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Archive for março, 2009

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mar 31

Revisão de nota

Eu fiz umas 1227 provas de vestibular na minha vida. Sempre depois desses martírios acadêmicos, vinha a parte do gabarito (que era um inferno), da espera pela nota (que era um inferno), da nota em si (que nunca era a suficiente, logo, era um inferno também) e, por último, da revisão de prova… Eu, assim como 99,8% dos candidatos (o 0,2% é composto pelos que têm autocrítica e pelos nerds, ou seja, a mesma merda), me sentia garfado pelos professores malvados e impacientes.

Sempre ficava imaginando se a minha prova seria a milésima sexta que o professor ia corrigir no dia, ou então que ele desenvolvia jogos estranhos, só para se manter acordado depois de 1006 avaliações. Sei lá, pensava que ele corrigia as ímpares com carinho e as pares com maldade; ou que ele escrotizava a nota quando a caligrafia era de mão dada; ou que ele sorteava uma prova para ser o “zero injusto”.

- Ahhh, já corrigi 80 provas… Tá na hora do zero injusto, HA HA HA HA HA!!!

- Shhh, tem mais professor corrigindo prova nessa sala, sabia?

- Desculpe.

De qualquer forma, eu nunca ganhei sequer um pentelhésimo para aumentar a nota. Nada. Era sempre uma trolhada sem creme, sem jantar antes… Uma dor. Depois de passar metade do tempo de uma faculdade em cursinho pré-vestibular, acabei passando para a faculdade pública sem ganhar acréscimo algum desses putos. Depois de 1227 provas. Antes tarde pra caralho do que nunca.

Só fui descobrir o que é ter uma revisão de nota, no final do 4º período. Mas também todos os milidécimos, microcentilésimos e minipentelhósimos que eu deixei de ganhar na vida se acumularam para essa revisão. Não sabia que havia um departamento no setor de “justiça divina” que cuidasse dessa parte de nota. Algo como, foi garfado agora, mas será recompensado depois.

Cheguei à faculdade para dar um rolé c’oa peguete, quando encontro uma menina da minha turma.

- Ué, Fátima, o que você está fazendo na Uerj?

- Ahh, vim ver a nota do João Pedro (prof. de Técnicas de reportagem 2… Ou 1… Ou edição de texto… Fotografia não era, com certeza).

- Ih, saiu, é?

- Saiu… Fui falar com ele porque a minha nota estava muito baixa…

- Ahhh tá… Muita gente se fudeu?

- Algumas sim. Teve gente que tirou 1,5.

- Eita… Vou lá ver.

Desci a rampa que dá para a secretaria pensando em quem poderia ser o retardado que tira 1,5. Coitada dessa pessoa, uma infeliz sem cérebro. Vou me oferecer para dar aulas particulares para ela.

Quando eu vejo a lista, o retardado sem cérebro era eu. 1,5 – a maior queimação de filme, todo mundo passaria no corredor, veria a minha nota e pensaria “caralho, não sabia que o Pedro era um jumento”.

Fui falar com o professor também. Entrei na sala afobado, e ele falou imediatamente pra eu ficar calmo e que a minha nota estava errada. Acho que ele nem sabia o meu nome. Acho também que ele só gostava mesmo de praticar um sadismo maneiro com os alunos que matavam a aula dele.  Muito justo. Ele afirmou que eu não havia mandado um trabalho por e-mail e que era isso que estava me arregaçando bonito (esse trabalho devia ter peso 17, não é possível). É claro que ele não falou com essas palavras. Mentira, falou sim, ele é muito sacana. Mentira, não falou não, eu que sou =D.

Provei por A mais B que tinha mandado o trabalho, ele acabou achando e depois me deu a nota certa. Mas vocês não imaginam o quanto aumentou. Ela simplesmente pulou de 1,5 para 9,6, um pequeno salto de 540%. NADA no mundo sobe 540% em um dia. O preço petróleo não subiu isso quando teve aquela crise bolada em 1979. Aliás, nem se caísse um meteorito no Iraque, o petróleo subiria 540%. Se eu ganhasse na Mega Sena, não ficaria 540% mais feliz. Seria felicidade demais, eu iria explodir.

