Archive for outubro, 2008

Corra Mary

(…)

- E aí, linda, ta aonde?
- Ah, to numa festa com as meninas…
- Ta bom por aí?
- Ah, sim, ta ótimo. Excelente. Melhor impossível.
- Que pena. Ia te chamar pra dar uma volta.
- Eu já tava de saída mesmo.
- Ué, mas a festa não está boa?
- É que me deu uma dor de cabeça, sabe, e resolvi ir pra casa.
- Pra casa?
- Errr… Quer dizer, pra casa não. Apenas sair daqui.
- Vai pra porta que to passando em 10 minutos.

Você percebe claramente que está pagando o papel de maior idiota do mundo. E ele, muito inteligentemente, se aproveitando disso.
Babaca
(Só não sabe quem é mais: Você ou ele.)

Você corre pro banheiro, retoca a maquiagem, ajeita os peitos no decote, penteia o cabelo, passa perfume, escova os dentes, e promete a si mesma que se antes de chegar na portaria, ninguém te cantar ferozmente, você volta ao banheiro e faz tudo de novo (o porteiro não vale).

40 minutos depois…

- Nossa, ta lindona, hein? Tudo isso é pra mim?
- Ah, que isso, maior cara de fim de festa.
- Mas e então, me conte. Como estava lá?
- Ah, tava legal. As meninas que me convidaram. Te contei delas já. A Rê, a Má, a Le, a Pá, a Lu, a Cá e a Andressa.
- Andressa? Porque é a única que não tem apelido?
- Não dá, vai contra a política dos apelidos. Chamar de que? “An”?
E por falar nelas, elas tão me ligando. Devem ter estranhado eu sair correndo da festa.

Num impulso besta, para mostrar que é muito amada pelas amigas, não pensa duas vezes antes de ligar o viva-voz.

- PORRRAAAA, CARALHOOOOO. ONDE VOCÊ TÁ? TÁ TODO MUNDO AQUI PREOCUPADO COM VOCÊ.
- Oi gente. Fui embora com o…
- AHHH, SAFADINHA. VAI DAR! HOJE TEM! DEIXA EU CONTAR ISSO PRAS MENINAS:
PODEM FICAR TRANQUILAS, ELA TÁ DANDO!
- Errr… Hmmm… Posso te ligar quando chegar em casa?
- CLARO, VOCÊ É MINHA GAROTA, LEMBRE-SE SEMPRE DISSO. TE AMO, AMIGA! ALIÁS, NÃO SE ESQUECE DO QUE TE FALEI: VOCÊ NÃO PRECISA FICAR INSEGURA, A SUA INFECÇÃO URINARIA JÁ ACABOU. DERMACYD FAZ MESMO MILAGRES, NÉ?
AI, ACHO QUE TO PASSANDO MAL… ME LIGA DEPOIS, AMIGA.

Você desliga o celular, passa a mão no rosto enquanto pensa na melhor maneira de uma morte rápida e não dolorosa. Aqueles infernais segundos demoravam uma eternidade para passar. E você nunca odiou tanto suas amigas bêbadas, como naquela hora.
Ele corta o silêncio:

- Espirituosas suas amigas.
- Elas são assim mesmo.
- Mas então, preciso conversar com você.
- Sobre…?
- Nós.

Ahhh,é agora que ele vai te pedir em namoro.Você sabe disso. Não há outro motivo para ele sexta a noite sair da casinha dele, onde dormia tranqüilo, para encontrar com você. Mas… Pera lá. Que cheiro é esse?
É perfume de mulher, e se não é seu, ou ele trabalha como transexual de boate brega, ou não estava tão tranqüilo em casa assim.
Filho da puta.
E então você começa a rezar seriamente para seu quase-futuro-nem-tanto-assim-namorado ser Kelly Christine a noite.

