“Acende um cigarro e tudo ganha mais sentido. Agora não apenas olha para um celular – olha para um celular, enquanto fuma. Poderia ficar assim pelos próximos anos.
Gosta da pose em que está: fumando, com o olhar de soslaio. Imagina que, se houvesse alguém para vê-la, estaria linda”
(Fernanda Young)
Você não desgruda do telefone. De minuto em minuto checa a caixa postal, o correio eletrônico, até o celular da sua avó você já deu uma olhadinha.
Em vão… Nem uma mísera ligação. Nem torpedo, nem mensagem de voz, sinal de fumaça, pombo-correio, código Morse. Nem o que fosse. Não há nada dele. Absolutamente NADA.
Ele tomou Doril, e sumiu da sua vida como se esquecer fosse a coisa mais fácil do mundo.
E talvez realmente seja. Apenas você que nasceu no mundo errado.
Ele nem ao menos se deu ao trabalho de te dar algum motivo para sentir raiva.
Não seria assim mais fácil? Com uma mensagem mal criada, uns xingamentos aqui, palavras feias, e pronto: Ódio total.
Ou então quem sabe desfilar com outra na sua frente.
Ou o que fosse… Seria mais fácil.
Aliás, qualquer coisa seria mais fácil que aquela situação.
Você poderia se vestir novamente de todo seu orgulho e abrir a bocona naquele discurso de “Não estou nem aí.”, “Não me importo mais”, “Não quero nem saber”, e todos olhariam e falariam “Nossa, como essa menina é forte”.
Forte? Pufff… Só você sabe como é na hora de dormir.
Maldita hora.
Parece que tudo o que sempre esteve lá, resolve incomodar mais do que o normal assim que você bota a cabeça no travesseiro.
A verdade de todo um dia, mostra a sua infelicidade nas horas intermináveis que precedem o sono.
Corra Mary
