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Archive for agosto, 2008

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ago 16

Elevador tem 4 lados

Tenho horror a elevador.
É bom começar um post assim, bem sincero, super direto; do que ficar enrolando, enrolando pra no final dizer exatamente o que eu já poderia ter dito no começo: Tenho horror a elevador.

Moro no 5° andar de um prédio que ainda foram inventar garagem e play, o que transforma esse 5° em 7°, complicando assim a minha vida e facilitando o meu ódio. Ir de escadas até dá, mas é tudo muito escuro, cansa pra dedéu, e ainda tenho uma fobia desde criança de que escada de prédio sempre tem barata. E vamos concordar, barata é um bicho escroto.

E elevador com a galera?
Ah, que beleza… Sempre entram uns 2 ou 3 a mais que o limite máximo, todo mundo se aperta e você já fica esperando aquele engraçadinho que vai dizer: “Elevador tem 4 lados!” Esse cara é o mesmo babaca que também costuma soltar piadinhas como “é pavê ou pacomê?”, ou que se esconde no meio da rua quando passa um carro de polícia. É um amigo de um amigo, que você nunca sabe bem ao certo de qual. E em momentos como esse, você cogita a possibilidade de não ser amigo de ninguém, simplesmente um cara que misteriosamente brota nos lugares, descobre não se sabe como, não se sabe com quem, já que ninguém nunca teria mesmo coragem de assumir a culpa por ter levado o mala.

Mas mais odiável que elevador, só elevador que demora. Você entra, aperta o seu andar, e aquilo leva séculos. Dá tempo de você dormir, celular acabar a bateria, começar um relacionamento, acabar e aquilo ainda tá num andar bem longe do que você quer.

É necessária toda uma preparação antes de se entrar no elevador. Ainda mais se já tiver alguém lá dentro. As velhinhas vão sempre puxar papo com você. Dizer que você tá grande, que te viu pequena e tudo mais que você não quer saber, mas que elas vão adorar te contar. E mesmo que não seja uma vizinha, velha, chata e gorda, é sempre alguém que você não faz a menor questão de dividir alguns minutos da sua vida de puro tédio. Você enxerga ao longe a pessoa que vem caminhando na direção do elevador em que você está, ela grita “segura o elevador”, vc se faz de surda, e bem baixinho repete seu mantra sagrado: “Fecha, fecha, fecha, fecha!”.
Não é nada pessoal, apenas não tem como ficar feliz em ver alguém no elevador. Encontra na portaria, em casa, na rua, sei lá, mas me faça o favor, no elevador não!

Corra Mary

ago 11

Deus e Nicácio

Deus fez o mundo em seis dias e bebeu umas caipirinhas no sétimo. Disso todo mundo sabe, não é novidade para ninguém. O que as pessoas costumam falar erroneamente é que ele tem senso de humor, devido às supostas invenções estapafúrdias creditadas ao seu nome.

Na verdade, Deus tinha uma construtora chamada GodCorp: “Construindo um novo mundo”. E, assim como todo chefe de empresa, tinha alguns estagiários que faziam trabalhos esdrúxulos, ou seja, de estagiários. Por exemplo, na GodCorp, eles colavam as folhinhas nas árvores, desenhavam as nuvens e moldavam os vulcões.

Só que no final do sexto dia, Deus teve que resolver uns problemas burocráticos em algum lugar (ninguém sabe onde é… Só sei que tinha a ver com pendengas do CNPJ, de imposto, alguma porra dessas) e teve que, excepcionalmente, deixar alguém no lugar de criação, cargo que, originalmente, era só de Dele.

- Nicácio, chegai mais, meu filho. Nesta tarde terei de resolver uns trâmites e vós ficareis na área de criação.

- (fudeu) Sim, Senhor!

- Mas não vos preocupe, o trabalho já está praticamente feito. Usai esse tempo para criar coisas que não me dêem vergonha, ok?