- Fala logo e não faz rodeio.
- Minha ex me ligou hoje à tarde pedindo pra me ver.
- O que ela queria?
- Voltar comigo.
- E você disse o que?
- Tudo bem.
- Tudo bem o que? Tudo bem, você vai conversar e dizer que não, ou tudo bem, você vai voltar?
- Tudo bem, eu vou voltar.

Boa, garota. Você acabou de sair de uma festa falida, levou uma vomitada na sandália nova, suas amigas te fizeram passar por bichada na frente do boy. Que por sua vez, está te dando um pé na bunda, acabou de voltar com a namorada, você está apaixonada. E a poha do fds só está começando.

Você respira fundo, e tenta manter a calma.

- Ah, ta. Que legal.
- Não ta chateada comigo não, né?
- Claro que não. Porque eu estaria? Só porque você, o cara que eu estou saindo há meses voltou com a falecida ex, que eu nem sabia da existência, e me conta isso sem a menor cerimônia? Isso lá é motivo preu ficar chateada?  AHh, me dá um abraço aqui, moleque!
- Ta, calma. Deixa a ironia pra depois. Fiquei até assustado.
- Ei, porque essa é a terceira vez que a gente passa por aqui? Minha casa fica pra lá.
- Eu sei, é só pra ter mais tempo com você.
- Comigo? Não to te entendendo…
- Você sabe que eu sou apaixonado por você, né?
- Garoto, você acabou de voltar com a sua ex. Do que você ta falando?
- Lindona, você se prende muito aos detalhes.
- Para o carro que eu vou descer.
- Ah, não. Sem ataque de pelancas. Você não é disso, Gatinha.
- Não sou disso? Eu só quero ir pra casa e dormir. E você, deveria fazer o mesmo.
- Ta bom, ta bom. Te deixo em casa.

Filho da puta. Filho da puta. Filho da puta. No caminho todo, você só consegue pensar em uma coisa: Como uma mãe tem coragem de pôr um babaca desses no mundo?
Filho da puta…

- Pronto, entregue!
- Obrigada.
- Boa noite, e desculpa qualquer coisa, viu?
- Posso te fazer uma última pergunta?
- Claro.
- Ela é coelhinha da Playboy?

Fulana

Chego na farmácia e vejo uma fila, atrás do balcão uma loira de um lado e uma morena do outro, um homenzinho percorria a fila pegando as compras das pessoas e anotando os pedidos que tivessem que ser retirados direto no balcão(quase um Mc Donald’s). A loira berrava “diane 35″ e a menina de 14 anos que queria fazer besteirinha no final de semana mas jurava para todo mundo que tomava pílula para controlar as espinhas se dirigia até a loira. “Deltacid” berrou a morena, e uma piolhenta se dirigiu até ela para pagar o seu produto. “Prozac“, e lá foi o depresivo se dirigir até o caixa, “benegripe“, e lá se foi o ranhento todo sorridente.