Depois desse absurdo, estou pronto para não receber nem um décimo de bandeja nos próximos 22 anos, ou nas próximas 1227 provas, o que vier primeiro. É bom começar a estudar para não depender dessa raça insana chamada professores universitários…

Pedro

mar 29

A desgraça da Tv aberta

A minha casa atingiu um nível de excelência que eu pensei que nunca fosse conseguir. Chegamos ao nível 0 de entretenimento da casa moderna, ou nível “caixa de papelão sem nada dentro”. A pindaíba generalizada, velha amiga dos meus familiares, largou dessa história de passar aqui em casa só de vez em quando. Resolveu tirar férias aqui! Aproveitou que o meu irmão agora praticamente vive na casa da namorada (nesses momentos, eu gostaria de ter uma namorada… Nos outros também), para se apossar da cama dele. Realmente é notório que a pindaíba dorme comigo, porque parece que ninguém da família percebe que estamos caminhando sorridentes para o buraco. Só eu.

Eu estou sem internet, net e telefone. Meu celular não pega em casa. É um complô dos cosmos para que eu me isole em casa – ou fuja dela. Internet, net e telefone são importantes porque eles são a sua conexão com o mundo lá fora quando você deixa o mundo lá fora para ir pra casa. Afinal de contas, quando se mora em um lugar mínimo, quase sem luz do sol, com uma cachorra gigante serelepe e uma cachorra pequena morrendo, a única saída para não enlouquecer é abrindo conexão com o mundo lá fora. O problema é que essa conexão só se estabelece, se uma coisa chamada “conta” for paga. A pindaíba trouxe sua tesoura gigante e cortou a porra toda. Também pudera, não gostaria de usufruir nada de graça (hAHAHAahahaHAha).

E essa situação calamitosa coincidiu com as minhas férias da faculdade! Em resumo, não tenho o que fazer antes e depois do estágio -  e ele só tem 4 horas. Se fosse na época do estágio no inferno (Bandeirantes), a história seria diferente: depois de 9, 10 horas sendo açoitado por lá, até a pindaíba na cama do meu irmão fica divertida para conversar. Mas não, volto para casa cedo e não tenho o que fazer. Coisas nobres como ler, escrever e tocar (qualquer coisa, já consegui me entreter com uma gaita de dois centímetros que o meu padrasto ganhou numa loja de música) são legais e eu faço, mas nunca gasto muito tempo fazendo alguma coisa – inclusive fazendo sexo, infelizmente.

Como não tenho internet, fico escrevendo um monte de textos mongóis, o que é extremamente difícil, porque sem Google é quase impossível fazer QUALQUER coisa. Como não tenho telefone, fico mandando msg de celular para as pessoas, com a esperança de que alguém me responda (que deprimente), como não tenho net, assisto à Tv aberta.

A Tv aberta, ao contrário do que dizem por aí, não é só feita de Globo, Sbt, Band, Record e Tv Brasil. Tem vários outros canais. Tudo bem que quase todos são inúteis, mas não podemos desconsiderá-los. Mas querem o quê, também? Já viram os canais que existem? Tv Senado e Tv Alerj (desculpem a alienação, mas quem vai assistir a Tv Senado tendo a Sony?), a Tv Universitária que, embora com motivo nobre, é o saco ao quadrado. A Tv Cultura, que é amiga da Tv Brasil, por isso passa os mesmos programas e ao mesmo tempo que ela. Tem a Rede Vida (cruz credo) e uma porrada de Tv mercado: Tv gado, Tv anel, Tv tapete… Ai que saudade do Shoptime. E tem os melhores canais – Mtv e Futura, que são os únicos que têm gente pensando lá dentro.

Alguns momentos na frente da tv são tão constrangedores, que chega a ser legal de escrever pro blog: noutro dia, vi a Turminha da Graça, na CNT. É tipo uma Xuxa evangélica, com vários bonecões enormes, que são crianças (se não me engano, eles têm os nomes dos apóstolos. Tem uma menina, mas acho que ela não se chama Maria Madalena). Tem mais um bonecão que é um cachorro, e tem outro que representa o R.R. Soares, o missionário que criou a gangue. Para quem não sabe, o R.R. Soares é uma espécie de Silvio Santos da igreja evangélica. Ele compra espaços na programação da Band e da CNT para vincular o “Show da Fé”. E é uma doideira, porque às vezes passa o Show da Fé nos dois canais ao mesmo tempo. Haja fiel.

