O dia do ingresso

mar 05

Faltando dois dias para o show mais esperado por mim nos últimos 7 anos, comecei a fazer em relação a compra do ingresso, o que eu faço com tudo na minha vida: Deixei para depois.
Pois bem, esse “depois” chegou. E esse “depois” era hoje. Então fui comprar o ingresso.
Luiza, minha amiga precavida, já havia comprado o seu, e me disse “Vai no shopping que tem dois pontos de venda lá”.
Saí da faculdade hoje e fui direto pro shopping.
Cheguei 10:10. O shopping abre as 10.
Espertona. Não teria filas, tumulto. Seria eu, a caixa, o dinheiro e meu ingresso.

Entrei na livraria.
Lugar agradável, ar condicionado, lugar de gente bonita e inteligente. Até o segurança de lá tem cara de quem lê Kafka. Fui direto ao ponto de venda. Cheguei e… Ninguém.
Procurei uma atendente da loja e perguntei: Venda de ingressos… É aqui, né?
Ela deu um sorriso e disse: É sim, mas a moça ainda não chegou.
Como estava numa livraria, me tranqüilizei. Poderia esperar.
Peguei um livro e sentei no sofazinho. Era um livro de crônicas, sendo assim, não me prenderia eternamente na historia, leria um ou dos contos, compraria meu ingresso e voltaria feliz para casa.

10:30- A moça já deve ter chegado. Voltei à caixa e… Ninguém.
A mesma mocinha me olhou e disse: O serviço é terceirizado. Não dá nem pra gente dar bronca pelo atraso. Desce aqui na Renner.
Fui para a Renner. Um homem me atendeu, fui super simpático, mas me deu um noticia não muito animadora: O serviço ta fora do ar. Sobe aqui na Saraiva.
Voltei a Saraiva, levei Veríssimo novamente para o Sofá. Já não estava com o mesmo humor de antes, então voltei à leitura das minhas crônicas. Quem sabe assim, não dava umas risadinhas e me sentiria mais animada.

11:00 – Juro que se aquela vadia não estiver lá, eu ligo pra TicketMaster só pra fazer reclamação dela.
Ela estava lá e fora um poço de antipatia.
O serviço também estava fora do ar, e sem previsões de voltar. A essa altura o livro já nem saía mais das minhas mãos. Voltei ao sofá que ainda mantinha o formato da minha bunda e esperei.
Fui lendo o livro e a cada meia hora, eu voltava ao caixa e perguntava a minha “amiga” do serviço.
Numa das idas, reparei no seu crachá. Ela se chamava Vandete.
Era óbvio que Vandete não gostava de trabalhar. Pelo menos não ali, não fazendo o que fazia.
Você percebe que alguém é feliz em seu trabalho pela maneira como o faz. E Vandete, que lidava diretamente com os clientes, não o fazia bem, e não gostava nem um pouco daquilo.
Vandete deveria trabalhar num escritório fechado, sem contato com o público. Onde no máximo, atenderia dois ou três telefonemas, e mesmo assim com o mal humor típico que só Vandete tinha. Achava lá no fundo, que Vandete odiava a humanidade.
Mas pensando bem, não era de se espantar. Para alguém se chamar Vandete, a mãe devia ter um ódio tão grande de si mesma e dos que a cercam, que certo, fora passado para sua prole.

12:30 – Havia lido o último conto de Veríssimo. Acabei com um livro que nem sequer havia comprado. Não que fosse algo ruim, mas preferiria fazê-lo em casa, com meu ingresso na bolsa, e sem ter que observar o enorme desgosto pela vida que Vandete emanava a todos que cruzassem seu caminho.
- O serviço já voltou?
Vandete nem se deu ao trabalho de olhar em meu rosto, continuou o que estava fazendo e apenas emitiu um seco sim.
Vandete me odiava.
E depois de duas horas e meia de espera, eu também.
- Ok.
Virei às costas. Vandete levantou os olhos do papel que escrevia e disse:
- Você não vai comprar?
Continuei andando e respondi.
- Vou. Na Renner.