Avistei um colega de aula e mais uma conhecida de infância na fila. Peguei o meu produto e comecei com um pensamento positivo: não vou ter vergonha! Encostei o meu produto na barriga e pressionei com a pasta contra mim como se estivesse segurando a pasta e somente ela. “Corega tabs“, vai lá dente amarelado pegar a chave da sua felicidade. Chegou a minha vez, cheguei ao caixa sã e salva(sou muito estrategista, sempre). Me atende o pateta que antes estava percorrendo a fila.
- Somente isso?
- Não. Seu Panvel, eu quero também um negócio pra me manter acordada, parece que se chama ligadão.
- O ligadão nós não temos, mas temos esse aqui que é semelhante.
- Tá, mas semelhante como? (Trancar filas é minha especialidade. Reze para nunca ficar atrás de mim na fila de ônibus)
É nesse exato momento que toca meu telefone e anta loira berra “Absorvente”. Atendo o celular, debato com o farmacêutico sobre o negócio pra me manter acordada e penso: vai lá ô menstruada. “Absorventeeeee“, a anta loira sacode o troço pra cima, esperneia, só faltou brincar de malabares com a porra do absorvente. Sim, a menstruada era eu! Mas que cocô! Num determinado momento ela tem a brilhante idéia de perguntar ao homenzinho que me aguardava falar no celular “Este absorvente é da tua cliente?”, ela pega o próximo produto para começar a sacudir e gritar e agora é a vez da anta morena “absorvente”, não satisfeita: “absorvente sempre livre, com abas, ultrafino…”, o pateta finalmente pegou a porra do absorvente da mão da mula. Desligo o telefone e continuo falando sobre o negócio pra me manter acordada e começa tudo outra vez. “Absorvente. Pessoal, de quem é esse absorvente?”, a panvel inteira poderia responder em couro: é dessa fulana que taí aí na tua frente.
- Eu não quero mais saber sobre o negócio pra me manter acordada. Se tu diz que funciona eu acredito.
- Certo. Dá oito reais e trinta e dois centavos.
- Moça, se alguém vem comprar um viagra aqui vocês gritam “viagra” também?

Na próxima vez que eu for na panvel perguntarei se gritam supositório.

Fulana

Pedro

- Mas esse ônibus que não passa hein? Eu não agüento mais esperar.

-Cara, eu faria tudo pra passar um ônibus agora…

- Tudo? Até favores sexuais desagradáveis?

- Nããão… Isso não… Quando eu falo que eu faria “tudo”, você tem que pôr o bom senso pra funcionar e sacar que não é realmente tudo. Cometeria pequenos delitos ou passaria por pequenas privações… Sei lá! Coisa pequena…

- Como assim?

- Tipo… Se Deus aparecesse agora e falasse: “meu filho, eu troco a sua espera pelo ônibus por uma crise de soluços”, eu iria pra casa tranqüilamente soluçando no ônibus. Eu odeio soluçar, mas eu odeio mais ainda esperar um ônibus às 4 e meia da manhã… Entendeu?

- Mas você cometeria até delitos?

- Pequenos delitos… Sei lá… Deixa eu ver… Cuspir pela janela do ônibus na cara de alguém… Usar dinheiro falso… Matar três chineses…

- É um pequeno delito matar três chineses??

- Tem tanto chinês no mundo… Três não vão fazer falta. Se Deus aparecesse e falasse: “Meu filho, troco a sua espera pelo ônibus pela morte repentina de três chineses à sua escolha”, eu aceitaria na hora… Ainda deixaria Deus escolher os três coitados, não tenho raiva de nenhum chinês especificamente. Eu não gosto muito daquele sovina metido a malandrote daquela pastelaria perto de casa… Mas eu não sei se ele é realmente chinês, não mataria o cara à toa.

- Mas você não teria pena não? Chinês tem mais de um bilhão no mundo, mas são gente como nós! Têm carne, osso, sentimentos… Se ainda fosse um norte-coreano, tudo bem, mas chineses têm vida, vai… Imagina a tragédia que você iria cometer…

- Não exagera rapaz. Você sabe como é absurdo lá… Aqui uma enchente mata 4 pessoas… Lá uma garoa mata 5 mil. Aqui cai um avião e o país pára. Lá um terremoto mata 100 mil pessoas e o país continua pomposo, crescendo 10% ao ano. O peso é diferente… Eu matando 3 pessoas, acho que eles nem perceberiam… Aqui daria merda.

- A China fica pra onde?

- Hummm… A praia de Copacabana está pra lá, logo, a África deve ser pra ali… Hummm… Bem, a China, indo pelo pacífico, é aqui atrás eu acho.

Eles viram pra trás…

- É pra cá? Que coisa, né? Se eu ligasse aquele laserzinho vermelho, só que super potente nessa direção, eu poderia cegar um chinês daqui a um segundo!!!

