Corra Mary

18 jun 2013

Vândalos ou vandalizados?

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Nunca achei que fosse viver para ver o brasileiro se cansar de tomar na bunda e ir às ruas protestar. Nunca achei, principalmente, que faria parte disso. Quem disse mesmo que brasileiro é preguiçoso e acomodado? Talvez o que estivesse faltando fosse mesmo a gota d’água. Uma hora ia explodir. E ia explodir na cara de alguém. Poderia ser na cara do Lula, poderia ser na cara do próximo, mas calhou de ser na cara da Dilma. E explodiu. Explodiu e agora, segura a batata assando, Dilma! Segura essa, porque é só o começo.

O dia de ontem será estudado pelos nossos filhos na escola. 17 de Junho de 2013, o dia em que o país saiu do “deitado eternamente em berço esplêndido” para “verás que um filho teu não foge à luta”. O dia em que o Rio de Janeiro reuniu 100 mil pessoas e não era carnaval. O dia em que São Paulo reuniu 65 mil e não era futebol. O dia em que os 10 mil de Brasília invadiram o congresso. O dia em que deixamos bem claro que o Brasil é dos brasileiros. Ao todo foram mais de 250 mil pessoas em todo o país. Uma marca histórica. Hoje, pela primeira vez, posso encher a boca e dizer com orgulho que sou brasileira.

Cheguei na manifestação às 17 horas. O número já era muito grande, mas quando se está ali no meio, é difícil dar uma estimativa minimamente precisa. Você não faz ideia do quanto de gente tem na sua frente e nem atrás de você. Você apenas leva a multidão ao mesmo tempo que é levado, e é uma sensação maravilhosa. Gritar até fazer eco. Bater palma até as mãos doerem. Não sentir mais os pés depois de 5 horas de caminhada.

protesto3Chegando na Cinelândia o grupo se dividiu. Alguns foram para a Alerj enquanto a maioria permaneceu ali. Eu e meu grupo ficamos por bastante tempo na Cinelândia. Estávamos bastante cansados e sentamos numa esquina para descansar os pés por alguns minutos. Alguns amigos e minha mãe me atualizavam através de SMS o que estava acontecendo não só no RJ como no país inteiro. Chorei por diversas vezes de emoção. Aquilo parecia um sonho. Se você caísse, todos te levantavam. Se você estivesse com sede, todos te ofereceriam água. O estranho ao lado era seu irmão e você poderia contar com ele. Um por todos e todos por um!

Certa hora decidimos ir para a Alerj. Chegamos lá e vimos de longe um fogo e soubemos na hora que era o carro que haviam botado fogo. Lamentei. Não tenho nenhuma pena de banco com vidro quebrado, pq o banco não tem pena de você na hora de enfiar na sua bunda no seco e com areia. Ficar puto com o governo, mas com dó de banco não faz o menor sentido. Mas lamentei pelo carro queimado de algum cidadão provavelmente tão indignado quanto todos os outros que ali estavam. Ok, respirei fundo e engoli. Ouvi tiros (alguns de bala de borracha, outros de fuzil) e bombas de gás sendo disparadas incessantemente. Podia ser Faixa de Gaza, mas era centro do Rio de Janeiro.

Ensaios de correria aconteceram algumas vezes. Sem dúvida nenhuma, foram os momentos mais tensos da manifestação. Tanto na Cinelândia, quanto na Alerj. Depois do primeiro ensaio de correria enquanto estávamos no olho da manifestação, bem no meio mesmo, percebemos que se algum tumulto ocorresse, nós estaríamos completamente fudidos. Passamos então a ficar em lugares estrategicamente posicionados para em casos de emergência, não corrermos risco de cair ou de sermos encurralado seja lá por quem fosse.

Voltei para casa com o coração na boca pensando em tudo que havia visto, escutado e sentido. Ninguém me contou, eu estava lá. Não li no jornal, eu vi. Não ouvi na rádio, ouvi da boca do povo. Na volta passei por bancos quebrados, por fogo na rua, por bombas de gás lacrimogênio, por policiais tensos e outros até mais calmos.

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Cheguei em casa e muito li sobre Porto Alegre e Rio de Janeiro. Muita gente que não saiu de casa dando pitaco se achava certo ou não invadir Alerj ou botar fogo em ônibus. Tem que tomar muito cuidado ao chamar alguém de vândalo, baderneiro ou terrorista. A partir do momento em que você compra o discurso do jornal e classifica alguém assim, você imediatamente escolhe um lado. Não estou querendo defender ninguém, apenas mostrar um ponto de vista extremamente difícil e complicado de enxergar, mas necessário.

