Castelo de Dragões
jun 13
“Ser execrada por você funciona como um desses exames médicos mais graves, em que “negativo” significa o melhor resultado possível.”
(Fernanda Young)
Olá,
Pode parecer estranho até mesmo para mim, mas resolvi escrever uma carta inteirinha só para você. Depois de tantos esforços para chamar minha atenção seria indelicado da minha parte, não acolher tais apelos tão desesperados.
Sempre achei de uma nobreza ímpar, ajudar os mais necessitados, por isso peço desculpas por não ter dado tanta atenção no começo, mas na minha tola ignorância, sua fixação por tudo aquilo que gostaria de ser, seria passageira.
De uns tempos pra cá, resolvi começar a cuidar mais da minha saúde, já que da minha vida quem fazia questão de cuidar era você, e acho que era isso que mais te deixava furiosa. Você tinha achado alguém que não sentia prazer em entrar naquele jogo de gato-e-rato que você tanto amava, mas algo maior tomava minhas forças o suficiente para não prestar atenção em você: Ser feliz.
Meus sorrisos te eram de um incomodo extremo, e era por isso que eu sorria o tempo todo. De boca aberta e com um som bem alto, enquanto observava o ódio no seu andar passando por mim, com a podre ilusão de que sua presença me intimidaria.
Mas não havia perigo que me tirasse daquela cadeira, eu tinha sido vacinada contra você e se podia me dar ao luxo de sorrir sossegada, era porque havia enfrentado dragões muito antes de chegar ao castelo, and you know what I’m talking about.
Não preciso me preocupar se você lerá essas palavras ou não. Escrevê-las é a certeza necessária de que chegarão ao destinatário correto. Você não mede esforços em ir atrás de tudo que possua o meu cheiro.
Há quem diga que tudo isso não passa de amor reprimido, e se for esse o caso, perdão de novo por te desapontar, mas seria impossível.
Sua cor de cabelo nunca combinaria com meus sapatos.