Quatro horas depois, Deus voltou caminhando calmamente, observando todas as suas invenções, como era criativo! Via os cajuzeiros, as cachoeiras, as lebres, os ornitorrincos… Hã?!?! Ornitorrincos?

- Caralho, já inventei a lontra e já inventei o pato!!!

Na GodCorp…

- NICÁÁÁÁÁCIO…

- Fala aí, chefe, fiz alguns trabalhos que são verdadeiras obras de arte!

- Nicácio, porque eu te fiz? O que foi aquilo que eu vi na rua?

- Foi um orn…

- Ornitorrinco, eu sei, eu sou onisciente. Mas para que!?

- Chefe… Estava faltando focinho e sobrando bico. Resolvi experimentar, pus um veneno, umas garras… É uma espécie de lontra, só que tunadona!

- !?!?!?!

- Eu fiz esse aqui também (tira de um pote outro animal). Não é bem um urso, não é cachorro… Só sei que tem um nariz sensacional. Chama-se Coala. Bolei um troço muito louco, Deus, ele só vai comer folha de eucalipto! Vai ser o único animal de hálito fresco na Terra! Fiz também um muito criativo… O bicho tem uma bolsa para guardar os filhotes e se movimenta pulando! Por que o Senhor não pensou nisso antes?!

- Porque é algo idiota, Nicácio…

- O Senhor não vai se livrar deles, né? Diz que não! Eles são lindos!

- Oh céus… Já sei! Pegai todos esses animais idiotas e jogai na Austrália. Lá vai ser o último lugar a entrar no mapa mundi, será conhecido como novíssimo mundo! Porque aí os humanos terão tempo para se acostumar com a própria idiotice e nem vão ligar quando reparar as suas.

Agora vocês entendem porque Deus encheu a cara no sétimo dia, né? Foi pura Vergonha.


Pedro

ago 06

Geopolítica pedante e especulativa

Passamos por um merdelê danado na América Latrina há uns meses atrás, graças a uma indisposição diplomática entre Álvaro Uribe (do time estadunidense, por onde já passaram Lon Nol, Ehud Olmert, Zeca Bordoada e Camilo Castelo Branco), e o bloco “vermelhos do curral”, com Rafael Correa e Hugo Chávez, que em outrora contaram com Pol Pot, Daniel Ortega, Elba Ramalho e Luiz Carlos Prestes).

Aconteceu que, arbitrariamente, o governo colombiano disparou algumas bombas (10, para ser exato) na cabeça de alguns membros das Farc, enquanto eles dormiam (que se danem, os reféns também estavam dormindo). Mesmo com Chávez sendo todo esquentadinho e cheio de pólvora em seu interior, esse não foi o maior problema. O acampamento bombardeado estava na berola do Equador, quase Colômbia. Por ser quase Colômbia e não Colômbia totalmente, foi considerada uma infração cavalar, porque, de fato não se brinca com a berola dos outros países.

Fidel sentia as trombetas da guerra; Rafael Correa se sentia estuprado; Daniel Ortega xingava o outro lado de feio, bobo e chatonildo; Celso Amorim fazia “bibibibibi” (símbolo internacional de ponderação); Bush se perguntava se as farc são um país; minha avó via Big Brother e Chávez estava louco para sair na porrada.

Mas, como era de se esperar, todos tomaram um porre de Maracujina com cachaça dominicana, e os ânimos se acalmaram. Mas será que dá pra imaginar como seria uma guerra aqui em cima!?

Bom, a Colômbia estaria com dois fronts, um a norte e nordeste, uma pica, pois enfrentaria uma Venezuela com vários “comandos em ação” novos, direto da Rússia. E outro, a sudoeste, pinto, o pequerrucho Equador, de cujo exército usa zarabatanas talhadas na altitude. O governo americano, amigão e solidário, jogaria War da seguinte maneira com a Colômbia: peixe grande com peixe grande, manjubinha com manjubinha.

