Prazer, Linda
jan 29

Noutro dia parei para pensar em como os pais de bebês recém-nascidos são a espécie mais inconsequente de ser humano. A primeira cruz que eles fazem a pobre criança carregar – que vai ser, a menos que ela recorra a um cartório depois da maioridade, levada até o fim da vida – é a de ter um nome que causa constrangimento. Como não se lembrar daquelas listas escrotas com toda a sorte de nomes esdrúxulos que pais puseram para castigar seus filhos? Parece que é vingança contra o rebento, seja porque ele nasceu acidentalmente ou proveniente do espermatozóide de alguém que habita o outro lado da cerca.
Mas o que mais me encafifa não são necessariamente esses nomes-punição que pais retardados inventam ou copiam de Roliúde. O mais preocupante são nomes até bonitos que os pais escolhem, mas que podem ser desastrosos para a vida social do filho. Por exemplo, há quem coloque na criança um nome como “Lua”. Mas imagina se quando crescer, a pequena Lua se transforma em uma enorme e redonda adolescente Lua? A garota, se não bastasse a gama de zoações que vai ter de enfrentar por não estar nos conformes estéticos impostos pela sociedade maligna e sensual (hehe, militei agora), ainda vai ser motivo de risada por ser “pelotesca” como o nosso satélite. É sacanagem demais.
Os pais não podem ver a criança na primeira semana de vida e dar um nome que tenha a ver com o que estão vendo. Afinal, a pobrezinha vai viver outras 4 mil semanas sendo chamada por um nome queima-filme, só por causa de um acidente chamado “primeira impressão”. Tudo bem que Lua não é o exemplo correto, mas é só pensar em um nome como “Linda”.
Já está mais do que provado pelas estatísticas mórmons que um bebê bonito não quer dizer nada. Ele pode tranquilamente ficar feio, mais ou menos, ou até horrível quando crescer. E imagina o constrangimento perpétuo que a menina vai ter, se for uma Linda feia? Provavelmente a gente consegue medir a feiúra das Lindas pela quantidade de apelidos que elas recebem.
- Meu nome é Linda… Mas todo mundo só me chama de Lili.
Fudeu, se falo com uma dessa pelo telefone, já sei que só pode ser bruaca, pois as pessoas ficariam com vergonha em chamá-la pelo nome. Afinal, os indivíduos à volta podem pensar que em vez de estarem chamando pelo nome, estão elogiando. Olha que coisa esquisita. Outro ponto estranho é o pensamento automático que floresce na cabeça quando se é apresentado a uma Linda:
-Prazer, Pedro
-Prazer, Linda
-(Linda e gostosa, né?) ou (Linda onde?) ou (Se seu nome fosse “Bonitinha” faria mais sentido) ou (prrrrrf, coitada, cara!).
É por isso que eu acho que certos nomes deveriam ser proibidos. Não é censura, não é que eu ame os militares e queira enfiar um arame fervendo na uretra de quem faz isso, mas é pelo bem da criança. Se quer botar algo que lembre o neném, bota Branca ou Clara para as branquinhas e bota Preta para as negrinhas, pronto! Ou põe Ana Carolina, Maria Claudia, Vitória, João ou Pedro e deixa a criança alimentar sozinha os próprios motivos para ser zoada no futuro.