Nesse programa (o Turminha da Graça, não o Show da Fé), a Xuxa em questão é uma barangona que só pode ser parente de alguém lá dentro. Talvez eles valorizem a beleza interior – bela jogada de marketing. Mas ela não fica tão feia, porque os bonecos são piores ainda. Aí eles cantam músicas alegres sobre o capeta……… Isto é, falando mal dele, claro. Cantam também sobre louvor e tal. O ritmo é até gostoso, mas nada que me faça cantar junto.

Mais tarde comecei a ver Big Brother – o programa menos cool do mundo. Mas, quando se está submerso em um balde fumegante de fezes, algumas coisas estranhas ficam divertidas, fazer o quê? Era dia de paredão entre a Josi e a Naiá, o ser humano mais chato que Deus botou na Terra e que com certeza não vai levar para o céu Consigo. Se você não está acompanhando esta edição, deixa eu te explicar rapidamente: ela é a coroa que deveria fazer par com o Nonô, mas ele era tão insuportável, que ela preferiu fazer par com a Ana, outra chata dos infernos.

De qualquer forma, reparei, enquanto assistia, que ria das paradas que aconteciam. E quase me emocionei com a crônica pentelhuda do Pedro Bial. Quando a Nana saiu, eu fui ao quarto da minha mãe e soltei uma gargalhada – a minha família (maniqueísta até os ossos) acha que ela era do bem e que o grupo que sobrou vai sofrer na mão dos crápulas malvados.

Mal sabe ela é que quem anda sofrendo é a gente.

Pedro

mar 28

Telemarketing criativo

Eu: Pai, vivem ligando para o meu telefone e pedindo para falar com você.
Pai: É porque sua linha está no meu nome.
Eu: É, mas eu nunca te passei porque é gente de cartão, ou promoção de telefone. Coisas que se você quiser, você mesmo vai procurar.
Pai: Fala que eu não moro mais aqui.
Eu: Ah, eu sempre falo que você morreu.
Pai: Mas aí eles podem cortar o telefone.
Eu: Se você não morar mais aqui, também.
Pai: É verdade. Fala que eu viajei.
Eu: Mas eles perguntam quando você volta.
Pai: Que gente mais intrometida.
Eu: Eles querem vender, né?
Pai: Mas eu não quero comprar.
Eu: Posso falar que você ta fazendo um curso na Austrália de adestramento de cangurus e só voltará no dia que os cangurus aprenderem a usar o toilet?
Pai: Eles podem achar que eu sou um ambientalista ridículo, ou exatamente o oposto disso.
Eu: Então eu falo que você ta andando de elefante na índia. Elefante é mais legal que canguru.
Pai: Mas aí eles vão achar que sou da galera da modinha. Tem uma novela trash se passando na índia, né?
Eu: E se eu falar que você se alistou no talibã e só volta no ano de 2012 quando o mundo acabar no contato final?
Pai: Desse eu gosto.
Eu: Aí eu posso fazer uns barulhos tipo: Gwaaaaaar, e logo após falar: “Seu mundo pertence a nós”
Pai: Eles vão jogar isso na internet.
Eu: Então sem os barulhos.
Pai: Você tem a opção de desligar na cara assim que eles falarem o meu nome.
Eu: Mas aí garanto que eles vão achar que caiu a ligação, e vão ligar de novo.
Pai: Se faz de imbecil então. Fingi que tem algum problema mental sério e começa a falar enrolado, nada com nada.
Eu: Mas aí eles vão achar realmente que eu sou uma imbecil.
Pai: Mas não é essa a intenção?
Eu: A minha não.
Pai: Então não sei mais.
Eu: Posso falar que você foi preso por manter sua filha refém no porão por 17 anos?
Eu: Aí eu falo que eu sou a filha e que estou querendo recuperar o tempo perdido e pergunto se o cara não quer ser meu amigo.
Pai: Que trabalho miserável…
Pai: O deles.
Eu: Podiam ta limpando cu de paquiderme que estariam ganhando mais e ouvindo menos.
Pai: Fala que depois de descobriram que mantive minha filha retardada refém por 17 anos no porão, eu arrumei um novo emprego.
Pai: Me alistei no Talibã e minha função é limpar cu de paquiderme em horário integral, e que só volto no ano de 2012 quando os cangurus aprenderem a usar os toilets da Índia.
Eu: Excelente!