Quem eram aquelas pessoas com molotov nas mãos e rostos cobertos e contra quem eles lutavam? Sou uma pessoa muito calma e pacífica, mas assim foi a minha vida inteira. Sempre tive plano de saúde, a melhor educação, sempre andei de carro e não só tive como terei oportunidades que a maioria daquelas pessoas nunca terão. Sou contra a violência, mas principalmente contra a violência que aquela gente passou e passa todos os dias de suas vidas. Vandalismo é o que aquela gente sofre desde que nasceu. Vandalismo é idoso morrendo em fila de hospital. É grávida parindo na porta de maternidade. É criança não tendo escola. É trabalhador não tendo trabalho. Como pedir educação à quem nunca teve oportunidade de se educar? Se toda ação tem uma reação, essa foi a reação de quem cansou de uma vida tão injusta e cruel.

É preciso também lembrar que revoluções só acontecem com guerras, com lutas. Seria muito lindo se a Dilma do conforto de seu lar, pensasse “A galera tá levantando cartazes e cantando musiquinhas. Vou fazer algo por eles.” Se fosse assim, os 1,600 milhões de assinaturas contra Renan Calheiros teriam dado em alguma coisa. E deu no que? Em nada. E sabe porque? Porque assinaturas em papéis não incomodam ninguém. Se você não incomodar quem te incomoda, permanecerão cagando e andando para você. Algo só muda se ao invés de estarem cagando, estejam se cagando.

Como então poderia eu julgar a fúria de alguém se não vivi àquela vida? Quer dizer que não pode depredar patrimônio público, mas ninguém pensa que talvez aquela pessoa tenha sido depredada a vida inteira? Não estou dizendo para entrarmos numa guerra e amanhã levarmos nossas tochas à rua. Que cada um esteja guerreando da sua forma nessa luta de todos, mas tentar enxergar pelos olhos do outro faz parte da empatia que tanto pedimos ao mundo, mas que precisa começar de dentro pra fora. Se colocar no lugar do outro é o primeiro passo para poder entendê-lo e amá-lo.

povo

De uma forma geral, pude sentir muito orgulho do meu país ontem. De gente que largou tudo por algumas horas e foi à rua protestar e mostrar toda a sua indignação contra um governo que governa para empresários e ricos e não para o brasileiro. O Brasil é sim um país rico, mas não é um país de ricos.

Nosso país está entre os 30 países com os impostos mais altos e dessa lista é o que tem as piores qualidades em absolutamente todos os itens. Escola, educação, transporte, segurança, tudo está ruim. Ou seja, ter dinheiro, o Brasil tem. Mas o que acontece é que a maior parte desse dinheiro é usada para enriquecer ladrão engravatado que já é rico, e o que é usado para o povo é o mínimo do mínimo. As condições poderiam sim ser muito melhores, mas para isso a roubalheira precisaria acabar. Porque manter ambos, realmente é impossível. Então, o que tem que mudar não é apenas a passagem de ônibus, os políticos ou as leis absurdas (Pec impunidade, lei do nascituro, etc) o que tem que mudar é o sistema. E pode sim parecer utópico demais, mas até mês passado, tudo o que vivemos ontem também parecia utópico.

Termino esse post com um vídeo de uma brasileira explicando para o mundo o porque do Brasil não precisar de Copa.

Postado por Marina | Categorias: Marina
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13 jun 2013

As anti homens

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Desde que entrei na puberdade, lá pelos meus 11 anos, a minha relação com o mundo mudou completamente. Se antes era vista como uma menina, uma criança, passei a ser vista como uma moça, uma mulher. Algo completamente novo então aconteceu: eu comecei a gerar interesse masculino.

Lá pelos meus 17, 18 anos, aprendi a lidar com esse novo acontecimento. Assim como toda mulher aprende. Algumas cantadas eram extremamente ofensivas e outras apenas elogios inofensivos. Nunca me incomodei com elogios respeitosos. Há uma diferença gigantesca entre um elogio e um assédio. Moral ou físico, todo assédio incomoda. O que não quer dizer que qualquer cara que te elogie ou apenas te olhe, está se assediando.

