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Archive for fevereiro, 2009

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fev 28

Plantas de mentira

Algumas coisas não deveriam existir. Se você inventa uma estrovenga qualquer, mas ninguém gosta e depois todo mundo esquece, ok, ela existiu, mas o mundo não a legitimou. A estrovenga em questão recebeu um carimbo vermelho da humanidade e foi para o inferno das coisas ilegítimas (nesse inferno, tem uma ala só de Teletrins, por exemplo – que chegou a ser moda, mas o povo se livrou a tempo. Obrigado, celulares).

Deixo claro que pensar em bomba-atômica, por exemplo, não é o correto, uma vez que  as potências malignas jogadoras de war têm bomba independentemente da opinião da galera. Aliás, não tem como saber se o povo legitimaria, pois não dá para comprar bomba-atômica na loja. Tudo bem que no Paquistão dá, mas lá é muito longe, fica fora de questão.

Eu penso em flores artificiais… Por que eu odeio tanto isso e não para de vender???

Aqui em casa (santo lar – flores e relações artificiais), só no meu perímetro, encontro três plantas de plástico. Uma fica em um vaso de vidro e – suponho – imita um ramo de orquídeas amarelas. Na verdade verdadeira, graças a uns adendos esquisitos, que nenhum botânico seria capaz de identificar, a porra parece mais um pokemon planta. As “orquídeas” ficam em cima da mesa, o que me faz ter a desagradável sensação de almoçar olhando para elas. Mas a casa não é minha, não pago porra nenhuma, logo, não tenho direito de opinar.

As outras duas são iguais e imitam samambaias. Elas meio que fazem um conjuntinho, que lindo.  Pelo menos há ainda uma gota  (tipo de orvalho, daquelas que não dão para ver) de bom senso na família, afinal, não tem xaxim de mentira. Na verdade não tem xaxim algum, as paradas são presas em um suporte preto de plástico que fica escondido atrás do verde-vivo das plantas sem vida.

A primeira defesa dos infelizes que compram plantas mentirosas é que não podem ter plantas de verdade em casa, pois elas morreriam. Ô catsu, compra um hamster, uma calopsita, um cachorro, um pônei com cabelos longos nas patas – qualquer coisa viva! Resumindo, já que eu não posso ter uma samambaia de verdade, vou comprar uma falsa porque é a mesma coisa. Não é a mesma coisa, meu Deus. Então, se eu não posso ter um cachorro, vou comprar um cão eletrônico japonês que dá cambalhota? Não! Até porque não sou tão carente quanto um japa.

As pessoas têm que entender que tem coisas que simplesmente não podemos ter. Planta é a coisa mais elementar delas – geralmente as pessoas não podem ter um Porshe, ou uma girafa, ou uma mochila propulsora. Se não dá para comprar uma planta, bota um quadro, um enfeite, qualquer coisa!

O que mais me irrita são aquelas gotas artificiais. A planta é de plástico, e o artesão bota umas gotas de cola derretida, que vão secar depois, para dar um ar saudável. É como se ela passasse por uma brainstorm, com o pessoal matutando: como deixar isso mais tosco, pessoal? Bem, quando eu vejo uma dessas, sou implacável: arranco todas as gotas. Primeiro porque é gostoso arrancar, segundo porque vai pro caralho porra tosca dos infernos.

Desculpem, mas é que essas coisas me tiram do sério…

Pedro

fev 27

Calendários Corra Mary

Post totalmente inesperado e de última hora.
Como nem todos que lêem o Corra Mary, participam da comunidade, resolvi publicar aqui também.

Desde o dia 14 de Janeiro, fizemos um “bolão” para saber quando a comunidade completaria 400 membros, e o prêmio para quem acertasse e para o 400 membro, seria um calendário do Pedro e do Thiago (dono da comunidade).
A pessoa que chegou mais próxima foi a Helô, que chutou dia 28, e completamos os 400 hoje, dia 27.
Ou seja, Helô só não é rica porque não joga na Mega-Sena.

Mas nossa querida Helô, reinvidicou o direito de Fi, seu namorado, também aparecer no calendário. Por isso, fora dado a ele, o mês de Dezembro.
Fizemos então dois calendários. O masculino, com Pedro, Thiago e Fi. E o feminino, Corra Mary, Helô e Fulana.

Confira aqui as fotos que já vazaram do calendário masculino (Pedro que deve estar felicíssimo pela escolha de sua foto):

calendariocom

The girls of the Corra Mary mansion:

girls-of-the-corramary-mansion

Com isso, algumas ideias surgiram de promoções imperdíveis como essa (loucura total), que serão todas feitas na comunidade. Então, quem quiser participar, entre na comunidade, tente não se assustar muito e seja bem vindo.