Corra Mary

mar 24

Por que eles estragam as roupas?

Qualquer pessoa que compre pelo menos uma blusa na Renner, na C&A ou em lojas semelhantes desse limbo estilístico, sabe que é um martírio encontrar uma peça decente por lá. Todo mundo encontra, mas garimpa horas nadando num mar de escrotice até pensar “porra, até que enfim achei alguma coisa usável…”, não é verdade?

Os estilistas (esses lugares contratam estilistas, suponho) dessas magazines se empenham ao máximo numa tarefa bastante indigna: como escrotizar a roupa. O que fazer para dar o toque infeliz que cada peça merece?

Eles se reúnem em volta de uma camisa, sei lá, listrada, e discorrem:

- Bom, temos as seguintes palavras nessa sacola: Snowboard, skate, party, U.S. Army, beach, Rio de Janeiro, Jolly Roger (essa teria na minha loja, fato) e spirit. Alguém quer pôr mais alguma palavra no sorteio?

- Surf!

- Oh céus, como poderia me esquecer de surf? Ok… S…u.r…f. Pronto, estão todas na sacola, posso tirar?

- Vai! Vai! Vai! Vai!

- E temos aqui… Hummm… The Oscar goes to… Haha, brincadeira… Vamos lá… “Snowboard”. Pronto, temos uma linda camisa listrada com a palavra snowboard na frente. Para ficar bem chocante, a gente bota um decalque dum boneco de neve, vai ficar choque do monstro!

Essas palavras nas camisas me irritam. Se eu gosto de surf, eu surfo, pronto! Essas palavras quase nunca têm absolutamente nada a ver com a arte da peça, o que me faz imaginar que eles estão pouco se fudendo para coisas elementares como harmonia, bom gosto, essas inutilidades.

Pior do que as palavras são os números. Eu só admito que uma pessoa tenha uma roupa com aquele “58″ estampado no peito se esse 58 for simbólico para ela. Ou o número da sorte, ou o  ano em que o Brasil ganhou a copa, ou o número de vezes que ela foi ao ginecologista no último ano, não importa, desde que tenha algum objetivo, já é válido (embora eu não queira chegar perto de quem foi ao ginecologista 58 vezes no último ano). Agora, o que é um 37? Por que levar um número tão inútil a sério? Ele não tem conexão com nada e ainda por cima é primo. Deus me livre.

E pior do que as palavras e os números juntos são os bolsos nas mangas… Quando alguém precisou de um bolso na manga? O que se coloca num bolso na manga? Um mini canivete? Fósforos? Um sachê de veneno em pó? Cartões? Você respeitaria alguém que tirasse um cartão da manga e falasse “aqui o meu cartão, é só me ligar”? Eu colocaria fogo no cartão e tacaria o cartão pegando fogo na cara do infeliz. Já existem quatro bolsos na calças, as meninas usam, quase sempre, bolsas que cabem tudo. Camisa com bolso na manga é coisa de escoteiro. Eles estão sempre alerta, precisam de muitos bolsos, aí eu entendo.

Questionamento infeliz:

Será que algum piadista compra uma blusa assim, coloca uma carta de baralho no bolso e fala “pessoal, eu tenho uma carta na manga! Hahaha.”???

Agora, encontrar na rua alguém vestindo uma roupa snowboard-boneco-de-neve-58-com-bolso-na manga é overdose… Legitima qualquer homicídio.

Eu compro algumas coisas lá e é sempre doloroso. Essas lojas têm mais roupas militares do que o exército brasileiro. A diferença é que você não encontra alguém no exército com a blusa “army – 33″. Essa seria a gota d’água para eu odiar irremediavelmente todos os militares.

Pedro

mar 20

Enriquecendo loucamente

Eu nunca tinha achado dinheiro na vida. Nunca dei a sorte de contar com o azar de algum desatento que tenha deixado uma grana para mim em algum lugar que ele tenha esquecido. Pelas relações justas da humanidade (HAHAahashahaAHAha), pelo menos eu também nunca perdi um real sequer, a menos quando vinham meliantes me obrigado a perdê-lo para eles.

