Plantas de mentira
Algumas coisas não deveriam existir. Se você inventa uma estrovenga qualquer, mas ninguém gosta e depois todo mundo esquece, ok, ela existiu, mas o mundo não a legitimou. A estrovenga em questão recebeu um carimbo vermelho da humanidade e foi para o inferno das coisas ilegítimas (nesse inferno, tem uma ala só de Teletrins, por exemplo – que chegou a ser moda, mas o povo se livrou a tempo. Obrigado, celulares).
Deixo claro que pensar em bomba-atômica, por exemplo, não é o correto, uma vez que as potências malignas jogadoras de war têm bomba independentemente da opinião da galera. Aliás, não tem como saber se o povo legitimaria, pois não dá para comprar bomba-atômica na loja. Tudo bem que no Paquistão dá, mas lá é muito longe, fica fora de questão.
Eu penso em flores artificiais… Por que eu odeio tanto isso e não para de vender???
Aqui em casa (santo lar – flores e relações artificiais), só no meu perímetro, encontro três plantas de plástico. Uma fica em um vaso de vidro e – suponho – imita um ramo de orquídeas amarelas. Na verdade verdadeira, graças a uns adendos esquisitos, que nenhum botânico seria capaz de identificar, a porra parece mais um pokemon planta. As “orquídeas” ficam em cima da mesa, o que me faz ter a desagradável sensação de almoçar olhando para elas. Mas a casa não é minha, não pago porra nenhuma, logo, não tenho direito de opinar.
As outras duas são iguais e imitam samambaias. Elas meio que fazem um conjuntinho, que lindo. Pelo menos há ainda uma gota (tipo de orvalho, daquelas que não dão para ver) de bom senso na família, afinal, não tem xaxim de mentira. Na verdade não tem xaxim algum, as paradas são presas em um suporte preto de plástico que fica escondido atrás do verde-vivo das plantas sem vida.
A primeira defesa dos infelizes que compram plantas mentirosas é que não podem ter plantas de verdade em casa, pois elas morreriam. Ô catsu, compra um hamster, uma calopsita, um cachorro, um pônei com cabelos longos nas patas – qualquer coisa viva! Resumindo, já que eu não posso ter uma samambaia de verdade, vou comprar uma falsa porque é a mesma coisa. Não é a mesma coisa, meu Deus. Então, se eu não posso ter um cachorro, vou comprar um cão eletrônico japonês que dá cambalhota? Não! Até porque não sou tão carente quanto um japa.
As pessoas têm que entender que tem coisas que simplesmente não podemos ter. Planta é a coisa mais elementar delas – geralmente as pessoas não podem ter um Porshe, ou uma girafa, ou uma mochila propulsora. Se não dá para comprar uma planta, bota um quadro, um enfeite, qualquer coisa!
O que mais me irrita são aquelas gotas artificiais. A planta é de plástico, e o artesão bota umas gotas de cola derretida, que vão secar depois, para dar um ar saudável. É como se ela passasse por uma brainstorm, com o pessoal matutando: como deixar isso mais tosco, pessoal? Bem, quando eu vejo uma dessas, sou implacável: arranco todas as gotas. Primeiro porque é gostoso arrancar, segundo porque vai pro caralho porra tosca dos infernos.
Desculpem, mas é que essas coisas me tiram do sério…
Pedro