- Pois é, o mundo não é ta grande assim, vai…

Depois de 3 minutos virados para trás, passa o ônibus desgovernado voando pra calçada…

VRUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUMMMM!!

Os dois são esmagados pelo ônibus que estavam esperando…

E, no mesmo momento, em algum lugar na China…

- jingo lingo nakamura okanoka…

(Mataria dois brasileiros pro ônibus passar logo…)

- Chang jong sei mei lin!!!

(Ahh, cara, eu também!!!)

Corra Mary

Trecho 1
- Acorda, Anna. Acorda!
Pare de se lamentar pelo que não tem jeito.
Levante-se. Tanta beleza te espera, tantas pessoas, tanto de tanto, e você aqui, implorando permanência do seu desespero próprio, se enterrando cada vez mais fundo. E não me digas que sou seu salvador. Ninguém poderá te salvar agora, porque a salvação te seria uma desgraça. A poesia da sua vida é a sua tristeza, os dias em que sofre, chora e se joga no chão achando que não mais suportará; enquanto os dias de sol forte lhe são puro pavor.
Não te consumas, não consumas a mim, e não exijas o que não posso te dar.
Eu não posso te dar; mil vezes não posso, e convivo com isso a cada noite que deito na cama e nossas memórias são tão fortes, que quase sinto sua respiração. Mas por mais que machuque, ainda assim, eu vivo.
Nunca esperei felicidade de você, e se ao seu lado, minhas lembranças são felizes, fora porque eu as fiz assim.
Você quer viver eternamente em Romeu e Julieta, e qual clichê maior do que esse, para te lembrar que eles morrem?
Anna, bota na sua cabeça: Não se pode tomar veneno e esperar que se acorde como de uma noite de sono.
Qualquer dia, tanto amor te matará…

Trecho 2
E essa história poderia acabar com a morte de um ou de outro, e teríamos a vida inteira para pensar no que seria de nós, “caso se”.
Mas na vida real, não somos presenteados com um fim irredutível, ela é cruel e nos obriga a continuar, observando por trás da árvore, promessas destinadas a outra pessoa.

E quem seria eu, para chamá-la de pessoa errada? Não havia sido essa, a criação que minha mãe me deu.
Ela me criara para ser uma mulher como ela; infeliz, mas forte; ferida até a alma, mas nunca patética.

E desculpa, mãe, desculpa por não ser sua cópia mais exemplar, desculpa por te tirar o sono, pensando no que fizeram comigo, no que eu fiz a mim mesma, tão já sem esperanças e entregue a minha primeira decepção, que a fazia envelhecer 5 anos, enquanto eu envelhecia 10.
Não me fale em dia de amanhã, não me leia poemas, nem me dê conselhos; dê-me tempo, dê-me espaço para reconstruir tudo outra vez. Reaprender a engatinhar, a andar, a falar, a me alimentar, a evitar o fogo, a conhecer as pessoas, e a correr para a mamãe.

Sei que é isso que preciso fazer, mas é que dói, mãe, dói tanto que por mais que o tempo passe, eu ainda me vejo no mesmo lugar, na casa de Tia Helena, com Pipoca no colo, esperando Catharina dormir, para ele bater na porta, me chamando para “andar por aí”, porque era assim que ele falava.
Ele erguia as sobrancelhas, falava pausadamente, esticava a mão e era impossível de não segura-la.

Ainda o espero, penso que é só uma fase, mas dentro de mim, lá no fundo, sei que por mais que queira negar, nunca mais verei D. novamente. Ele era de Catharina, a Catharina pertencia, e com Catharina ficaria.
E ela teria que nascer de novo, para conseguir em uma vida inteira amá-lo o que eu amava a cada segundo.

Meu maior castigo era viver sem D.