Recentemente li um texto no Papo de Homem onde a autora começava o texto condenando toda e qualquer olhada masculina que recebia na rua, como se todo homem que direcionasse seu olhar a ela fosse um animal selvagem prestes a atacá-la. Sinto lhe informar, mulher, mas nem todo homem que te olha, te quer. Às vezes você apenas está em seu campo de visão. Às vezes pode ter sim te achado bonita, o que não significa que queira te comer. E sem esquecer que o bizarro e o feio também chamam a atenção. Então você que acha que um olhar é um assédio, abaixe a sua bola porque você não é tão irresistível quanto pensa.

É certo achar que um homem tem que andar na rua policiando seus próprios olhos para não irem de encontro a você? É certo se ofender e responder com agressividade quando um homem te faz um elogio respeitoso? Foi nisso o que nós, mulheres já tão oprimidas no passado, nos tornamos? Vamos responder opressão com mais opressão? Para mim não faz o menor sentido.

Esqueça as ideias das feministas que lutaram lindamente pelos seus direitos como cidadãs. O foco se deturpou e feminismo virou piada. O verdadeiro feminismo está morto e enterrado. E no lugar dele nasceu um grotesco e raivoso grupo de mulheres anti homens.

As anti homens, a cima de qualquer outra característica, odeiam e não aceitam as diferenças biológicas dos sexos. Não é apenas uma questão cultural que menino brinca de bola e menina brinca de boneca, por exemplo. E isso, deixo que o Dr. Drauzio Varella faça uma breve explicação:

“Hoje, sabemos que felizmente há diferenças biológicas entre homens e mulheres, que aparecem logo nos primeiros anos de vida e levam cada um dos sexos a desenvolver determinadas aptidões. Muito se tem discutido se a menina gosta de bonecas e os meninos de jogar bola porque a educação e as atividades a que são expostos incentivam essa preferência. Embora seja uma questão polêmica, estudos mais recentes revelam que essas diferenças começaram a ser estabelecidas pela ação dos hormônios sexuais ainda dentro do útero materno. Não é só por fatores puramente culturais que a menina prefere as bonecas e os meninos, a bola e os carrinhos. Uma força biológica dentro deles orienta essas escolhas.”

Não fomos apenas criadas para sermos diferentes dos homens. Nós nascemos assim. Nossos corpos são diferentes. Nossos cérebros são diferentes e funcionam de formas diferentes. Nossos hormônios estão presentes em níveis diferentes. Enfim, homens e mulheres são seres que desde o primeiro segundo se desenvolvem de forma diferente. E biologia, movimento nenhum muda.

Mas calma, não é porque é diferente que é ruim e nem que exista melhor e pior. As diferenças estão aí e elas são lindas. Ao invés de lutar contra elas, porque não amá-las?

arma

Existem sim opressões culturais sexistas, mas não podemos esquecer que assim como nós mulheres somos oprimidas culturalmente, os homens também são.

O exemplo mais usado é o da mulher que transa com muitos homens e é vista como puta, enquanto o homem que transa com muitas mulheres é visto como o fodão.

Mas quando uma mulher está de mãos dadas com outra mulher, elas podem ser só amigas. Enquanto se um homem estiver de mãos dadas com outro homem ele é imediatamente taxado de gay.

Isso também não é um claro exemplo de sexismo? Ou só é sexismo quando direcionado à uma mulher?

É realmente um saco ter o mundo inteiro te dizendo que você tem que ser a cópia da Barbie. Linda, educada, magra, alta, peituda e depilada. Mas imagino que também deva ser um saco ter o mundo te dizendo que você precisa ser bem sucedido, ter um bom emprego, ganhar bem, ser charmoso e de quebra ainda ter um pau de 20 cm, funcional e que aguente três sem sair de dentro.

É um saco também ter o mundo exigindo que você saia diariamente super bem maquiada e elegante de casa. Mas deve ser mais saco ainda ser homem e não ter nem a possibilidade de decidir se vai sair de casa com maquiagem ou sem, porque se sair com, sofrerá muito mais preconceito do que uma mulher que sai sem.

Se você, mulher, sofre na sua casa quando se olha pelada no espelho e acha que está gorda, saiba que na casa ao lado um homem se olha pelado no espelho e acha que seu pau é pequeno, ou sua canela muito fina, ou seus braços não são fortes o suficiente. Ambos são tão inseguros quanto, apenas nutrem neuroses diferentes.