Corra Mary (Come on-a my house, my house a come on)

fev 24

Dinheiro e felicidade

P – É uma doideira essa vida. A gente tem milhares de momentos ordinários, cansativos ou chatos, e um momento ou outro de alegria. É um saco…

T – Pois é…

P – Mas acho que é bom, sabe? Porque aí a gente passa a dar mais valor à felicidade. Com um monte de momentos ordinários, cansativos ou chatos durante o dia, quando temos algo feliz, esse algo é muito feliz! (aquele que se contenta com pouco)

T – É…

P – É foda. Sei lá, se eu tivesse 10 milhões de dólares, ia fazer festa o dia inteiro, ia me divertir em todas as ocasiões. Mas no final de algum tempo, ia pensar “ai, que chato!”

T – Ok, mas é melhor assim do que passar por milhões de momentos infernais durante a vida e pensar “ai, que chato”.

P – …Tem razão…

G – Um dia, eu li na Patrícia Kogut uma nota que falava de uma BMW com o adesivo “se a minha situação está ruim com a crise, imagina a sua”.

P e T – Hahahahahahaha

P – Deus anota essas coisas.

T – Vão destruir essa BMW…

T e G – Hehehe…

T – É uma babaquice esse negócio de “dinheiro não traz felicidade”. A vida é bem mais fácil com dinheiro.

É verdade. Não que eu esteja nadando em verba, tal qual o Tio Patinhas, aliás, meu último post denuncia que eu estou na bancarrota. Apenas imagino que ter uma condição boa é simplesmente melhor do que ter uma condição ruim (bela análise, já me sinto um antropólogo descobrindo os grandes mistérios dos homens).

As pessoas percebem que grana não é tudo quando a grana não resolve. Eu até entendo, apesar de não vivê-lo,  esse insight que dá quando algo maior (não Deus, e sim câncer, Aids, acidentes fatais…) passa por cima de sua condição e não te dá chances de pagar pela resolução do problema. É uma maneira escrota de perceber o óbvio, mas enfim…

Aí Fulano Terceiro, o rico empresário, perde a família em um acidente de avião, e Fulanete, a empregada que está vendo o empresário chorar na Tv, filosofa: “viu, Cicrana? Dinheiro não traz felicidade, minha filha…”.

Tudo bem que, pelo menos, Fulano Terceiro não precisará esperar 48 horas para enterrar seus parentes e nem se preocupar com o ônus dos enterros. Quer coisa mais triste do que ter perrengue de grana para enterrar alguém? A tristeza e a dor do momento deveriam se concentrar em dar adeus aos falecidos – algo que Fulanete infelizmente não viverá, pois Fulana Odebrecht, sua patroa, não paga bem o suficiente para que uma ocasião catastrófica como essa cause apenas a dor necessária.

Ou seja, Fulano Terceiro, Fulanete e Fulana Odebrecht acreditam que dinheiro não traz felicidade. No entanto, só mesmo a Fulanete sabe que a pobreza traz menos ainda.

Pedro

fev 22

Serenidade

Há dois anos, estava em uma praia, à noite, totalmente deslocado, quando uma menina de biquíni veio correndo em minha direção.

- Obrigado, Deus, por me presentear mesmo sendo um menino pouco ligado ao Senhor e às religiões.

No entanto, a menina passou por mim para bater papo com alguém nas minhas costas.

- Porra, Deus! Tá na hora da pegadinha sagrada?

Era um luau com pessoas mais prafrentex do que eu. Perto dos meus semelhantes da ocasião, estava me sentindo meio quadrado, alheio, picareta, tal qual um pai paquerador. A cada cigarro que fumava, dava dois para quem pedia, só para ficar bem na fita.

Estava ficando com uma Gabriela e a menina, com um Gabriel.

- Porra, o moleque é todo estranho… Tudo bem que eu sou branquelo, esquisito e sem corpo, mas ele me ganha em estranhice.

Fiz piadinhas, ela riu, e um mês depois estávamos falando de amor, um em cima do outro, conversando e namorando até cansar. Bati numerosos recordes sentimentais com ela e me propus à presunção de tentar bater os dela também.

Um ano depois, estávamos secos por causa da rotina. Se existe um olho mágico que enxerga as coisas boas da vida, a rotina é a catarata que embaça essa visão. Não me arrependo de nada, mas assumo que via muito pouco no momento. Ela também, aposto. De qualquer forma, o caldo desandou de vez e cada um foi para seu canto para viver algo raro no mundo dos ex-namorados: um namoro sem volta.

