O sapo e o pássaro
mai 02

Todos os dias, o sapo observava o pássaro que tomava banho na lagoa.
O pássaro por sua vez, notando que estava sendo observado, cortou o silêncio:
- Venho notado que meus banhos nunca são solitários.
O sapo se assustou, deu um pulo para trás, mas já não mais podendo se esconder saiu da moita e mesmo envergonhado, não perdeu a pose e respondeu:
- Sempre que te vejo você está na mais triste solidão. Deverias me agradecer, pois te faço um favor em acompanhar suas tão sem graças visitas a lagoa.
O pássaro pulou para a pedra mais próxima do sapo, enquanto o mesmo continuava a se gabar:
- Veja eu: tenho essa enorme lagoa que me oferece tudo que preciso, e ainda sou cercado por todo o tipo de criatura. Não preciso conviver lado a lado com a mesma solidão que você. Minha vida é maravilhosa, e tenho a oportunidade de compartilhá-la a todo o momento.
O pássaro que nunca foi de muitas palavras, surpreendeu a si mesmo quando respondeu:
- Você vive a vida que te foi imposta, e se ela fosse mesmo tão boa assim, você não teria a necessidade de enfaticamente tentar convencer os outros do que nem você mesmo está convencido.
O céu é muito maior do que a sua lagoa, e lá em cima se tem o privilégio de só dividir o vôo com quem se quer. Você nunca compreenderá, porque não aprendeu a voar, mas te deixo com minhas últimas palavras mesmo levando em conta suas limitações: A liberdade compensa as faltas.
E o pássaro bateu as asas e voou.
Enquanto o sapo permaneceu. Permaneceu, permaneceu, e permaneceu.