O Brasil mandaria uns dois mil soldados. Mil para cada lado, que é pra ninguém reclamar que a nossa terra não é uma potência regional, amiga de todos. Mas eles ficariam meio que longe da sanguinolência, porque o Brasil perdeu as práticas covardes de guerra na Guerra do Paraguai. É claro que nenhum vai se lembrar de levar o livro do Sun Tzu.

A Islândia enviaria um soldado. Não sei se vocês sabem, mas a Islândia tem essa tradição (ou mania, não sei) de mandar apenas um soldado para cada guerra em que se enfia. Foi assim no Iraque. Aliás, o mesmo soldado que estaria lá, pegaria um vôo Bagdá/Selva Amazônica imediatamente. Pois é, o país com mais exibições dos filmes do Rambo per capita deve ser a Islândia.

A França não mandaria nada, afinal, Ingrid Bettancourt já está em seu devido lugar (França, Colômbia, Ilha de Caras, sei lá!) e o esforço diplomático foi todo para o saco.

Obviamente o lado estadunidense iria ganhar. A Venezuela e o Equador seriam partilhados, em uma espécie de néonéo-imperialismo, e as super reservas de petróleo venezuelano seriam dadas de bandeja para os Estados Unidos. Ou seja, com o fim dessa guerra, a nova empresa B.U.S.H (Bolivar & United States Hydrocarbonets), faria com que a guerra no Iraque fosse desnecessária, e terminaria tudo por lá também. Dois coelhos com uma cajadada só!

E os elefantes começariam a voar que nem o Dumbo.

É por isso que agora eu penso: santo Maracujina com cachaça dominicana!


Pedro

ago 04

Mês do desgosto

“Enfim, eis os teus irreversíveis versos.
Limpamo-nos um do outro sem maior dano
que acrescentar descrença a um sonho já roto.
Não houve fotografia para rasgar, nem um cão que
sinta tua falta ou crianças para dividir. Nenhum amigo
lamentará nosso triste fim e servirá de memória do que fomos.”
(Alessandra Bonrruquer)

Notícias ruins deveríam ser dadas pausadamente, sílaba por sílaba, para que a espera, no começo do 9 mês em que pequenos-fudidos nascem, não traga aquela sensação babaca de desconforto. O ridículo que se presta para gritar todos os demônios, só para se sentir mais gente. E ninguém quer ser gente. Só na dor. Na dor todo mundo quer, mesmo que para isso aquela cara escrota de coitado seja o seu cartão de visita menos medonho.

A corrida por um vagão no metrô será o suficiente para as lembranças possuirem os pensamentos livres e não haverá “Mãe” que possua os búzios e cartas necessários para explodirem o presente sem regugitar o passado.
Uma só palavra é tudo o que fica e ela bate lentamente para machucar e incessantemente para não deixar esquecer.
É a morte da espera escondida, ridícula mas esperançosa de que num timbre de brincadeira misturado com irônia (bem aquela), o que se perdeu, volte, sem chuva de tempestades anteriores, que já toda encharcada, o seu desespero de se molhar beira a fobia.

A fase final, virá após um verão quente, em que cabelo, pêlos e roupas, tornam-se tão incomodos quanto a existência de fotos guardadas na caixa de sapato número 38. E apelidos, mãos, risadas e tudo mais de lindo que doa, farão gritos, chutes na parede e promessas quebradas, se tornarem bancos de praça: Verdes, descascados, e jazidos ao lado de estátuas que sorriem o ano inteiro enquanto servem de banheiro público para pombos que se bronzeiam no sol do meio-dia.

Hoje o corpo putrefato, morto, ressuscitado, e morto novamente, fora sepultado. Sem flores, só velas. E velhas.
Com os dizeres: Canta, canta, canta, que enquanto você canta, o pensamento desencanta.


Corra Mary

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