Os homens da minha vida – Parte 1

Um fato curioso em se estar solteira, é que as pessoas falam com você como se estivessem morrendo de pena:
- Você namora?
- Não. Solteira.
- Ah, não se preocupa. Qualquer dia você acha alguém.
Oi? A pessoa por estar solteira, necessariamente TEM que estar desesperada por alguém?
E logo então vem aquela pergunta que nenhum solteiro mais agüenta ouvir:
- Solteira? Mas por quê?
Juro que em quatro anos de solteirice, eu ainda não aprendi a responder essa pergunta. Vario bastante na resposta. Às vezes digo “porque eu quero” ou “porque ainda não é a hora” ou quando o saco já se foi, um sorrisinho responde tudo.
Depois da 77829179 pergunta, comecei a pensar se haveria algum porque, e vi um certo padrão em relação aos homens da minha vida, a cada homem que eu me envolvia, focava no que mais me incomodava para achar o próximo, não me importando com o pacote que viria junto. O que me fez chegar há apenas uma conclusão: Não há conclusão nenhuma para se chegar.
Os homens da minha vida:
1) O primeiro
“Ex-namorado é que nem vestido velho: Você olha depois e diz: Como eu pude sair com isso?”
Esse ditado fez muito mais sentido depois do “primeiro”.
O “primeiro” foi a iniciação para tudo o que veio depois. Chega até a ser emocionante relembrar tudo o que ele me proporcionou primeiro do que qualquer outro que se seguiu (que depois fatalmente fizeram um ótimo trabalho em propagar seu invejável trabalho):
A primeira mentira
O primeiro chifre
O primeiro choro
A primeira briga…
Dizem que a primeira transa é inesquecível, mas na verdade o que é inesquecível mesmo é a primeira decepção.
Decidi então que eu queria alguém mais maduro.
2) O mais velho
Ele era oito anos mais velho do que eu, morava sozinho, tinha carro, trabalhava e adorava me ensinar física quando a semana de provas da escola se aproximava. Sua mãe me odiava, mas como eu não a namorava, estava cagando. Pena que ele era igual comigo, exceto pelo fato de que sim, ele me namorava.
Era um namoro totalmente morno. Um não morreria pelo outro, e era perceptível que eu não passava de um enorme travesseiro fofo que consolava as mentirosas tristezas de seu passado.
Um dia cansei de tanto drama mexicano e acabei sem a menor tristeza.
Decidi então que queria mais paixão.
3) O apaixonado
Minha mãe diz que meu Santo Antônio é meio desregulado. Eu digo que é completamente.
Quando eu pedi “mais paixão”, obviamente pedia para os dois lados.
Sabe aquela coisa bonita em que a gente vê em filme? O casal que se esbarra no mercado e se descobrem loucamente apaixonados? O menino que ama a menina secretamente e quando se declara, descobre um enorme amor por parte dela também? O casal de velhinhos juntos há 50 anos e ainda se amando?
Pois é, filha, isso só existe em filme mesmo. Na vida real o casal se casa por culpa de uma gravidez precoce, se separam depois de 6 meses, e ela descobre que contraiu hpv.
“O apaixonado” era um cara que parecia ter saído de um desses filmes da sessão da tarde (tirando aqueles em que os animais falam. Por Deus, esses não!). Eram abraços demais, beijos demais, declarações demais, nhenhenhes demais. Tanta coisa que comecei a adquirir uma certa fobia dele. Ele vinha com aqueles braços enormes me prender só pra ele, e eu me concentrava no meu mantra secreto: “calma que daqui a pouco tudo isso vai acabar e você estará em casa assistindo televisão”.
Aprendi então que quando assistir televisão em casa é melhor do que estar com um cara, já passou a hora de terminar esse relacionamento.
Decidi então que queria alguém com mais amor próprio
4) O bonito
O que não faltava nesse era amor próprio. Na verdade seu amor era tão próprio, mas tão próprio, que não havia lugar para mim naquela relação. Todo o amor girava em torno dele, e ele mesmo.
Para alguém que era tão perfeito, era difícil aceitar que os outros podiam ter defeitos. Ele me fazia sentir feia, velha, gorda e burra, e antes que me sentisse pior, mandei-o tomar no meio de sua linda bunda, e depois me senti melhor do que qualquer experiência que eu tenha vivido com ele.
Decidi então que eu queria alguém que me tratasse bem.
5) O namorando
O “namorando” é aquele tipo irresistível. Sabe que tem uma enorme desvantagem por ser “namorando” e por isso usa todo o charme e lábia que puder.
Sempre tratando a mocinha como uma princesa. Afinal, é o mínimo que pode oferecer a alguém que não terá espaço algum em sua vida.
Para mim era perfeito. Alguém que quando eu quisesse, estaria lá para me dar toda a atenção do mundo (por aquela noite, é claro.), não me importaria com as suas mentiras, e nem ele com os meus perdidos, e seríamos felizes para sempre até ele ter que atender o celular.
Tivemos uma ótima relação, onde fingíamos ter alguma relação, até que um dia eles acabaram.
Pareceu bem claro o que eu devia fazer, quando me peguei numa discussão com ele em que eu dizia: “Vocês não podem ter acabado!”
Decidi então que eu queria alguém com perspectiva
6) O não-dá-mais
Mesmo que não houvesse perspectiva alguma, eu criaria. Eu estava apaixonada. Daquele tipo em que você passa a ter 13 anos de novo e se pega escrevendo suas iniciais dentro de enormes corações em todas as folhas do caderno durante uma aula chata. Eu tinha certeza de que havia achado o cara certo, ele é que ainda não tinha a mesma certeza, e isso ficou claro quando num belo dia chegou na minha casa, sentou na minha cadeira, fumou do meu cigarro, e então se virou e disse: “Não dá mais”.
[continua...]
Corra Mary

