seguidas é cabalisticamente estranho.

No domingo, fui a um aniversário de um amigo bastante valioso, e tive um dia igualmente vencedor. Jogamos Detetive e eu descobri em cinco rodadas que o Professor Black (aliás, eu mesmo no jogo) havia matado o Sr. Pessoa no salão de festas com uma corda. É vacilo matar alguém num lugar tão festivo… Quer dizer, é vacilo matar alguém, né? Eu ganhei o jogo, mas era o próprio assassino, que coisa estranha esse surto de sinceridade ao acusar a si mesmo. Enfim, coisas de Detetive.

Depois fui jogar um campeonatinho de Winning Eleven. Desculpem as meninas novamente, mas só os meninos sabem como é divertido fazer um campeonato de futebol no video game. Ganhei o campeonatinho nos pênaltis, tal como a seleção brasileira em 1994. Lembram desse momento inesquecível? Eu tinha sete anos naquela época.

Quando estávamos voltando do aniversário, começamos a jogar adedanha, e eu não tomei um bolo sequer. Sagacidade pura. Quando só sobraram três pessoas no trem, emendamos numa forca. Só eu consegui fazer o boneco morrer. Também pudera, botar a palavra “joanete” é pedir para vencer. Jotas, Enes e Tês são sempre preteridos em forca, repararam?

Ao final da jornada, uma amiga minha ficou impressionada com a minha habilidade em ganhar qualquer merda de jogo (NUNCA perdi uma partida sequer de “dedômetro”, por exemplo – aquele jogo em que você tenta abaixar o polegar do seu amigo com seu polegar).

Realmente esse final de semana foi vitória pura. Eu ganhei tudo, inclusive os “par ou ímpar” que precediam as partidas de sinuca de sábado à noite. Voltei para casa pensando nisso, e, às 22h47min de um domingo, estou mais carente do que uma viúva de guerra.

Pedro

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