Viva os banheiros!
Em dado momento de 2005, estava eu em uma festinha na Lagoa. A casa estava permeada de biricoticos gostosinhos, parceiragens descoladas e menininhas sensuais. No meio de tudo isso estava eu, com uma menininha nĂŁo tĂŁo sensual, mais ainda assim com certa beleza interior e exterior, bebinho com os amigos e me sentindo o rei do mundo.
Depois de tanto beber, meu estĂ´mago se tornou uma espĂ©cie de casa de suingue alcoĂłlica que fervia a valer. Meu affair, coitada, sentada no meu colo, pressionava de certa forma a minha barriga com seu dorso, e eu já pensando no pior: vou vomitar na nuca dela se nĂŁo agir a tempo… Levantei tropeçando atĂ© nas formigas e fui ao banheiro para negociar com a privada a limpeza da orgia no meu estĂ´mago.
Passei mal, mas com iniciativa prĂłpria, algo tĂpico dos fortes.
Levantei e comecei a conversar com o espelho, coisa que toda pessoa faz nas 317 vezes em que vai mijar numa festa.
- Fudeu. Estou todo poluĂdo por dentro e ela vai reparar imediatamente, o que eu faço!? Já sei! Vou escovar os dentes com essa escova… Bom, nĂŁo sei de quem Ă©, mas com certeza ela está mais limpa do que eu.
- Humm… E se a escova for dela?
- For dela Ă© quase um cacĂłfato… Bem, eu bochecho antes de usar, ninguĂ©m vai perceber.
Depois de conversar comigo mesmo, escovei os dentes, dei descarga e saĂ prontĂssimo para outra. Fui tomar uma coca para disfarçar o gosto da pasta de dente que foi usada para disfarçar o gosto do leque de bebidas que eu expeli. De qualquer forma, no final deu tudo certo!
Só contei essa história para mostrar que o banheiro é o cômodo mais especial da casa e é o que mexe com mais energias e anseios do homem, sejam eles os mais primitivos ou os mais derivados. Ele é tão importante que merecia um livro tipo “Feng Chui só para toaletes”.
É sĂł reparar que nunca entramos no banheiro Ă toa. Sempre há um propĂłsito que nos transformará em pessoas diferentes das que entraram. É como se fosse uma sala da transformação: saĂmos do banheiro mais limpos, ou mais aliviados, ou mais frescos, ou mais cheirosos. É um lugar que cria cumplicidade com seus ocupantes. Ele, no mĂnimo, te vĂŞ pelado, ou em posições super constrangedoras pelo menos uma vez por dia. Tem gente que tem tanta cumplicidade com o prĂłprio banheiro, que nem defecar fora de casa consegue. É um misto de serenidade, aconchego e costume que sĂł o prĂłprio lar pode oferecer, a tal ponto que há praticamente um contrato nĂŁo-verbal entre ânus e privada. Grosso modo, fazer fora de casa Ă© como trair a prĂłpria bunda.
ClichĂŞs a parte, eu sĂł tenho a agradecer a quem inventou esse cĂ´modo, embora seja apenas lembrado nas horas difĂceis e preterido ao longo das dĂ©cadas.
Pedro