A pressão social para que um homem seja homem e prove diariamente o quão homem ele é, é assustadora. Um homem que se veste de mulher, por exemplo, é uma Drag Queen. Mas uma mulher que se veste com roupas masculinas nem definição tem. E sabe porque? Porque a mulher não sofre a pressão de provar que é mulher. Então mesmo que ela só compre na seção masculina, mantém o seu direito de ser mulher.

O que estou dizendo é que sim, nós mulheres somos cobradas diariamente por sermos mulheres, mas os homens também são. É no mínimo injusto culpar e punir os homens por um erro social. E uma sociedade é composta tanto de homens quanto de mulheres. Então quanto a isso todos nós temos culpa no cartório.

Não poderia deixar de comentar sobre a violência do homem contra a mulher que é sim muito maior do que a violência da mulher contra o homem. Agressão física ou estupro, apesar de ambos os sexos cometerem, as mulheres são de longe as maiores vítimas. Somos fisicamente menores e mais fracas, então nos tornamos alvos fáceis de agressões físicas e sexuais. É horrível? É? Mas e quando a agressão é com um homem?

Em um caso, que aconteceu se não me engano na Califórnia, uma mulher cortou o pênis do marido e o jogou num triturador porque ele pediu o divórcio.
Essa notícia foi comentada em um programa tipo uma mesa redonda com algumas mulheres falando sobre nada com porra nenhuma e a ilustríssima Sharon Osbourne se referiu a esse acontecimento como “fabuloso”. E todo o auditório caiu na gargalhada. Sim, um caso de mutilação que só ganhou caráter cômico por ter sido de uma mulher contra um homem.

Agora imagine se o caso fosse um homem que cortou o clitóris de uma mulher e o triturou e fosse discutido em um programa de homens onde todos caíssem na gargalhada chamando o feito de fabuloso?
Esses homens seriam rebaixados ao patamar de monstros. Seriam cruelmente execrados sem dó nem piedade. Mas então porque violência contra mulher é abominável, mas violência contra homem é engraçado?

Não existe argumento que transforme em aceitável uma opressão seja lá contra o grupo que for.

Não é porque sua bisavó não podia votar, que todos os homens merecem sofrer. Não é porque você foi estuprada, que todos os homens são criminosos. Não é porque você é cobrada diariamente a se encaixar em um padrão, que os homens também não são. Não é porque algum dia você foi agredida verbalmente, que todo homem que abrir a boca também te agredirá.

mulher

Eu amo ser mulher. Eu amo menstruar. Eu amo poder um dia engravidar. Eu amo ser tratada com cavalheirismo. Eu amo ser cortejada. Eu amo ser diferente dos homens. Eu amo as particularidades do meu sexo. Eu amo o pacote inteiro. Assim como eu também amo ser cidadã. O que não quer dizer que para garantir os meus direitos civis eu preciso abrir mão de ser mulher.

Não quero sofrer agressões só por ser mulher. E é justamente por isso que não te agredirei só por você ser homem.

 

Referências:

Como se sente uma mulher : http://papodehomem.com.br/como-se-sente-uma-mulher/
Diferenças de gênero: http://drauziovarella.com.br/mulher-2/diferencas-de-genero/
Ele, ela: http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/ele_ela.html
It’s only sexist when men do it: http://www.youtube.com/watch?v=4JA4EPRbWhQ

Postado por Marina | Categorias: Marina
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09 jun 2013

O limite da xavasca

sarah

Não é de hoje que vemos ex-promíscuas (que ganhavam dinheiro com isso ou não), virando pastoras de igreja evangélica. É a aposentadoria de puta. O que me faz pensar se não há alguma espécie de limite para a xavasca. Encare como quiser: lei da vida, movimento do universo ou seja lá o nome que preferir usar.

Imagine um isqueiro. Depois que você o usa demais, ele perde o seu funcionamento. Você então o joga fora e compra outro. Infelizmente com a vagina não funciona assim. Você não pode comprar outra e nem trocar o seu fluído. Isso além de soar extremamente nojento, não seria funcional. Qual a saída então? Virar pastora.

A igreja evangélica parece funcionar como um botão de limpar histórico para a vagina dessas moças. Depois de uma vida inteira dando mais que chuchu na serra, um belo dia acordam e percebem que a quilometragem de suas xavascas já atingiu todos os limites existentes e o último estágio é fechar as portas da Disneyland e procurarem uma vaga na igreja da esquina.