Corra Mary

Corra Mary

“Uma pessoa olhando para um celular que não toca - não há cena mais idiota. Os celulares foram justamente inventados para que ninguém precise mais ficar aguardando uma ligação ao lado do telefone.”
(Fernanda Young)

Sexta-feira à noite. Você não estava lá muito animada para sair, mas por insistência das amigas, toma uma chuveirada e vai à luta.
Elas te levam numa festinha “da galera da faculdade”.
Da faculdade delas, é claro.
V
ocê não conhece ninguém. Chega, senta num canto e vira melhor amiga da garrafa de Tequila.

Lá pelas tantas, saca o telefone da bolsa, coisa típica de quando você não tem absolutamente nada pra fazer, e resolve então ligar para o boy.

O boy:
Um carinha boa-pinta, primo da sua amiga, que você sempre encontrava quando dormia na casa dela. Ele quase nunca ia lá, mas sempre resolvia dar um oi pra tia quando você se encontrava de pijama, cabelo preso e creme no rosto.
Mas apesar de tudo, ele ainda se interessou por você, e vocês começaram então a se ver.
Um rapaz que definitivamente possuía todas as qualidades para ser seu.
É, pois é, mas aí que se encontrava o problema: Ele não era seu.
Mas como mulher forte que você sempre foi, estufava o peito e dizia: Ainda não!

O telefone tocou… Tocou… Tocou… Tocou… Toc.. Puta que pariu, não vai atender não, bosta?
E você desliga o telefone e faz cara de empadinha:
É, ele não atendeu… De novo!
Ele não quer falar com você.
Óbvio que não. Deve ter conhecido uma guria lindíssima esses dias. Tipo coelhinha da Playboy, se apaixonou por ela e se mandaram para Bora Bora.
Ela é rica, tem a bunda do tamanho do Brasil, peitos siliconados e é burra feito uma porta.
Pronto, ele não larga dela, nunca mais.

Mas cadê a consideração? Ta certo que se ele te ligasse e falasse tudo isso, você o chamaria de tudo, menos de bonito. Mas na situação em que você se encontrava, qualquer coisa era melhor do que ser rejeitada.
Você se encontrava bêbada, numa festa cheia de faculdandinhos estúpidos, com suas amigas perdidas e um celular na mão que irritantemente não emitia nenhum sinal de vida.

Ta, mas e se ele estiver no banho?
É uma hipótese, né? As pessoas tomam banho (pelo menos, espera-se que sim, ainda mais quando a pessoa em questão é o cara com quem você está saindo), então é normal que não tenha ouvido, e vai que quando ele voltar, se esqueça de olhar o celular… Pode não ver que você ligou.
Quanto tempo já se passou?
15 minutos…  Hmmm… Ah, vai, homem não tem nem que depilar a perna, já deu tempo de sobra desse banho acabar. É bom você ligar de novo.

E o telefone tocou… Tocou… Tocou… Tocou… Tocou… Tocou… E dessa vez tocou tanto que caiu na caixa postal.

Esse é o ponto alto da sua humilhação. Ouvir aquela voz de máquina irritante que na sua mente deturpada não parava de te dizer:
Otária, você ligou para o cara que nunca vai te atender. Após o sinal, tome vergonha na cara e apague-o do seu celular… biiiip.

É… Ele com certeza não estava no banho. Ou se estava, deve ter se afogado nos 10 cm de água.
Bem feito. Tomara que morra. E bem feio e nojento ainda por cima. Inchado e roxo.
Pronto, é isso o que ele merece.
Num impulso repentino e raivoso, você apaga o número dele, as mensagens e qualquer rastro dessa praga na sua vida.
Definitivamente não quer mais saber. E ai dele se passar na sua frente pelos próximos… Hmmm… 60 anos. Vai ouvir um bocado. Você é linda, tá certo que não é nenhuma coelhinha da playboy, mas ele também não ía conseguir coisa melhor mesmo…

TRIIIMMM… TRIMMMMM…

- Oi lindona, me ligou?
- Ooooooooooooooooiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii, Xuxu… Liguei simm!!!!

[continua...]

Corra Mary