Outro ano depois, cá estou eu em uma manhã ordinária, escrevendo numa aula tão ordinária quanto e pensando nessas coisas amorosas. Estou com uma espinha na cara que pode ser uma boa alusão ao tema – no começo da espinha, mexia na casquinha e doía horrores, sangrava e tudo. Agora até esqueço de arrancar, e quando o faço, sinto uma dorzinha, que, embora seja uma manifestação desagradável, é quase imperceptível.

Um ano depois do fim e dois anos depois do começo, sinto uma coisa que não sentia há anos. Serenidade. Noutro dia, estava em um ônibus, num dia ensolarado, ouvindo uma música instrumental, pensando em coisas absurdas. Imaginava que tinha tomado um tiro e estava me recuperando no hospital, todos sabiam que não era nada grave. Aí, na visita dos meus amigos, eu me fingia de doente e falava:

- Meninas, realizem meu último desejo… Me mostrem os peitos… Arrrf…

E começava a rir e todos riam também. Quando reparei, estava rindo desse devaneio mongol no ônibus, com o dia ensolarado e com a música instrumental.

- Isso deve ser felicidade. Estou indo para o inferno (estágio), mas estou rindo de bobeira. Que coisa…

(Aí, cheguei ao estágio e percebi de vez que a felicidade é algo momentâneo. De qualquer forma, é bom ter serenidade para notar essas coisas).

E também para notar que o mundo é um poço de pessoas sem personalidade e alma. Autênticos cones que vivem em função de propósitos tão mesquinhos que dá até medo. Mas, no meio dessa gente toda, existem milhares de exceções, que acabam por fazer as coisas valerem à pena. Que bom!

É fácil falar da vida quando as coisas estão uma merda. Mas acho que seria ingratidão com as circunstâncias se não falasse bem dela de vez em quando. Agora é um ótimo momento para isso.

Pedro

fev 19

Seu Darlit!

Eu amo quando as novelas da Globo são de histórias de outros países. Nós jovens podemos contar várias – Terra Nostra, que era italiana, O Clone, marroquina (inshalá! Hahah, que coisa infernal) e Caminho das Índias, que é de Trinidad & Tobago. Mentira, é da Índia. Eu sei que você sabe que é da Índia.

Na verdade, quando disse que amo, estava sendo irônico. A última novela que eu vi foi Laços de Família, de 2001, se não me falha a memória. Continuando…

Eu acho esses folhetins curiosos porque, teoricamente, elas deveriam ser incompreensíveis, pois não existe essa quantidade toda de gente falando português (brasileiro – carioca quase) na Índia, por exemplo. É como se fosse uma super colônia brasileira na Índia – Bem, no país temos 1,1 bilhão de habitantes, desses, uns 900 milhões são brasileiros, afinal, todos falam português, ó raios!…É claro que os autores têm que escrever na nossa língua, senão a novela seria uma merda horrenda. Pelo menos em português elas ficam só uma merda mesmo.

O mais engraçado são as nuances que os autores colocam no roteiro para lembrar os telespectadores que a novela se passa em um país diferente. São pequenos lembretes usados quando apenas a roupa e o ambiente já não bastam – até porque os cegos também têm direito de entrar no mundo novelesco. A fala é totalmente em português, mas alguns personagens salpicam umas palavrinhas indianas só para mostrar “oh, a novela é na Índia, hein?”

- Papai sempre vendeu tapetes, a loja é a maior da Índia.

- É verdade, pena que darlits ficam na porta empesteando o local!

- Oh céus, intocáveis! Ambabalai! Ainda bem que somos brâmani!

- Ainda bem! Ih, uma vaca! Que lindo!

Ou então rola aquela “interpretação tecla sap”, em que o ator fala uma frase qualquer em turco, aramaico, esperanto, e traduz imediatamente depois, antes que os telespectadores fiquem catatônicos.

- Mamãe, vou me casar com Dhalsin!

- Aia Bash Kash Nuruman! Nem por cima do meu cadáver!

Isso é simplesmente sensacional. É uma superficialidade que não dá para combater. No Marrocos da novela O Clone era igualzinho. Tinha a Zoraide, a Khadija, uma porrada de árabes que falavam melhor do que o Albieri, o cientista brasileiro.  Na novela italiana, os personagens falavam com sotaque italiano! Isso me faz acreditar que se eu for para a França falando “Ondê que fiquê le padarri?” todos vão entender e me indicar o croissant mais gostoso do pedaço.

É por isso que eu falo, novela é coisa de darlit…

Pedro

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