Eis que essa história de sorte começou a mudar no dia 28 de fevereiro. Estava num bloco de carnaval, o último de todos e o único em que desafiei o choque de ordem, pois mijei na rua na maior felicidade. Pelo menos segui o meu lema de urinar sempre na mesma árvore, pois assim há cumplicidade. Bem, voltando ao assunto, após o bloco, fui com meus amigos para a praia.

Nas escadas que dão para a areia, havia grupos de pessoas e, no espaço vazio entre seus espaços vitais, 16 reais relaxavam pegando o sol lunar das 20 horas. A culpa e a excitação tomaram conta de minha amiga:

- Olha, tem dinheiro ali! Ahh, não tenho coragem de pegar (excitada).

- Eu pego (Pedro Staite Robin Hood – o desbravador)!

Fui em direção ao dinheiro, olhei para ele, ele não me olhou porque dinheiro não tem olho, que ideia… Abaixei, coloquei a bufunfa no bolso e perguntei:

- Tem alguém me olhando?

- Não!

- Uhul!

O curioso disso é que eu tinha saído com apenas 20 reais de casa e voltei com 26. Antes de me chamar de ladrão aproveitador, eu não tinha a menor condição de sair pela praia perguntando “hey, alguém perdeu 16 paus?”, afinal, todos falariam que sim, o que me levaria a acreditar que a praia tinha uns 32 mil reais perdidos pela areia. Uma autêntica corrida ao tesouro.

Na terça-feira seguinte estava perambulando pela faculdade (é o que mais se faz em uma faculdade de picaretas) quando vejo uma nota no chão. Dessa vez pensei que Deus tivesse ido pessoalmente (ou caracolmente, vai que Deus é um caracol e ninguém sabe?) colocar a nota lá, uma vez que não havia sequer uma alma viva para disputar o galo comigo. Nada mais do que 50 reais sedutores, levemente esvoaçantes, prontos para serem engolidos pela minha carteira.

Só que esse me causou um pouco de culpa e angústia, mas também uma felicidade que botava os dois sentimentos anteriores no chinelo. Esse dinheiro poderia ser de algum amigo meu, e isso me deixava triste… Mas para esquecer a tristeza, eu comprei uma camisa com os 50 reais. Mentira, eu comecei a perguntar para amigos e conhecidos se eles haviam perdido o galinho.

No entanto, como esse mundo está cheio de espertalhões, abordei o assunto da maneira mais malandra possível.

Numa grande roda de colegas e amigos -

- Fala aí galera! E aí… Como é que anda a vida financeira de vocês?  Tudo tranquilo? Todo mundo com dinheiro no bolso? Tem que tomar cuidado para não perder né?

Todo mundo olhou estranho, é lógico. Mas, depois de tantas menções a dinheiro sem que ninguém se manifestasse, joguei a verdade.

-Caralho, achei 50 reais agora!

- Ohhh!

Quando cheguei ao estágio (Bandeirantes nunca mais, meu negócio agora é o Futura, o canal do conhecimento), contei essa história para o pessoal e todo mundo achou louco. Uma hora depois, a chefa passa e fala: “meninos, a bolsa de vocês vai aumentar!”. Pensei “Jesus… Vou enriquecer se eu continuar assim! É sorte demais!”

Eu comecei a desenvolver teorias teológicas, cosmológicas e mentirológicas sobre o porquê dessa revolução na vida financeira.

- Ou é uma resposta divina a todas as picas amorosas (para um homem hétero como eu, não pode ser boa coisa) vividas no último ano. Algo meio “sorte no jogo, azar no amor”, em que o jogo é a vida e o amor é uma merda.

- Ou eu vou morrer em breve e Deus está me dando vida de patrão, só para não morrer reclamando que nem um chato(espero que não seja essa).

- Ou então Deus é um dos 420 membros da nossa comunidade e costuma ler meus textos. Leu o  “devendo na praça” (está nos arquivos, veja lá), ficou com pena de mim e começou a me ajudar a limpar meu nome – que está na beira da imundice.

Se eu achar mais um real nos próximos dias, vou começar a ficar com medo… E se tiver um caracol do lado, eu saio correndo e vou direto para a igreja.

Pedro

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