Montei um bonito gráfico para explicar a teoria:
grafico
Esse é o gráfico da vagina. Você, moça que me lê agora e está se perguntando em qual nível sua xavasca se encontra, não fique preocupada. Como todos sabem, há uma diferença brutal entre dar e distribuir. Você pode dar muito, muito mesmo, mas nunca chegará ao nível de alguém que faz isso profissionalmente. É outra categoria, minha amiga!

Uma mulher livre com sua sexualidade, dá por diversão, dá porque gosta. Mas quando o sexo é feito com a consciência pesada, uma hora a mulher se sente na obrigação de limpar essa consciência e isso é um prato cheio para qualquer igreja evangélica. Já que nada melhor do que alguém emocionalmente fragilizado pra ser perfeitamente moldado em prol dos interesses da igreja em questão. Independente de quem a xavasca pertença, estamos falando de negócios.

A pessoa por outro lado, tem aí uma nova oportunidade de continuar alimentando seu inacabável oportunismo nato de acordo com as circunstanciais oferecidas. Quando era jovem e bonita, aproveitava-se disso e usava em seu benefício: filme pornô, prostituição, engravidar de homem rico, etc. Depois que a juventude e a beleza se foram, a igreja é a última possibilidade para a manipulação. Dessa vez, não mais sexual, mas psicológica. A igreja sai ganhando, a ex-tudo atual pastora sai ganhando. Só quem não sai ganhando são os fiéis, mas quem se importa com eles, não é mesmo?

Acho muito mais digno ser atriz pornô ou prostituta do que pastora. Se ambos os lados estão de acordo com a troca de sexo por dinheiro, pelo menos ninguém é enganado, ninguém é manipulado. Cada um aceita o que é e o falso moralismo passa longe. Aceitar ser quem você é, sem ferir o direito de ninguém, é a maior prova de dignidade que um ser humano pode dar. Seja isso socialmente aceito ou não.

Como xavasca não tem opção de reset, a igreja vende que pelo menos para a consciência tem. Como diria Velhas Virgens: Isso pra mim é aposentadoria de malandro.

Postado por Marina | Categorias: Crônicas, Marina
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26 mai 2013

Os 5 estágios da louça suja

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Sem dúvida um dos trabalhos domésticos mais odiosos que existe é lavar a louça suja. Se você não tem dinheiro o suficiente para contratar uma emprega de segunda a segunda, ou para comer todos os dias em restaurante, uma hora ou outra acabará tendo que lavar suas próprias louças. É maçante, é nojento, é chato, mas mais do que tudo é estritamente necessário.

Segundo a psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross, ao lidar com perdas e tragédias, as pessoas passam por 5 estágios diferentes. Mal sabia Elisabeth que para a louça suja também.

Estágio 1 – Negação:

- Ah, nem tem tanta louça assim. Dá pra lavar amanhã.

O primeiro estágio começa já com você negando a própria louça. Acabou de comer, está com a barriga cheia e prefere fingir que a louça não existe. É o começo do caos pois é dessa forma que a louça se amontoa e depois disso você a cada momento inventará uma nova desculpa para não se render ao tédio de lavar a louça. A cada hora que a louça permanece suja na pia, lavá-la se torna um trabalho mais e mais difícil.

Estágio 2 – Raiva:

- Eu não vou lavar merda nenhuma. Se alguém se incomodar que lave. Quero nem saber.

Você odeia a louça. Você evita entrar na cozinha pra não ter que encará-la. Você está muito confortável onde quer que esteja e não pretende se movimentar um dedo para que a louça apareça limpinha e cheirosa de volta aos armários. Pratos e talheres descartáveis pelo resto da sua vida são fortemente cogitados.

Estágio 3 – Negociação:

- Eu cozinho e você lava. Não? Eu passo as suas roupas por uma semana. Também não? Te dou 50 Reais pra você lavar. Pelo amor de Deus, qualquer coisa!

Você então barganha com os familiares, amigos, conjugue, ou qualquer outra pessoa para que não tenha que ser você a pessoa a exercer tal tarefa tão repugnante. Vale oferecer qualquer coisa. Nada é tão valioso que não possa ser trocado pela louça limpinha sem que você precise molhar suas mãos para isso.

Estágio 4 – Depressão:

- Trabalho tanto e não tenho dinheiro nem pra contratar uma empregada. Que mundo injusto! Vou ter que lavar essa merda todos os dias até morrer? Eu odeio a minha vida!

Você cai na real. Terá que ser você a pessoa a lavar a louça. A essa altura já tem vida nascendo da sua louça e se bobear espécies nunca antes descobertas. Você tem que lavar logo, mesmo que faça aos prantos, antes que a vida da sua louça suja comece a ter inteligência e a criar uma cidade inteira dentro da sua cozinha.