P.s.: Queria muito que esse fosse o fim da saga do ingresso. Mas a verdade é que o serviço não havia voltado, e amanha estarei de novo alimentando o ódio de Vandete pelo ser humano.
Não me importo, desde que eu consiga meu ingresso.


O dia mais gay da minha vida

mar 02

Não foi quando eu entrei nesse blog rosa, com uma coelhinha da Playboy sensual e ruiva (Mary? Hahaha); não foi quando apertei a genitália do meu amigo, apenas por uma brincadeira fraternal;  não foi quando dei um estalhinho nesse amigo por causa de uma aposta; não foi quando eu chorei de amor por uma menina que cagava na minha cabeça na oitava série; não foi quando eu viajei com um casal homossexual para uma casa de um quarto só.

Foi nesse carnaval. Na sexta-feira, fui a um bloco ordinário, daqueles em que pessoas são assaltadas, casais brigam, homens brigam, mulheres brigam, homens mijam em qualquer lugar, mulheres mijam também, só que escondidas, ou seja, um bloco qualquer. Encontrei lá quatro amigas (olha que gay) e rodei com elas pela multidão. Como era o único macho da história (se tivesse outro, usariam outro), tinha que ser o namorado delas quando algum marmanjo chegava cheio de amor para dar. Aí o rapaz vinha, a minha amiga me abraçava, e eu falava coisas idiotas na frente do varão:

- Meu amor, você me ama mais que o infinito? (gaaaay)

Ou

- Porra, gata, estou louco para te encher de amor… (gay também)

Ninguém acreditava, mas também todos estavam pouco se fudendo, porque mulher chovia a balde. Não que as mulheres daquele bloco fossem musas inspiradoras, mas isso também pouco importava.

De repente, uma amiga tem uma ideia que salvaria a noite, afinal, qualquer coisa, até suicídio coletivo com suco de uva envenenado, era melhor do que aquele bloco de merda:

- Vamos lá pra casa, pessoal?

- Vamos!

Chegando lá, começamos a conversar sobre as coisas mais bonitas da vida. As meninas estavam vivendo autênticos seriados juvenis, como The O.C. (é gay se lembrar disso…), pois uma estava trocando mensagens alcoólicas com o ex-namorado – sabe como é um celular na mão de uma menina bêbada, né? Nós mulheres, digo, as mulheres fazem loucuras com o sms. A outra estava fula da vida porque uma vagabunda tinha mandando um scrap dando mole para o homem dela.

Eu tentei ser o lado masculino da história. Expliquei que o menino do celular estava bêbado como ela e que eles iam se pegar, era inevitável, mas que era problemático; e que a vagabunda do scrap talvez fosse só uma boa amiga que não via o garoto há anos.

Aí a dona da casa, vendo que a meninada estava na fossa, deu a ideia oficial das meninas na fossa:

- Vamos tomar sorvete de creme??? (santa gayzice)

- Vamos!

Nesse momento, eu esperava minha própria taça para tomar tal sorvete. Mas ela chegou com o pote inteiro e cinco colheres (gay demais). Comecei a tomar o sorvete, aliás, tomei tanto (gay) que pensei que ficaria com diarreia e dor de garganta no dia seguinte, mas deu tudo certo.

Entre uma colherada e outra, tirávamos fotos com poses aleatórias (tchola!), em que sempre manifestava a minha insatisfação por ter a minha masculinidade tolhida em nome da amizade.

Depois o assunto enveredou para depilação (o mais baitola dos assuntos). Uma delas tinha depilado tudo lá embaixo e falou que era ótimo, mas que doía pra caralho! A outra falou que estava fazendo sessões de depilação definitiva em algum lugar (do corpo) e que era horrivelmente dolorido também. Eu, que nunca fui de depilar as coisas, só podia imaginar as suas depilações mesmo – essa foi a parte menos gay da história, mas não conte para elas.

No final, o namorado da menina chegou e eles tiveram a maior DR sobre o scrap da vagabunda, mas eles se entenderam. No outro final, a menina pegou o ex-namorado e mandou-lhe um sms no dia seguinte com os dizeres “você é um merda”. E no meu final, voltei para casa e pensei “será que eu escrevo sobre essa baitolice de dia?”.

E, como você podem reparar, eu escrevi =)


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