Estágio 5 – Aceitação:

- Não tem outro jeito, vou ter que lavar. Tudo bem, lavar a minha própria louça não é tão ruim assim. Eu poderia ser faxineira(o) de Motel e ter que limpar porra dos outros o dia inteiro.

Você tenta se convencer de que não odeia tanto assim.  Você sabe que odeia, mas se é para acabar lavando, que seja da melhor forma possível. A louça não vai se lavar sozinha então é melhor se conformar e mesmo com com raiva nos olhos, encarar aquela pilha de louça que você quase pode ouvi-la rindo ironicamente bem baixinho de toda a sua revolta que no final das conta não deu em absolutamente nada.

Postado por Marina | Categorias: Crônicas, Marina
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08 mai 2013

Passaporte

passaporte

Existem pessoas fáceis de conviver, mas deve ser uma chatice conviver com elas. Existem também as impossíveis de conviver, e deve ser uma luta conviver com elas. Mas ele fica ali no meio entre o fácil e o difícil. Antes de você se entediar, ele bagunça completamente o seu mundo e antes que você possa sofrer, ele te mostra a fidelidade de um cão adestrado. Nem por um segundo pense que ele é mediano. Esse rapaz não tem nada de mediano. Ele é sempre mais em tudo que é bom e em tudo que é ruim, ele não passa nem na calçada.

Mostre a ele tudo o que você tem de melhor, ele saberá aproveitar cada resquício de bondade que ainda resta em você depois que todos os que não eram ele, passaram na sua vida. E se faltar bondade, não se preocupe, ele tem de sobra. Te vende e você terá a vida inteira para pagá-lo com beijos verdadeiros. Não falsifique seus beijos, eles serão o passaporte com visto vitalício para a felicidade.
Cuidado, a felicidade ao lado dele é tão grande que você se doerá. Mas não se preocupe, quando você estiver certa de que irá explodir a qualquer momento, é quando estará mais plena.

Não seja ciumenta com ele. Entenda que ele é a busca. Troque o ciúmes pela gratidão e pela honra. É uma honra estar ao lado dele. Quando o sangue ferver, beije-o. Aquele beijo é tão viciante que estou certa de que a saliva dele é feita de cocaína. Eu só ainda não descobri como ele faz isso. Não tente descobrir também.
Seja compreensiva com os segredos dele. Ele é cheio de segredos e tentar desvendá-los é empurrá-lo para longe. E acredite, você não quer empurrá-lo para longe. Os segredos foram o cimento que o moldaram e ele é perfeito em cada segredo, em cada omissão, em cada mentira.

Quando não usar a boca para beijá-lo, use-a para sorrir. O sorriso com que ele retribuirá um sorriso seu, te fará querer grudar nele como um bicho preguiça numa árvore. Controle-se, ele prefere andar lado a lado. E se ele colocar a mão na sua perna enquanto dirige, sorria mais uma vez, você o ganhou.

Não se irrite com problemas pequenos. O tempo ao lado dele passa rápido. Gaste cada segundo amando esse rapaz.
Ah, se você soubesse a dor que é não aproveitá-lo em cada oportunidade.

Não o machuque. Machucá-lo é machucar a si mesma duas vezes mais. Ele não gosta de se machucar, mas gostará menos ainda de te ver machucada. E o castigo por machucá-lo é viver sem ele. Um preço alto demais para se arriscar.

Durma ao lado dele sempre que tiver a chance. Antes dele sair para trabalhar, o beijo que te dará na testa te fará sonhar com tudo o que há de mais belo. Ele é o que há de mais belo, mas não o deixe saber. Você também precisa ter os seus segredos.

Seja boa em tudo o que eu fui e seja melhor ainda no que eu não pude ser. Não o deixe sentir a minha falta como sinto a dele. E principalmente não o deixe olhar pela janela. Eu posso estar passando e se os nossos olhares se cruzarem mais uma vez, eu não respondo por mim. Aqueles olhos castanhos são perigosos. Depois que você se perde, só acha restos de você. Deixei algumas partes de mim lá dentro e se você as achar, deixe aonde estão. Não te serão úteis. E nem mais a mim.

E se por algum momento ele se questionar se eu ainda escrevo sobre ele, diga que eu só escrevo por ele.

Postado por Marina | Categorias: Contos, Marina
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